As Janelas

As Janelas

Por Ane Rainey

(escrito ao som de Cosmic Love e outras - Florence + the Machine)

Somente mais um de meus inúmeros devaneios. Bem-vinda seja a inspiração que o trouxe. Entretido seja o Leitor.

Janelas foram feitas para os curiosos.

E também para os amantes.

ELE OLHAVA PELA janela de seu quarto, no quarto andar de um prédio velho no sul de Londres.

Era um americano perdido no formigueiro de britânicos e seu sotaque com classe, como costumava sua mãe dizer, ao que via alguma reportagem na tevê ou ouvia algo no rádio, em meados da década de setenta.

Ele próprio ouvira muito sobre britânicos; aliás, ele adorava a Inglaterra e a própria Londres. Conseguira, então, em junho de 1984, mudar-se para lá.

Agora, dois anos depois, na semana antecedente ao Natal, as ruas já estavam preparadas para receber o ano de 1987. Nevava e fazia um frio extremamente congelante, conquanto dentro de seu apartamento estivesse quente o suficiente para usar somente um suéter preto, com losangos azul-marinho e calças jeans.

Tentava observar a rua. Afastar os olhos do prédio frente ao dele; afastá-los da tentação. Uma incrível tentação que morava bem na janela frente à dele e que sorria de vez em quando, apenas para amornar-lhe o coração.

Seu nome era Rose. Tinha olhos castanho-claros — muitas vezes ficavam tão sombrios quanto os próprio olhos ônix dele — e cabelos em um dourado escuro, beirando também ao castanho claro. Combinavam com ela e seu rosto acentuado por curvas delicadas e lábios semicarnudos e rubros. Era linda em todos os sentidos; angelical deveria ser sua voz — nunca a ouvira, de fato. Imaginava-a todas as noites ao ir dormir e acordava com ela, com possíveis sussurros. Somente sabia seu nome por conta de seu vizinho Tommy, um garoto simpático que vivia no apartamento ao lado do de Rose. Perguntou-lhe um dia: ei, você sabe o nome da garota do quarto andar? Daquele apartamento bem ali, e apontou-lhe a janela. Tommy deu um largo sorriso e disse-lhe: É a Rose. Ou Rosie, como quiser. Ela é legal. Às vezes tenta me ensinar a tocar algo no cravo. Aprendi metade de Für Elise com a Rose. Ela disse para ir até lá tentar tocar o resto outro dia, mas mamãe disse que eu preciso melhorar minhas notas em Exatas. Eu não gosto de Exatas.

Na verdade, ele não deu muita bola ao que o garoto disse-lhe após Rose, ou Rosie. Só prestara atenção àquilo e a mais nada. Era do que precisava. Sabia o nome da garota que deixava-o sem sono quase todas as noites — se não todas. Todavia, havia noites em que podia se deitar e sonhar com ela. Sonhar com ela sobre si, beijando-lhe os lábios e murmurando palavras cálidas em seu ouvido.

Ele sabia que tudo aquilo soava utópico — era fantasioso, sim. Mas era como podia se agradar naquelas noites frias ou quentes que se passaram. Há quase um ano a olhava por aquela janela. Há quase um ano se imaginava com ela.

Sabia que a garota tinha um namorado — era tão jovem, o garoto. Não devia ter mais de vinte. Deveria ter quase a mesma idade que ela. Ela tinha dezenove, pelo que Tommy lhe contara.

Nunca aprovou aquele romance — em que universo aprovaria qualquer romance entre sua jovem amada com outro homem, que não fosse ele mesmo? Aquilo era um absurdo —; o garoto parecia ser tão insosso e chato. Pela janela, podia vê-los discutir às vezes. Ele adorava aquelas noites de discussões, em que gritavam um com o outro e logo o garoto ia embora, batendo a porta do quarto de Rose e deixando-a ali, chorando as mágoas abraçada a um de seus travesseiros, inundando-o. Nesses momentos ele desejava abrir a porta de seu apartamento e correr até o dela — mesmo que estivesse calçando apenas meias, ele não se importava se congelaria ou não os pés — e abraçá-la. E abraçá-la por toda a noite e por toda a eternidade.

No entanto, ele não podia fazer aquilo. Seria loucura, ela nem mesmo o conhecia. Então contentava-se observando-a e sussurrando para que respirasse fundo e acalmasse-se; pois ele sempre estaria ali para ela. Sempre que Rose precisasse, ele estaria ali, mesmo que… ela não soubesse quem ele era. Ele não se importava com aquilo.

Talvez um dia pudesse dizer-lhe o quanto gostava dela.

Para sua idade, soaria estupidez dizer que estava apaixonado apenas por fitá-la de sua janela. Claro, seus amigos zombariam de sua cara de idiota ao dizê-lo. Ele não era um adolescente e não tinha o mínimo direito de apaixonar-se apenas por observar uma garota todas as noites, quase como um predador.

Aos seus quarenta e um anos, ele não tinha direito algum àquilo.

Às vezes pegava-se pensando se aquilo era correto. Afinal era bem mais velho que ela — mas ainda gostava de vê-la.

Sentiu-se quente quando ela começou a retribuir seus olhares. E depois vieram os sorrisos.

Seus sorrisos iluminavam a escuridão. Ele sabia que ela era capaz de fazer aquilo. E aqueles sorrisos, tão especiais, sabia também que ela os dava somente para ele.

ELA OLHAVA PELA janela de seu quarto, no quarto andar de um prédio velho no sul de Londres.

Nasceu em Londres e sabia que morreria naquela cidade, pois a amava mais que qualquer britânico. Mesmo que seu pequeno apartamento não fosse o mais belo ou o melhor, ela gostava de viver nele; tinha tudo que precisava para sustentar-se e viver até mesmo bem. As paredes tinham lá suas rachaduras, porém, ela poderia cobri-las com um pouco de massa qualquer dia desses. Qualquer dia desses poderia comprar massa e cobri-las — e o faria quando tivesse tempo.

Trabalhava em uma escola de música municipal. Dava aulas de piano às crianças que não tinham condições em seu bairro e adorava fazer aquilo.

Seu pai sempre quis que ela cursasse Direito ou Medicina, mas ela amava a música e por isso cursava Música em uma universidade federal. Conseguira passar no início do ano passado e estava muito feliz àquela altura.

Conseguira dar entrada às prestações do apartamento no início do ano. Havia guardado cerca de duas mil libras e pagava as prestações em dia, assim elas diminuiriam conforme fosse-as pagando.

A primeira coisa que fez foi mandar alguns homens levarem seu cravo até seu apartamento, puxando-o com uma corda até lá em cima, passando-o pela sacada que, felizmente, era grande o suficiente para recebê-lo.

