As Janelas
Por Ane Rainey
(escrito ao som de Cosmic Love e outras - Florence + the Machine)
Somente mais um de meus inúmeros devaneios. Bem-vinda seja a inspiração que o trouxe. Entretido seja o Leitor.
Janelas foram feitas para os curiosos.
E também para os amantes.
ELE OLHAVA PELA janela de seu quarto, no quarto andar de um prédio velho no sul de Londres.
Era um americano perdido no formigueiro de britânicos e seu sotaque com classe, como costumava sua mãe dizer, ao que via alguma reportagem na tevê ou ouvia algo no rádio, em meados da década de setenta.
Ele próprio ouvira muito sobre britânicos; aliás, ele adorava a Inglaterra e a própria Londres. Conseguira, então, em junho de 1984, mudar-se para lá.
Agora, dois anos depois, na semana antecedente ao Natal, as ruas já estavam preparadas para receber o ano de 1987. Nevava e fazia um frio extremamente congelante, conquanto dentro de seu apartamento estivesse quente o suficiente para usar somente um suéter preto, com losangos azul-marinho e calças jeans.
Tentava observar a rua. Afastar os olhos do prédio frente ao dele; afastá-los da tentação. Uma incrível tentação que morava bem na janela frente à dele e que sorria de vez em quando, apenas para amornar-lhe o coração.
Seu nome era Rose. Tinha olhos castanho-claros — muitas vezes ficavam tão sombrios quanto os próprio olhos ônix dele — e cabelos em um dourado escuro, beirando também ao castanho claro. Combinavam com ela e seu rosto acentuado por curvas delicadas e lábios semicarnudos e rubros. Era linda em todos os sentidos; angelical deveria ser sua voz — nunca a ouvira, de fato. Imaginava-a todas as noites ao ir dormir e acordava com ela, com possíveis sussurros. Somente sabia seu nome por conta de seu vizinho Tommy, um garoto simpático que vivia no apartamento ao lado do de Rose. Perguntou-lhe um dia: ei, você sabe o nome da garota do quarto andar? Daquele apartamento bem ali, e apontou-lhe a janela. Tommy deu um largo sorriso e disse-lhe: É a Rose. Ou Rosie, como quiser. Ela é legal. Às vezes tenta me ensinar a tocar algo no cravo. Aprendi metade de Für Elise com a Rose. Ela disse para ir até lá tentar tocar o resto outro dia, mas mamãe disse que eu preciso melhorar minhas notas em Exatas. Eu não gosto de Exatas.
Na verdade, ele não deu muita bola ao que o garoto disse-lhe após Rose, ou Rosie. Só prestara atenção àquilo e a mais nada. Era do que precisava. Sabia o nome da garota que deixava-o sem sono quase todas as noites — se não todas. Todavia, havia noites em que podia se deitar e sonhar com ela. Sonhar com ela sobre si, beijando-lhe os lábios e murmurando palavras cálidas em seu ouvido.
Ele sabia que tudo aquilo soava utópico — era fantasioso, sim. Mas era como podia se agradar naquelas noites frias ou quentes que se passaram. Há quase um ano a olhava por aquela janela. Há quase um ano se imaginava com ela.
Sabia que a garota tinha um namorado — era tão jovem, o garoto. Não devia ter mais de vinte. Deveria ter quase a mesma idade que ela. Ela tinha dezenove, pelo que Tommy lhe contara.
Nunca aprovou aquele romance — em que universo aprovaria qualquer romance entre sua jovem amada com outro homem, que não fosse ele mesmo? Aquilo era um absurdo —; o garoto parecia ser tão insosso e chato. Pela janela, podia vê-los discutir às vezes. Ele adorava aquelas noites de discussões, em que gritavam um com o outro e logo o garoto ia embora, batendo a porta do quarto de Rose e deixando-a ali, chorando as mágoas abraçada a um de seus travesseiros, inundando-o. Nesses momentos ele desejava abrir a porta de seu apartamento e correr até o dela — mesmo que estivesse calçando apenas meias, ele não se importava se congelaria ou não os pés — e abraçá-la. E abraçá-la por toda a noite e por toda a eternidade.