Um dia conheceu seu vizinho, Tommy, um garotinho simpático de onze anos. Ele era miúdo, pequeno para a idade e os cabelos caiam sobre os ombros em fios semi-dourados reluzentes e uma franja sempre colada à testa por gotículas de suor. Os olhos eram de um azul quase baço, no entanto, às vezes brilhavam tanto que perdiam completamente sua tonalidade fosca e tornava-se viva; um azul turquesa, quase tão vivo quanto o céu no dia mais quente e ensolarado de verão. E Rose já havia notado quando aquilo acontecia; quando ela tocava Für Elise para ele. Um dia Tommy pediu para que lhe ensinasse e, com prazer, ela o fez. O garoto fitou-a com seus olhos agora reluzentes e o sorriso cheio de dentes e gritou-lhe um obrigado! tão fortíssimo que até mesmo ela emocionou-se naquele instante. Sentiu o coração bater mais forte dentro do peito, e então Tommy a conquistara completamente. Era um menino adorável e deveras educado. A mãe não lhe dava muito de sua atenção e Rose tornara-se quase uma irmã para ele.

Rose também tinha um namorado, Don. Ele era um ano mais velho que ela e, mesmo sendo doloroso dizer, parecia ser muito mais infantil. Aquilo a incomodava e preocupava; quase sempre Don a tratava como uma colega adolescente, não como uma namorada. Ela odiava suas brincadeiras bobas e sem graça. Ela não aprovava seu comportamento extremamente juvenil para com seus amigos e professores na Universidade. Ele realmente parecia um menino e, pelo que sabia, até mesmo Tommy era mais aplicado, compenetrado e educado que Don.

Rose também sabia que não o amava. Ela gostava de Don, e ele era atraente. Tinha olhos verdes e cabelos em uma tonalidade de castanho médio e um pouco mais que um metro e oitenta. Quanto ao corpo, era normal. Tinha um abdômen definido, como deixou claro uma de suas amigas — Jenny —, todavia, nunca foi de interessar-se por um homem somente por seu porte físico. Às vezes pegava-se pensando porque ainda saía com Don — talvez por medo de ser rejeitado por vários homens. Ou talvez porque não queria ficar só, o que era praticamente a mesma coisa. Acomodou-se àquele namoro e estava tudo bem. Algumas — várias — discussões sempre aconteciam, claro, como em todo relacionamento. Tirando aquilo, estava tudo bem.

Até o momento em que olhou pela janela e deparou-se com o prédio vizinho, com a janela vizinha.

Tommy lhe contara sobre um homem que havia perguntando qual era o nome dela. Ele disse que parecia ter uns trinta cinco ou quarenta, mas que era como os caras bonitões da TV. Quando Tommy lhe disse aquilo, ela ignorou-o; pensou que ele estava inventando coisas. Mas o pobre garoto na verdade queria apenas informá-la; era verdade. Tommy disse que ele morava no prédio em frente ao deles, no quarto andar também.

E havia um homem. E ele era seu vizinho de prédio, e estava lá na outra janela. Era realmente bonito como os caras da TV; tinha cabelos que iam pouco acima da nuca, negros e olhos da mesma cor; olhos ônix, penetrantes e misteriosos. Os lábios não eram finos, tampouco eram grossos; eram médios, ou quase isso. Ele deixava uma barba mal feita no rosto, o que talvez acentuasse-lhe mais o maxilar rijo e o queixo um tanto quadrado. Havia algo naquele homem que lhe chamava a atenção; não sua aparência, mas algo. Algo além daquilo. Quiçá fosse química, no entanto… Ela sentia-se diferente quando o fitava da janela de seu quarto. E ele sempre estava lá. Sentado ou em pé; lendo ou escrevendo. Assistindo à televisão, vendo alguma série ou filme. Ou às vezes apenas lá… no quarto. Como se também a observasse.

Daquele momento em diante, passou a responder-lhe também com olhares. Usava das horas que tinha em casa para observá-lo de seu apartamento, enquanto ele tentava ser sutil e fingir que não fazia o mesmo. No entanto, Rose podia notá-lo fazendo o que ela fazia; bisbilhotando. Olhando. Observando lá de seu apartamento. E ela não o culpava.

Pediu a Tommy que descobrisse seu nome. Era fim de tarde e, o garoto, sorridente e com sua alma de criança sapeca, disse que o faria e desceu as escadas rapidamente. Correu até o outro prédio e Rose o observava pela janela. Pouco tempo depois, ela viu o homem sair de seu quarto e ir atender à porta. Alguns minutos se passaram e Tommy batia à sua porta.

Contou-lhe que o nome do homem era Michael. E que ela poderia chamá-lo de Mike.

Michael. Nome bonito — sempre gostara desse nome.

Em uma noite, viu Michael junto à máquina de escrever. Ele digitava apressadamente; seus dedos voavam sobre as teclas. Seria escritor? Ou estaria apenas datilografando qualquer coisa?

Aquilo a encantou, de qualquer forma. Escritores, em sua imaginação, foram sempre seres sensuais, em seu jeito de ser — os dedos longos pelas teclas. Ela quase podia ouvi-las. Tec-tec-tec, plim!

Estaria escrevendo um romance?

Um poema?

Um conto ou crônica? — pouco lhe importava, na verdade. Ela se esticava sobre o peitoril da janela, sorridente, as mãos apoiavam o queixo.

E se ele a visse?

Não. Estava tão compenetrado em sua tarefa, os óculos redondos pendendo acima da ponta de seu nariz. Vestia uma camisa de botões xadrez, de mangas compridas — e além daquilo, mal podia ver o restante.

A folha chegara ao fim. Mike olhou para o lado, para a janela e finalmente a viu.

Rose ficou tão vermelha quanto a flor que lhe dava seu nome — ela sorriu como uma garotinha pega no flagra, as bochechas rubras.

Observou Mike sorrindo-lhe de volta e viu-o erguer-se, indo até o outro quarto — era o que havia pensado. O homem voltou com um pacote novo de folhas e, ao que parecia, uma caneta hidrográfica — daquelas de pontas grossas.

Rabiscou algo no papel, apoiando-o no vidro da janela e abriu-a. Mostrou-lhe o papel.

Podia lê-lo com certa dificuldade, mas a letra de Mike ajudava um tanto.

“Olá!” — havia escrito no papel, letras maiúsculas e legíveis.

Está falando comigo…

Ela pediu para que ele esperasse um pouco.

Correu pelos corredores de seu pequeno apartamento, à procura de papéis e caneta. Achando-os, respondeu-lhe com outro “olá! Como vai você?

Vou bem, e você?

Bem!

Que bom!” — ele expressou uma cara risonha, fazendo-a gargalhar.

Alguns segundos se passaram — uns trinta — e ela pegou outro papel, escrevendo uma pergunta.

Você escreve?

Sim!

Poderia ler?

Um minuto” — ele a deixou sozinha por algum tempo. Rose permanecia sobre o peitoril, esperando-o. Como faria para mostrar-lhe o que havia escrito?