No entanto, ele não podia fazer aquilo. Seria loucura, ela nem mesmo o conhecia. Então contentava-se observando-a e sussurrando para que respirasse fundo e acalmasse-se; pois ele sempre estaria ali para ela. Sempre que Rose precisasse, ele estaria ali, mesmo que… ela não soubesse quem ele era. Ele não se importava com aquilo.
Talvez um dia pudesse dizer-lhe o quanto gostava dela.
Para sua idade, soaria estupidez dizer que estava apaixonado apenas por fitá-la de sua janela. Claro, seus amigos zombariam de sua cara de idiota ao dizê-lo. Ele não era um adolescente e não tinha o mínimo direito de apaixonar-se apenas por observar uma garota todas as noites, quase como um predador.
Aos seus quarenta e um anos, ele não tinha direito algum àquilo.
Às vezes pegava-se pensando se aquilo era correto. Afinal era bem mais velho que ela — mas ainda gostava de vê-la.
Sentiu-se quente quando ela começou a retribuir seus olhares. E depois vieram os sorrisos.
Seus sorrisos iluminavam a escuridão. Ele sabia que ela era capaz de fazer aquilo. E aqueles sorrisos, tão especiais, sabia também que ela os dava somente para ele.
ELA OLHAVA PELA janela de seu quarto, no quarto andar de um prédio velho no sul de Londres.
Nasceu em Londres e sabia que morreria naquela cidade, pois a amava mais que qualquer britânico. Mesmo que seu pequeno apartamento não fosse o mais belo ou o melhor, ela gostava de viver nele; tinha tudo que precisava para sustentar-se e viver até mesmo bem. As paredes tinham lá suas rachaduras, porém, ela poderia cobri-las com um pouco de massa qualquer dia desses. Qualquer dia desses poderia comprar massa e cobri-las — e o faria quando tivesse tempo.
Trabalhava em uma escola de música municipal. Dava aulas de piano às crianças que não tinham condições em seu bairro e adorava fazer aquilo.
Seu pai sempre quis que ela cursasse Direito ou Medicina, mas ela amava a música e por isso cursava Música em uma universidade federal. Conseguira passar no início do ano passado e estava muito feliz àquela altura.
Conseguira dar entrada às prestações do apartamento no início do ano. Havia guardado cerca de duas mil libras e pagava as prestações em dia, assim elas diminuiriam conforme fosse-as pagando.
A primeira coisa que fez foi mandar alguns homens levarem seu cravo até seu apartamento, puxando-o com uma corda até lá em cima, passando-o pela sacada que, felizmente, era grande o suficiente para recebê-lo.
Um dia conheceu seu vizinho, Tommy, um garotinho simpático de onze anos. Ele era miúdo, pequeno para a idade e os cabelos caiam sobre os ombros em fios semi-dourados reluzentes e uma franja sempre colada à testa por gotículas de suor. Os olhos eram de um azul quase baço, no entanto, às vezes brilhavam tanto que perdiam completamente sua tonalidade fosca e tornava-se viva; um azul turquesa, quase tão vivo quanto o céu no dia mais quente e ensolarado de verão. E Rose já havia notado quando aquilo acontecia; quando ela tocava Für Elise para ele. Um dia Tommy pediu para que lhe ensinasse e, com prazer, ela o fez. O garoto fitou-a com seus olhos agora reluzentes e o sorriso cheio de dentes e gritou-lhe um obrigado! tão fortíssimo que até mesmo ela emocionou-se naquele instante. Sentiu o coração bater mais forte dentro do peito, e então Tommy a conquistara completamente. Era um menino adorável e deveras educado. A mãe não lhe dava muito de sua atenção e Rose tornara-se quase uma irmã para ele.