Ela imaginava uma possível maneira quando ele apareceu novamente na janela. Rose ergueu-se do peitoril e percebeu o que ele tinha em mãos: o papel em que havia escrito algo, dobrado em formato de avião. Ele mirou e o papel cruzou o rosto de Rose, caindo sobre seu tapete. Ela sorriu, agradecendo, e apanhou o papel. Desdobrou-o; não era um poema, nem poderia dizer se era conto, crônica ou algum romance. Pediu um tempo e pôs-se a ler.

Os flocos de nevem caíam em redemoinhos, acertando o chão úmido de inverno em cheio. Londres estava quieta como uma escola tradicional em tempos de provas; o vento serpenteava os prédios ao redor. Era tão tarde, e tão escuro; as parcas luzes dos postes iluminavam o caminho, e o amarelo baço que iluminava sua sala ajudava-o a perceber a construção frente à sua; um imóvel de cinco andares. A janela de madeira escura e envelhecida do quarto andar era o que mais lhe fascinava em todo prédio — não a janela, o que estava além dela. O castanho-claro dos olhos luminosos e oscilantes, o rosado dos lábios que deveriam ser cálidos como labaredas, cândidos e inebriantes como hidromel. Os fios que beiravam ao ouro — maciço poderia ser seu toque na pele, cheirariam como rosas? Não poderia haver outra flor tão adequada! — e acentuavam sua face e seus traços marcantes; o nariz um tanto afilado e um sorriso apaixonante. Na primeira vez que a viu, sentiu-se novo novamente — as ondas de calor invadindo seu corpo, formando arrepios dos pés à cabeça, eriçando todos os pelos de seu corpo, fazendo com que borboletas voassem, felizes, em seu estômago. E passou a observá-la, o sentimento tornando-se maior a cada dia. Estava apaixonado, como nunca o fora em sua vida — ela era a luz na escuridão de seus pensamentos, o adormecer à fantasia, o acordar à razão; ela era tudo. E quando ela o percebeu? Ó deuses, o melhor dia de sua vida — correspondera-lhe com um sorriso de anjo, fê-lo sentir-se o homem mais adorado do mundo. E agora ela também o olhava, ele sentia a moça fitá-lo com delicadeza do outro lado. Ele sonhava se um dia ouviria sua voz. Se um dia sentiria aqueles lábios sobre os dele… Ah, e as borboletas voavam e voavam…

E ela era bela. Bela…

Rose sorria como uma tola — sorria e chorava. Era uma declaração! Que outro homem poderia fazer algo como aquilo? Don era um estúpido; nunca dissera-lhe sequer um eu te amo!

Levantou-se, convicta. Escreveu algumas palavras no papel e colocou-o no bolso. Calçou os sapatos e vestiu um grosso casaco. Saiu de seu apartamento, descendo as escadas rapidamente, sorrindo ainda, pensando no que faria a seguir — as pessoas precisam de loucuras para viver. As pessoas precisam delas para serem felizes e se arriscarem. Para serem felizes!

Estava frio do lado de fora. Ela caminhou ainda mais rápido até o prédio vizinho. Adentrou-o, marchando sobre os degraus das escadas.

Quarto andar, número 42.

Quarto andar, número 42. Michael.

Quarto andar, número 42. Michael. Ou Mike. Como preferir…

Mike…

 

 

Ela havia deixado-o ali. Saíra do quarto e não respondeu ao que ele havia lhe enviado. Sentiu-se, primeiramente, desapontado. Mas não poderia prever o que ela fora fazer — talvez fosse buscar outro papel. Uma caneta. Ou até mesmo poderia ter ido ao banheiro.

Michael sentia seus dedos tremerem. Mandara-lhe aquele texto. Não era o que estava escrevendo — o que escrevia era um artigo ao jornal local daquele condado. O que teria pensado? Teria compreendido? — era óbvia que havia compreendido. Era tão claro o que havia escrito, ela tinha de ter entendido…

Sentou-se na cadeira frente a maquina de escrever, afastando-se da janela. Bebericou o café quente que havia servido há pouco e sentiu-se novamente desapontado.

Seria sua escrita assim tão ruim?

Não poderia.

Onde haveria ido?

Ó, deuses. Fiz algo de errado? Por quê?

Pensava em ir até a janela outra vez quando a campainha tocou.

Ele caminhou até a porta e a abriu — deparou-se com ela. Com Rose — ou Rosie, como preferir.

Ele sorriu, e ela também, sem jeito — notou que puxou um papel do bolso. Desdobrou-o, mostrando-lhe, a certa distância.

Estava escrito:

“Fica comigo, observador?

Michael riu. Procurou um papel à mesa.

Sim!

Rose deixou o papel cair ao chão e colocou-se à ponta dos pés, entrelaçando o pescoço de Michael com seus braços e beijando-o da forma mais amorosa e apaixonada que já havia beijado um homem.

Michael o fazia da mesma maneira, mais forte, mais apaixonado ainda.

Ela tinha o gosto do paraíso, e os lábios eram de textura surreal — onde ele estava? Fora ao Céu, e nem notara?

Seu toque. Seu corpo. Seus lábios e seu cheiro.

Ela era incrível!

Sua boca. Seus olhos. Seu abraço e sua paixão.

Ele era a promessa de um amor!

Recostaram-se à parede e beijaram-se por longos minutos; toques libidinosos, mãos lascivas.

Tudo era intenso — o momento mais intenso de suas vidas. A coisa mais bonita que já havia acontecido no mundo. Não sabiam seus nomes por inteiro, nem ao menos haviam já ouvido a voz um do outro. Aquilo era fascinante.

Dia vinte e três de dezembro; os sinos já estavam prontos para tocar e a neve caía sobre as ruas.

Premiere. Ou não. Enfim. É uma bosta de qualquer forma essa fic…

Atendendo aos inúmeros pedidos (NOT) de mais posts, decidi postar uma fic antiguinha minha, só para o entretenimento dos meus vários (HAHA, NÃO!) leitores!

Eis-la:

1

Keira olhava para o público ao redor. Os fotógrafos estavam lá, junto aos fãs e repórteres. Ela apenas não notava que estava sendo observada por mais uma pessoa, em especial.

James segurava sua mão fortemente. Ele, ao invés dela, havia notado Johnny Depp fitando-a intensamente, parecendo não se importar com as outras pessoas ao redor. Bem, Vanessa não estava ali.

Keira sorria quando James a puxou para mais perto, o que causou uma breve irritação em Johnny, porém, nada muito demorado. Ele sabia que se expusesse suas emoções ali, tudo daria errado. Tudo.

James sussurrou algo no ouvido de Keira. Johnny deu alguns passos, chegando perto da grade de segurança a alguns centímetros do tapete vermelho que haviam jogado no chão. Esfrie a cabeça, Depp, pensou, autografando o caderno de uma de suas fãs; a fã mais histérica, no mínimo, cogitou ao vê-la chorar e mandar-lhe um beijo. Ele deu um meio-sorriso, fingindo estar contente com a situação. Depois riu, seco, ao observar outras fãs atrás daquela. E o sorriso-falso que havia formado em seus lábios definitivamente desapareceu ao se virar e encarar James abraçando Keira e roubando-lhe um beijo.

Está fazendo isso para me provocar, não é?, disse Johnny, mentalmente. Provocando-me, Keira Knightley… Sabiamente. E depois riu.

Quando James se afastou, Keira o notou. Percebeu imediatamente que ele a observava, tão descarada e raivosamente quanto se podia notar; tão descarada e raivosamente, apenas com o olhar. Poderia até mesmo ver faíscas, ou eram apenas obras de sua fértil imaginação.

James puxava Keira pela mão, levando-a para dentro do salão onde iam começar a pré-estreia de Modernity.

Vamos, Keira!

Espere. Eu ainda não dei autógrafos!

Dê depois — James parou, olhando-a. — Não ouviu? Vamos logo.

Isso está me dando nos nervos!, Johnny pensava. Droga. Não posso nem socar a cara desse filho da puta. Estralou o maxilar e respirou fundo. Acalme-se. Você pode interferir… Civilizadamente. E ah, você pode sim socar as fuças desse filho da puta. Pode sim. E certamente socará se ele continuar agindo assim com a Keira. A sua amada Keira Knightley.

Johnny aproximou-se deles.

Cuhun — pigarreou, começando a falar. — James, dê um tempo a ela. Keira só quer ser um pouco atenciosa com o pessoal que está aqui, gritando e se matando por estar aqui. — Sorriu. — Acho que seria uma ótima recompensa, não? Algumas fotos, alguns minutos com o ídolo. Às vezes isso revigora uma pessoa e lhe dá até mesmo esperanças… — Que merda é essa, John? Esperanças? — Uh?

Não. Quero ir lá pra dentro, agora.

Mas… — Johnny se aproximou mais. — Acho que você realmente irá dar um tempo a ela — engrossou a voz, semicerrou os olhos e continuou, falando entre dentes. — Não é?

John, pare com isso. — Keira pôs-se entre eles. — Acalme-se. Sim, Jamesme dará um tempo, não é, querido? — Ela perguntou, tentando soar doce.

Sabe o que eu acho? — James riu secamente. — Que ele está se intrometendo na nossa vida!

Bem, dar palpites é se intrometer? — Johnny sorriu. — Eu apenas pensei que você a estivesse irritando. E de fato está.

Pare de se intrometer, Depp! Ouça bem o que estou falando…

Estou ouvindo, não sou surdo… — Suspirou. — Veja, sou míope, não cego… Muito menos surdo. Escuto muito bem. Aliás, escutei e vi o modo com que a tratou. Achei isso ridículo. Ela só quer dar uns autógrafos, é uma das funções de atores de verdade

O que quer dizer com isso? — James franziu o cenho.

O que você entendeu. Se entendeu, é claro.

Ora, não vão brigar aqui, vão? — Keira murmurou. — Pare com isso, James… Johnny, deixe ele. Não… Ele não fez por mal…

Não, ele fez sim. — Johnny a fitou, ternamente. — Kei, ele está te irritando. Posso ver nos seus olhos que está…

Quanta doçura! — Disse James. — Parem os dois com isso. Estou farto! Vamos AGORA, Keira, lá pra dentro!

Johnny fechou os olhos e respirou profundamente. Abriu-os em poucos segundos, fechando a mão direita em punho.

Não, Johnny, fique calmo! — Keira segurou-lhe o braço. — Calmo! Por favor… — Deslizou a mão por seu braço, acariciando-o, tentando acalmá-lo.

Keira! — Começou ele, com expressão perplexa. — Ele está… te humilhando! Ora! Não, não peça para que eu fique calmo, porque eu definitivamente não vou ficar!

Não é isso — ela sussurrou. — Não vê que estamos cercados de fotógrafos?

Foda-se! — Exclamou ele. — Fodam-se os fotógrafos, Keira. James está te tratando mal. E isso não é bom. Eu não gosto disso.

Vamos agora, Keira. Agora. — James agarrou-lhe o braço direito. — Escutou? Vou ter que arrastá-la?

Johnny fitou-a nos olhos. Não se rebaixe assim, amor. Você não é assim. Nunca se rebaixaria dessa forma…

Eu… — Olhou para James. Logo depois para Johnny. Resoluta, respondeu, soltando-se da mão de James e aproximando-se de Johnny. — Não quero ir, James. Não preciso te obedecer. Aliás, ninguém manda em mim…

Deve estar brincando… — Ele começou a rir. — Você é louquinha por mim — riu mais alto. — E está dando ouvidos a quem mesmo? Ao Depp! Ora, ontem você disse que ele era insuportável…

Não, eu não disse isso.

Johnny riu. Entendeu perfeitamente o significado de insuportável.

Claro que sou insuportável, sorriu, pensativo, ainda mais se estou sobre ela. Insuportável, não é? Quem me suportaria? Quase oitenta quilos sobre um corpo. Ninguém.

Disse sim. — James olhou para Johnny. — Por que está rindo?

Nada. — Johnny respirou fundo. Coçou o nariz e tossiu. — Keira, pode dizer. Eu sei que sou insuportável… — Disse, quase ronronando, próximo ao seu ouvido.

Ora, John… — Ela sorriu. — Hey! Afaste-se um pouco.

Hunf. Quer ficar aqui? Fique, então.

Ora! Obrigada, James, por ser sensato uma vez em sua vida! — Keira disse, zombeteira. — Muito obrigada, aliás.

James virou-se, bufando. Entrou no salão onde seria iniciada a premiere, deixando-os lá fora.

Mmm… — Soou Johnny, bem próximo a ela.

O quê?

Você… Está usando Chanel Nº 5? — Ele sorriu, respirando fundo, inalando o aroma adocicado que vinha de Keira.

Estou sim… Por quê?

Adoro esse perfume.

Eu também — Voltou-se para ele, observando-o, quase comendo-o com o olhar. — Obrigada.

Por? — Johnny disse, apenas para ouvi-la dar-lhe a explicação.

Por ter me defendido. Na verdade, eu estava esperando você chegar.

Ainda temos que dar uns autógrafos e ir lá pra dentro — Ele fez um pequeno bico, falando em um tom de voz choroso. — Sabe, eu queria que isso passasse mais rápido… — Ficou cabisbaixo.

Se fizermos tudo isso rapidinho, passará, John. — Keira ergueu-lhe o rosto com o dedo indicador. — Não é?