Rose também tinha um namorado, Don. Ele era um ano mais velho que ela e, mesmo sendo doloroso dizer, parecia ser muito mais infantil. Aquilo a incomodava e preocupava; quase sempre Don a tratava como uma colega adolescente, não como uma namorada. Ela odiava suas brincadeiras bobas e sem graça. Ela não aprovava seu comportamento extremamente juvenil para com seus amigos e professores na Universidade. Ele realmente parecia um menino e, pelo que sabia, até mesmo Tommy era mais aplicado, compenetrado e educado que Don.
Rose também sabia que não o amava. Ela gostava de Don, e ele era atraente. Tinha olhos verdes e cabelos em uma tonalidade de castanho médio e um pouco mais que um metro e oitenta. Quanto ao corpo, era normal. Tinha um abdômen definido, como deixou claro uma de suas amigas — Jenny —, todavia, nunca foi de interessar-se por um homem somente por seu porte físico. Às vezes pegava-se pensando porque ainda saía com Don — talvez por medo de ser rejeitado por vários homens. Ou talvez porque não queria ficar só, o que era praticamente a mesma coisa. Acomodou-se àquele namoro e estava tudo bem. Algumas — várias — discussões sempre aconteciam, claro, como em todo relacionamento. Tirando aquilo, estava tudo bem.
Até o momento em que olhou pela janela e deparou-se com o prédio vizinho, com a janela vizinha.
Tommy lhe contara sobre um homem que havia perguntando qual era o nome dela. Ele disse que parecia ter uns trinta cinco ou quarenta, mas que era como os caras bonitões da TV. Quando Tommy lhe disse aquilo, ela ignorou-o; pensou que ele estava inventando coisas. Mas o pobre garoto na verdade queria apenas informá-la; era verdade. Tommy disse que ele morava no prédio em frente ao deles, no quarto andar também.
E havia um homem. E ele era seu vizinho de prédio, e estava lá na outra janela. Era realmente bonito como os caras da TV; tinha cabelos que iam pouco acima da nuca, negros e olhos da mesma cor; olhos ônix, penetrantes e misteriosos. Os lábios não eram finos, tampouco eram grossos; eram médios, ou quase isso. Ele deixava uma barba mal feita no rosto, o que talvez acentuasse-lhe mais o maxilar rijo e o queixo um tanto quadrado. Havia algo naquele homem que lhe chamava a atenção; não sua aparência, mas algo. Algo além daquilo. Quiçá fosse química, no entanto… Ela sentia-se diferente quando o fitava da janela de seu quarto. E ele sempre estava lá. Sentado ou em pé; lendo ou escrevendo. Assistindo à televisão, vendo alguma série ou filme. Ou às vezes apenas lá… no quarto. Como se também a observasse.
Daquele momento em diante, passou a responder-lhe também com olhares. Usava das horas que tinha em casa para observá-lo de seu apartamento, enquanto ele tentava ser sutil e fingir que não fazia o mesmo. No entanto, Rose podia notá-lo fazendo o que ela fazia; bisbilhotando. Olhando. Observando lá de seu apartamento. E ela não o culpava.
Pediu a Tommy que descobrisse seu nome. Era fim de tarde e, o garoto, sorridente e com sua alma de criança sapeca, disse que o faria e desceu as escadas rapidamente. Correu até o outro prédio e Rose o observava pela janela. Pouco tempo depois, ela viu o homem sair de seu quarto e ir atender à porta. Alguns minutos se passaram e Tommy batia à sua porta.
Contou-lhe que o nome do homem era Michael. E que ela poderia chamá-lo de Mike.
Michael. Nome bonito — sempre gostara desse nome.
Em uma noite, viu Michael junto à máquina de escrever. Ele digitava apressadamente; seus dedos voavam sobre as teclas. Seria escritor? Ou estaria apenas datilografando qualquer coisa?