Claro. — Ele sorriu outra vez. Virou levemente a cabeça para a esquerda, olhando em volta. — Bem… É melhor nos afastarmos agora, antes que comecem a desconfiar ainda mais.

Tem razão.

Johnny segurou sua mão antes que ela se afastasse completamente.

Sabe onde estou, não é? — Respirou fundo e olhou ao redor novamente. — Então… Apareça por lá depois da premiere. Quero… Festejar com você, em particular, o lançamento de Modernity.

Okay. Festejar o sucesso que será o filme, não é?

Sim. O grande sucesso…

Keira sentiu o polegar dele roçando na pele de sua mão. Voltou o olhar para Johnny, depois para sua própria mão, e notou-o acariciando-a. Um arrepio correu-lhe o braço.

Okay, John, afastar, agora — ela sorriu, puxando o braço delicadamente, dando alguns passos para trás. — Vou dar meus autógrafos. Acompanha-me?

Uhum. — Ele sorriu e esperou que ela saísse, seguindo-a logo depois.

Pararam frente às grades de proteção, sendo observados por olhos curiosos, olhos extremamente curiosos.

Algumas fãs de Johnny gritavam seu nome ou algo como “me coma” logo atrás das de Keira, que, depois de terem recebido seu autógrafo, começaram a gritar por ele também.

Helena e Tim estavam do outro lado. Tim sempre aparecia nas premieres dos filmes de Johnny, mesmo não gostando muito do gênero de Modernity.

Tim deu alguns passos até alcançar Johnny. Deu-lhe um “oi”, e olhou para as pessoas atrás das grades.

Está cheio, uh? — Disse ele. — Muito cheio, aliás.

Esqueceu que Robert Pattinson fez esse filme também? — Johnny riu. — Estão aqui mais por ele que pelo filme… Mas não é de se espantar.

Claro que não. Ele realmente brilha, não é mesmo?

Com certeza.

Mas veja só… Essas garotas estão gritando o teu nome, John. — Tim sorriu enquanto uma das pessoas ali no meio pedia para que ele assinasse uma camisa. — Espere — alcançou a camisa e a caneta hidrográfica. Rabiscou sua assinatura, uma dedicatória meio tosca e entregou a camisa à sua fã. — Pronto.

Devem estar gritando porque emagreci uns dez quilos e criei músculos aos quarenta e oito anos. Acho isso incrível. É incrível, porque eu nunca estaria disposto a ficar mais que quinze minutos fazendo abdominais ou correndo na esteira.

Vamos dizer que você está em bons tempos, amigo.

Ótimos.

Por quê? Por causa de seu físico bom? — Tim arqueou a sobrancelha esquerda.

Não exatamente. — Johnny acenou para algumas garotas e garotos. — Mas… — Começou a andar. — Eu fiz uma coisa quarta-feira.

O quê?

Vai saber depois.

Uh, que curioso — Tim arrumou os óculos, empurrando-os com o dedo indicador até que se encaixassem perfeitamente em seu nariz. — Não vai contar mesmo?

Não. Não agora. Aliás, acho que nem precisarei contar… Saberá de outra forma.

Mmm.

Até a pessoa mais importante dessa história não sabe.

Quanto mistério. E aposto que esse mistério é muito para o que você fez.

O que acha que fiz?

Bem… Se minha dedução for boa… Olhe… Vanessa não está aqui. — Olhou ao redor. — Então…

Oh. Se acha que é isso, tudo bem.

Não vai dizer se estou certo?

Não.

Você é um merda.

Sabe que estou acostumado com esses apelidos. Me surpreenderia se dissesse “você é um cavalheiro” ou “cara, você é muito legal!”…

Entendi. Isso não o afeta.

Em hipótese alguma me afetaria.

Hey, John, aqui — Keira chamou-o. — Estão implorando por uns autógrafos.

Bem — ele olhou para Tim. — Acho que tenho que fazer meu trabalho…

Vá, então. Não pelo seu trabalho. Sei muito bem o porquê de ir até lá.

Johnny sorriu e andou até onde Keira estava.

Estendeu a mão para pegar o caderno estilizado, com Mr. Bieber nas laterais. Olhou para Keira e mostrou o caderno. Ela deu uma risada e ele outra. Porém, logo depois assinou, riscando o Bieber e colocando Stupid. Fez um pequeno cavanhaque na figura do garoto ao lado do agora Mr. Stupid e entregou o caderno à sua dona.

Pegou a mão de Keira e direcionou-se à porta do salão onde estava um grande telão para a exibição de Modernity.

As pessoas apenas os observavam. Murmurinhos vindos do fundo se dispersavam, chegando às pessoas da frente, próximas — na verdade, coladas — às grades de proteção.

Nada mais que murmurinhos.

Contudo, murmurinhos que ele pôde ouvir e murmurinhos que fizeram-no contente.

Muito contente.

2

Os assentos estão marcados, Johnny ouviu o homem da produção do evento dizer a todos.

Keira soltou sua mão quando entraram no salão.

Encontraram uma ampla sala — claro, um salão —, com umas duzentas poltronas reclináveis, de estofamento bege. Ao lado de cada uma havia uma garrafa de 600ml Coca Cola — ou Fanta ou Sprite —, uma das empresas que havia patrocinado o filme; um grande pote de pipoca amanteigada; dois pacotes de M&M’s — um de chocolate ao leite e outro de amendoim —; guardanapos e canudos.

Johnny apenas ficou frustrado com os M&M’s. Adoraria substituí-los por pacotinhos de alguma balinha azeda ou marshmallows. Porém, gostara da garrafa de Coca Cola.

Por ironia — ou talvez por causa de David Frankel — Keira sentou-se ao seu lado. Estavam sentados na fileira do meio.

E, ao lado dela, James estava sentado. A cadeira ao lado de Johnny fora reservada para Vanessa, porém, como ela não estava junto com ele, Tim sentou-se ali.

James o fitava de soslaio. Pouco ele sabia que Johnny já o havia notado.

Minha percepção está incrível hoje, Sr. James. Nem tente algo, pensou.

Viu-o sussurrar algo para Keira, que sorriu forçadamente.

Vai começar!, berrou o homem da produção do palco onde estava o telão.

Todos ficaram calados.

As luzes se apagaram e as imagens começaram a ser projetadas no telão.

Primeiro o símbolo dourado da Warner Bros., depois a introdução.

Diariamente vemos notícias sobre o quanto o mundo muda a cada segundo.

E de fato é rápido o quanto ele muda, sem que ao menos percebamos.

E, quando nos damos conta, a modernidade de uma era totalmente diferente da qual a gente nasce, toma conta de nossa planeta. Não importa como, mas toma.

Mas, ainda sim há pessoas, outrora adolescentes rebeldes, que viraram adultos conservadores, cheios de propósitos e ideais.