Aquilo a encantou, de qualquer forma. Escritores, em sua imaginação, foram sempre seres sensuais, em seu jeito de ser — os dedos longos pelas teclas. Ela quase podia ouvi-las. Tec-tec-tec, plim!
Estaria escrevendo um romance?
Um poema?
Um conto ou crônica? — pouco lhe importava, na verdade. Ela se esticava sobre o peitoril da janela, sorridente, as mãos apoiavam o queixo.
E se ele a visse?
Não. Estava tão compenetrado em sua tarefa, os óculos redondos pendendo acima da ponta de seu nariz. Vestia uma camisa de botões xadrez, de mangas compridas — e além daquilo, mal podia ver o restante.
A folha chegara ao fim. Mike olhou para o lado, para a janela e finalmente a viu.
Rose ficou tão vermelha quanto a flor que lhe dava seu nome — ela sorriu como uma garotinha pega no flagra, as bochechas rubras.
Observou Mike sorrindo-lhe de volta e viu-o erguer-se, indo até o outro quarto — era o que havia pensado. O homem voltou com um pacote novo de folhas e, ao que parecia, uma caneta hidrográfica — daquelas de pontas grossas.
Rabiscou algo no papel, apoiando-o no vidro da janela e abriu-a. Mostrou-lhe o papel.
Podia lê-lo com certa dificuldade, mas a letra de Mike ajudava um tanto.
“Olá!” — havia escrito no papel, letras maiúsculas e legíveis.
Está falando comigo…
Ela pediu para que ele esperasse um pouco.
Correu pelos corredores de seu pequeno apartamento, à procura de papéis e caneta. Achando-os, respondeu-lhe com outro “olá! Como vai você?”
“Vou bem, e você?”
“Bem!”
“Que bom!” — ele expressou uma cara risonha, fazendo-a gargalhar.
Alguns segundos se passaram — uns trinta — e ela pegou outro papel, escrevendo uma pergunta.
“Você escreve?”
“Sim!”
“Poderia ler?”
“Um minuto” — ele a deixou sozinha por algum tempo. Rose permanecia sobre o peitoril, esperando-o. Como faria para mostrar-lhe o que havia escrito?
Ela imaginava uma possível maneira quando ele apareceu novamente na janela. Rose ergueu-se do peitoril e percebeu o que ele tinha em mãos: o papel em que havia escrito algo, dobrado em formato de avião. Ele mirou e o papel cruzou o rosto de Rose, caindo sobre seu tapete. Ela sorriu, agradecendo, e apanhou o papel. Desdobrou-o; não era um poema, nem poderia dizer se era conto, crônica ou algum romance. Pediu um tempo e pôs-se a ler.
Os flocos de nevem caíam em redemoinhos, acertando o chão úmido de inverno em cheio. Londres estava quieta como uma escola tradicional em tempos de provas; o vento serpenteava os prédios ao redor. Era tão tarde, e tão escuro; as parcas luzes dos postes iluminavam o caminho, e o amarelo baço que iluminava sua sala ajudava-o a perceber a construção frente à sua; um imóvel de cinco andares. A janela de madeira escura e envelhecida do quarto andar era o que mais lhe fascinava em todo prédio — não a janela, o que estava além dela. O castanho-claro dos olhos luminosos e oscilantes, o rosado dos lábios que deveriam ser cálidos como labaredas, cândidos e inebriantes como hidromel. Os fios que beiravam ao ouro — maciço poderia ser seu toque na pele, cheirariam como rosas? Não poderia haver outra flor tão adequada! — e acentuavam sua face e seus traços marcantes; o nariz um tanto afilado e um sorriso apaixonante. Na primeira vez que a viu, sentiu-se novo novamente — as ondas de calor invadindo seu corpo, formando arrepios dos pés à cabeça, eriçando todos os pelos de seu corpo, fazendo com que borboletas voassem, felizes, em seu estômago. E passou a observá-la, o sentimento tornando-se maior a cada dia. Estava apaixonado, como nunca o fora em sua vida — ela era a luz na escuridão de seus pensamentos, o adormecer à fantasia, o acordar à razão; ela era tudo. E quando ela o percebeu? Ó deuses, o melhor dia de sua vida — correspondera-lhe com um sorriso de anjo, fê-lo sentir-se o homem mais adorado do mundo. E agora ela também o olhava, ele sentia a moça fitá-lo com delicadeza do outro lado. Ele sonhava se um dia ouviria sua voz. Se um dia sentiria aqueles lábios sobre os dele… Ah, e as borboletas voavam e voavam…
E ela era bela. Bela…
Rose sorria como uma tola — sorria e chorava. Era uma declaração! Que outro homem poderia fazer algo como aquilo? Don era um estúpido; nunca dissera-lhe sequer um eu te amo!
Levantou-se, convicta. Escreveu algumas palavras no papel e colocou-o no bolso. Calçou os sapatos e vestiu um grosso casaco. Saiu de seu apartamento, descendo as escadas rapidamente, sorrindo ainda, pensando no que faria a seguir — as pessoas precisam de loucuras para viver. As pessoas precisam delas para serem felizes e se arriscarem. Para serem felizes!
Estava frio do lado de fora. Ela caminhou ainda mais rápido até o prédio vizinho. Adentrou-o, marchando sobre os degraus das escadas.
Quarto andar, número 42.
Quarto andar, número 42. Michael.
Quarto andar, número 42. Michael. Ou Mike. Como preferir…
Mike…
Ela havia deixado-o ali. Saíra do quarto e não respondeu ao que ele havia lhe enviado. Sentiu-se, primeiramente, desapontado. Mas não poderia prever o que ela fora fazer — talvez fosse buscar outro papel. Uma caneta. Ou até mesmo poderia ter ido ao banheiro.
Michael sentia seus dedos tremerem. Mandara-lhe aquele texto. Não era o que estava escrevendo — o que escrevia era um artigo ao jornal local daquele condado. O que teria pensado? Teria compreendido? — era óbvia que havia compreendido. Era tão claro o que havia escrito, ela tinha de ter entendido…
Sentou-se na cadeira frente a maquina de escrever, afastando-se da janela. Bebericou o café quente que havia servido há pouco e sentiu-se novamente desapontado.
Seria sua escrita assim tão ruim?
Não poderia.
Onde haveria ido?
Ó, deuses. Fiz algo de errado? Por quê?
Pensava em ir até a janela outra vez quando a campainha tocou.
Ele caminhou até a porta e a abriu — deparou-se com ela. Com Rose — ou Rosie, como preferir.
Ele sorriu, e ela também, sem jeito — notou que puxou um papel do bolso. Desdobrou-o, mostrando-lhe, a certa distância.
Estava escrito:
“Fica comigo, observador?”
Michael riu. Procurou um papel à mesa.
“Sim!”
Rose deixou o papel cair ao chão e colocou-se à ponta dos pés, entrelaçando o pescoço de Michael com seus braços e beijando-o da forma mais amorosa e apaixonada que já havia beijado um homem.
Michael o fazia da mesma maneira, mais forte, mais apaixonado ainda.
Ela tinha o gosto do paraíso, e os lábios eram de textura surreal — onde ele estava? Fora ao Céu, e nem notara?
Seu toque. Seu corpo. Seus lábios e seu cheiro.
Ela era incrível!
Sua boca. Seus olhos. Seu abraço e sua paixão.
Ele era a promessa de um amor!
Recostaram-se à parede e beijaram-se por longos minutos; toques libidinosos, mãos lascivas.
Tudo era intenso — o momento mais intenso de suas vidas. A coisa mais bonita que já havia acontecido no mundo. Não sabiam seus nomes por inteiro, nem ao menos haviam já ouvido a voz um do outro. Aquilo era fascinante.
Dia vinte e três de dezembro; os sinos já estavam prontos para tocar e a neve caía sobre as ruas.

