Adultos cheios de opções — que poderíamos encaixar como “preconceitos” —, deveras diferentes da modernidade que nos ronda hoje em dia”, começou a narrativa do personagem de Johnny.

Os preconceitos são tantos…

São tão perceptíveis.

Basta parar para observar.

Com a modernidade veio a má aceitação dela. Porém, devemos refletir sobre ela para podermos aceitá-la.

Não bastar dizer que não é preconceituoso sem antes refletir sobre o que é ser preconceituoso e sobre o que pode sofrer preconceito”.

Johnny recostou-se à poltrona reclinável, refletindo sobre as palavras que ele próprio narrara.

E não importa quantas pessoas entrem neste ônibus — não importa para onde elas vão —, o que importa é que todas sofrem do fenômeno da modernidade. Sem exceções.

Aquelas que seguem a modernidade.

Aquelas que são neutras.

Aquelas que não estão nem aí.

Os adultos outrora adolescentes rebeldes.

Os adolescentes outrora crianças felizes.

A mãe que carrega o filho no colo.

O pai que vai ao trabalho.

Todos, sem exceções, estão dentro da real Era Moderna: hoje”.

Sua mão escorregou do braço da poltrona e encontrou a de Keira ao seu lado. Apertou-a fortemente.

Agora ele sabia que ninguém os vira. Estava escuro demais para que percebessem quaisquer movimentos.

Entretanto, estava feliz em poder segurar a mão dela, vendo um dos filmes em que mais gostara de atuar.

3

Johnny saíra para fumar quando o filme estava quase na metade.

Havia um jardim nos fundos do prédio, com uma piscina, balanços, árvores e anões de cerâmica.

Ele sentou num dos balanços, pegando um L&M do bolso e um isqueiro. Acendeu-o e tragou lentamente.

Por mais que tentasse parar, não conseguia. O cigarro o acalmava e dava-lhe um prazer indescritível.

Ao menos não usava — não mais — drogas, e aquela era a única da qual não conseguia largar.

Sentiu-se levemente culpado, porém, a culpa logo se foi ao que deu a terceira ou quarta tragada, soltando a fumaça, observando o céu, enxergando as estrelas ao longe — agora embaçadas, já que estava sem seus óculos.

Apalpou o bolso do casaco e tirou-os. Colocou-os, vendo tudo mais nítido.

O Ray Ban marrom-e-bege deu um tom mais sério à sua face, além de ter delineado bem seu nariz.

Estão todos impressionados com o filme. — Soou a voz de Keira atrás dele.

Johnny sorriu.

Que bom.

Ela sentou-se no balanço ao seu lado, apanhando o isqueiro de sua mão e acendendo um cigarro também.

Vejo que nenhum de nós conseguiu parar com isso. — Keira riu. — Não sei se um dia pararei.

Precisará parar quando ficar grávida. — Olhou-a seriamente. — Ou fará mal ao bebê.

Sei disto. — Keira levou o cigarro à boca. — Tanto quanto qualquer um. — Tragou.

Ela ficou pensativa por um momento. Começou a sorrir, sem motivo aparente. Johnny deduziu, então, que ela entendera o “quando ficar grávida”.

Quando eu ficar grávida, quero que o filho seja seu.

E de quem mais seria? — Ele riu. — Quanto tempo ainda pretende ficar com o James? Espero que não muito.

O tempo que precisar.

Bem, não será muito tempo.

Oh.

É sério. — Terminando o cigarro, jogou-o na lata de lixo ao lado dos balanços. — Acredite em mim

Só acho que já esperei um pouco demais. — Keira também jogou o cigarro na lata de lixo. — Não acha o mesmo? Estou farta de ver o tempo passar e nada mudar. — Levantou-se, caminhando um pouco. Parou frente a ele, olhando-o docemente. — Mas sei que um dia serei plenamente feliz.

Sente-se aqui. — Pediu ele, batendo na própria perna direita.

Keira sentou-se em seu colo.

Queria que soubesse que é plenamente amada. Não importa o que digam, apenas peço que acredite no que eu sinto.

Acha que não acredito? Posso ver nos seus olhos. — Tirou-lhe os óculos, colocando-os sobre o outro balanço. Logo após beijou-lhe a ponta do nariz.

Johnny sorriu, semicerrando os olhos.

Ergueu o rosto e beijou-a delicadamente nos lábios. Depois aprofundou o beijo, introduzindo sua língua docemente na boca de Keira.

Ela suspirou e puxou-o para si. Pouco importou-se com o homem que cortava os galhos de algumas árvores e limpava a grama logo depois. Apenas sentia falta de Johnny.

Senti sua falta, garota. — Ele sussurrou em seu ouvido. — E apesar de querer rasgar esse vestido, não posso. Não agora.

Deixarei rasgá-lo mais tarde.

Em meu apartamento, não?

Só vou ter que arranjar uma desculpa para o James não encher meu saco.

E que tal ir sem desculpas?

Como?

Fale: “Vou ao apartamento do Johnny. Não pergunte por quê. Apenas vou”.

E ele me dá um tapa na cara, claro.

Se ele encostar o dedo mindinho do pé em você, me chame. Certamente adorarei quebrar a cara desse filho da puta. E você sabe o quanto quero fazer isso, desde aquela vez que ele deixou aquele roxo no seu braço. Oh, Keira, você é muito boa.

Não queria nenhum escândalo.

Foda-se o escândalo quando um homem machuca a mulher que amo.

O homem que cortava os galhos das árvores parou apenas para observá-los.

Ele está…

Dane-se. — Respondeu Johnny. — Deixe ele sair e contar a todos. Também estou farto de esperar, Keira.

Johnny!

É. Farto.

Então por que não entramos lá de mãos dadas?

Por mim, tudo bem.

O homem sorriu, pensando, oras, dou meu salário que esse cara não faz isso!

Johnny pareceu ler seus pensamentos.

Levante-se — ordenou ele, logo após fazendo o mesmo. Pegou a mão de Keira e puxou-a para mais perto. — Vamos entrar de mãos dadas, então.

Johnny…

Não importa-se, importa?

Oh, não. Penso só o que James dirá.

Diga ele o que quiser. Minha mão certamente se fechará em punho caso ele tente fazer qualquer coisa.

Está me impressionando esta noite.

A impressionarei o restante da noite também. E espero que goste das surpresas que a aguardam.

Se forem como esta, adorarei.

Ainda bem que não apostei, sussurrou o homem que cortava os galhos das árvores.

4

Na verdade, quase ninguém os notara entrando de mãos dadas no salão — e os que notaram pouco se importaram. Pareciam de fato saber o motivo das mãos dadas ou já sabiam o que aconteceu anteriormente àquilo.

Johnny notou Tim sussurrar algo para Helena, que virou-se, sorrindo. Ele notou também a poltrona vazia de James.

Ora, começou ele, mentalmente, quando quero que esse filho da mãe veja o que fazemos, ele não está para assistir!

Keira suspirou, parecendo aliviada.

Então ela realmente estava com medo de algo acontecer. Mas por quê? Ele estava ali. Proteger-lhe-ia de qualquer coisa e, lá dentro, não havia paparazzi — ou ao menos era o que ele pensava.

Mandaria se foder se visse algum.

Quando sentou-se em sua poltrona, Tim olhou-o, sorridente.

Onde o James está? — Johnny perguntou.

Acho que foi ao banheiro. Algo do tipo. Ele saiu quando uma cena de sexo começou, sua e de Keira. Se bem que nesse filme só tem cenas de sexo suas e de Keira. — Ele riu, roucamente. — Aliás, acho que foi por isso que ele saiu.

Entendi.

Queria que ele visse? — Perguntou Tim, referindo-se ao fato de Johnny ter entrado no salão de mãos dadas com Keira.

Ah, queria. E muito. Não sabe o quanto… Mas deixe para lá. Dará certo mais tarde. Acho que 30% das pessoas que estão aqui viram. 25% delas comentarão… E desses 25, 15% irá falar na mídia. Então, tudo bem.

Quer mesmo fazer desse jeito?

Sou americano, Tim. E na América, todos são livres. — Então sorriu.

5

O filme acabou às 23h32min.

O salão ficou completamente vazio por volta de 23h45min.

James não voltara desde que saíra e Keira continuava esperando-o, do lado de fora do salão, com Johnny ao seu lado.

Ele sussurrara algo como “acho que ele está com problemas intestinais”, o que a fez realmente rir. Os dois riram por um tempo.

Não havia quase ninguém do lado de fora; alguns fãs e fotógrafos, mas nada demais.

E não apenas Keira estranhava o desaparecimento repentino de James, Johnny também achava aquilo estranho.

Não que já não estivesse acostumado com as esquisitices de James, porém, ele deixara Keira sozinha, algo que nunca faria.

Então a tese sobre problemas intestinais poderia, sim, ser verdadeira.

Mas nada nas expressões faciais de James o denunciaria; não importava como ele as fazia, para Johnny, sempre estava com cara de alguém que está tendo cólicas renais e intestinais ao mesmo tempo.

Seu irmão falaria que James tem cara de cu, enquanto sua irmã diria que apenas cara de quem chupou limão.

E John Christopher I diria: “Junte tudo isso e coloque num liquidificador. Fará a mistura da pessoa que mais detesta neste mundo”.

Johnny emitiu um riso e Keira passou a observá-lo, pensando no motivo daquele riso.

Por que está rindo?

Lembrei-me de algo que meu pai diria. Nada muito importante.

O que seu pai diria?

Você precisaria conhecê-lo para entender… — Suspirou. — Bem, se… Você juntar uma pessoa com cara de cu e com cara de quem chupou limão e colocar essas coisas num liquidificador, logo terá a mistura da pessoa que mais detesta neste mundo. — Disse, em tom sério, a sobrancelha esquerda erguida de forma peculiar.

Ele se moveu e uma mecha de seu cabelo caiu sobre seus óculos; ao longe observou o dito James saindo do prédio.

Olhe lá. Parece que ele finalmente desocupou o banheiro masculino… Ou o feminino. — Sussurrou as últimas palavras, já que James estava próximo o bastante para escutá-las.

Agora estava.

Vamos Keira? — Perguntou James.

Johnny a observou por um instante; no olhar, uma ponta de “por favor, eu imploro que faça o que pedi”, enquanto respirava pesadamente. Virou-se e encarou James.

Não.

O quê? — James indagou, a voz afinando estranhamente. Em um tom agudo, continuou: — De que raios está falando?

Johnny sabia que se James se atravesse a dar um passo ou fechar a mão em punho, a sua estaria fechada trinta segundos antes, ou mais; e então lhe daria um belo soco no nariz. Certamente o quebraria. Essa era uma das vantagens de começar a praticar Boxe.

Eu… Vou para o apartamento de Johnny. Não pergunte por quê. Eu vou.

Mas que merda é essa agora?

Você… me tratou tão mal hoje… James, quero um tempo.

E então vai para o apartamento do Depp, como se não tivesse uma porra de um tostão no bolso? — James riu, zombeteiro. — “Oh meu Deus. Eu vou dar um tempo no meu re-la-cio-na-men-to e vou pra casa do Depp!!” — Berrou.

Cara, você tomou chá de cogumelos? — Perguntou Johnny. — Sinceramente, nunca vi um homem tão louco assim desde que vi um amigo tomando chá de cogumelos. — Disse ele, calma e seriamente.

Não, merda! Eu não estava tomando chá de cogumelos!

Então pare de agir feito um bocó! Parece uma criança de cinco anos que perdeu um doce no parque! — Johnny sorriu, olhando-o. — Olhe para si mesmo, James… Veja como grita feito uma menininha louca! Não estou sendo sarcástico — okay, posso até estar —, mas… Pare e reflita sobre o que você está fazendo. Keira lhe deu uma razão para o tempo. Não tem que lhe dar razões sobre o porquê de ir ao meu apartamento.

Você simplesmente estragou a minha vida. — Soou James, rancoroso. — Simplesmente estragou!

Quero que saiba que eu já estava antes na vida dela. Não importa o que diga; o que ela e eu temos em comum começou antes da sua patética introdução na vida de Keira Knightley.

James calou-se por um momento, não mais que alguns segundos.

Dá-se por vencido, não? — Perguntou a Johnny.

Keira apenas os observava.

Vencido no quê? — Johnny respirou fundo. — Nunca notou que não lutei em nada? Você é que vive em um mundinho onde acha que todos que não vão com a sua cara então lutando contra você. Eu nunca lutei. Nunca fiz nada. Não é minha culpa se você é incapaz de fazer a mulher que ama feliz. Isso se realmente ama ou a tem apenas como mais um troféu para pôr na estante; bem, se tiver mais troféus na estante… — Johnny virou-se para o lado, olhando para longe. Depois, continuou: — Logo, Keira é uma das coisas importantes que você acha que tem; porém, as pessoas não pertencem às outras. Não pertencem a ninguém. James, apenas amadureça ou tente compreender o sentido das coisas que estou lhe dizendo. Não aja como uma criança mimada.

Keira aproximou-se. Enlaçou sua mão na de Johnny e disse:

Espero que compreenda.

Não peça uma coisa dessas. — Ele sorriu. Virou-se e começou a andar até o estacionamento.

Ela apoiou-se em Johnny, enterrando a face em seu ombro enquanto ele a abraça pela cintura.

Acha que foi o certo a se fazer? — Murmurou ela, sua voz saindo levemente abafada.

Apenas peço que não se sinta mal por isso. — Johnny a beijou na testa. — Acabaram os dias e noites de tormenta, amor.

E foda-se todo o resto? — Ela sorriu.

E foda-se todo o resto! — Assentiu ele.

6

Johnny fechou a porta do apartamento — localizado próximo a Knightsbridge — e colocou as chaves sobre um móvel de madeira de sândalo.

Keira disse algo como preciso tirar essas sandálias e lançou-as ao ar, alegremente.

Jogou-se num dos sofás marrons da sala e apanhou um controle remoto.

Johnny a observava enquanto desabotoava o blazer e tirava os sapatos. Desabotoou a camisa também e colocou-a junto com o blazer sobre a poltrona próxima do sofá onde Keira estava.

Ele mal podia entender o real sentido de tudo aquilo. Tudo havia mudado em questão de horas; a sua vida dera voltas imensas e agora Keira Knightley estava deitada em seu sofá, livremente.

Ela jogou uma das almofadas cor de abóbora nele, sorrindo, chamando-lhe a atenção.

Bateu em um canto livre do sofá, convidando-o a deitar-se com ela.

Quando ele se aproximou, deitando-se sobre ela, Keira retirou-lhe os óculos. Colocou-os sobre a mesinha central da sala e, logo após, percorreu as costas de Johnny com as mãos.

Músculos fortes e adoráveis — sussurrou ela em seu ouvido.

Johnny riu e beijou-a docemente.

Olhou para a televisão com ar de indiferença.

Clipes da MTV? — Sorriu. — Não há nada mais tedioso para ver?

Estão falando sobre Justin Bieber no canal 27.

Falei tedioso, não algo que me deixe realmente revoltado.

E se desligássemos a TV e nos concentrássemos apenas em nós?

Foi uma das melhores ideias que já teve, senhorita Knightley. — Johnny riu.

O que foi?

Mal posso esperar para chamá-la de “Sra. Depp”. Não sabe o quanto.

E não vai ficar feio?

Não.

Era essa a desculpa que dava à Vanessa!

Eu sei! — Ele riu. — Mas não. Quero realmente poder chamá-la de Sra. Depp. E espero que queira também.

Isto foi um pedido de casamento, senhor Depp?

Entenda como quiser. — Murmurou ele, em voz aveludada.

E se eu entender isso como um pedido de “abra as pernas”?

Pode ser também. Isso e o pedido de casamento…

Vou pensar no seu caso.

Espero que não demore. Ao menos para decidir se aceita o de “abra as pernas”…!

Seu maníaco sexual! — Esbofeteou-lhe o ombro esquerdo, rindo.

O quê? Foi você quem pensou besteira! Sua maliciosa! — Ele parou de falar por algum tempo. — E então, aceitou ou não o de “abra as pernas”?

Maníaco sexual — sussurrou ela, em um tom de voz arrastado e sedutor.

Maliciosa. — Falou ele, do mesmo modo que ela.

Johnny ergueu-se um pouco e alcançou o controle remoto. Desligou a televisão e jogou o controle no chão. Levantou-se, estendendo o braço à Keira, que pegou sua mão.

Andaram até o quarto — que ele deixara levemente bagunçado —, de mãos dadas, calados.

As palavras dois meses piscavam freneticamente na mente de Johnny, com letras verde-neon-chamuscadas. Então algo murmurou em tom grave: finalmente.

Johnny abriu a porta do quarto e parou Keira antes que ela o adentrasse.

Pegou-a no colo; ouviu o grito agudo de surpresa que ela emitiu e sorriu.

Ela o olhava com estranha fascinação; algo em seus olhos brilhava tão intensamente, fazendo com que a respiração dele parasse por um instante.

Johnny sabia que ela o amava. Bastava olhar em seus olhos; não olhar, mas buscar a resposta daquilo que procura; aprofundar-se no castanho-claro até perder-se.

Ele adorava fazer aquilo. Adorava tê-la nos braços daquela forma, aconchegando-a a ele, a mais ninguém. E mais do que qualquer um, ele sabia que ela também gostava.

Sabia que Keira sentia-se plena ao seu lado — assim como ele também se sentia ao lado dela.

Está realmente me surpreendendo esta noite — disse ela. — Mais do que em qualquer noite.

Mais do que na noite da nossa primeira vez?

Um pouco mais. Não tanto, mas sim: um pouco mais.

Ela suspirou quando ele a colocou sobre a cama. Soltou o ar de seus pulmões enquanto o observava tirar o cinto e jogá-lo em qualquer lugar.

Eu já disse que você está extremamente sexy? — Ela ergueu uma de suas pernas, colocando seu pé sobre o peito de Johnny.

Ainda não… — Ele afastou a perna de Keira para o lado, encaixando-a em sua cintura. Inclinou-se, apoiando-se com as mãos no colchão. — Já disse que você é a mulher mais linda do mundo?

Há meia hora.

Não se importa se eu disser de novo?

Claro que não… Por mim, pode dizer mil vezes, uma atrás da outra. — Exibiu um largo sorriso e enlaçou-o pelo pescoço. — Adoro ouvir o som dessas palavras quando você as diz. Principalmente quando fala nesse tom rouco… Grave, meio sexy…

Mmm. Se quiser posso te chamar de cachorra safada e dar um tapa na sua bunda.

Como se isso fosse extremamente sexy.

Algumas mulheres são masoquistas.

E putas.

Oh, claro… Sua cachorra safada…! — Ergueu a mão um pouco, porém, foi interrompido por Keira.

Johnny Depp, não ouse bater na minha bunda… Ou você nunca mais poderá ter filhos.

Estava apenas brincando, senhorita Não Tenho Senso de Humor.

Estava apenas brincando… Ah, Johnny, por favor… Se quer uma vagabunda, procure a Jolie. Não tente me espancar.

Oh, vejam só, ela está com ciúme! — Ele brincou com o nariz dela, passando a ponta de seu dedo indicador sobre ele.

Você está me irritando…

Ah! É mesmo? Eu sou irritante, amor. Achei que já tinha se acostumado…

Quando você começa a falar, não cala a boca. Pensei que íamos transar e dormir abraçados… Mas não. Vamos trocar essa merda de conversa fiada sobre mulheres masoquistas e sobre o quanto não tenho senso de humor.

Podemos transar e falar disso ao mesmo tempo.

Você mal dá conta de transar… — Keira começou a rir, zombeteiramente.

Ah… Mal dou conta? Será que tenho que lembrar que na última vez você pediu, a Deus, misericórdia? E eu não dou conta? Se desse, você teria um enfarte.

É, pedi mesmo. Quero pedir misericórdia esta noite também. E eu devo lembrar que daqui um ano e meio você fará cinquenta anos… E sei lá… Poderei pedir misericórdia outra vez? — Olhou-o seriamente, as sobrancelhas arqueadas, as mãos no rosto de Johnny.

Johnny inclinou-se pouco a pouco, até quase colar seus lábios na orelha de Keira, sussurrando roucamente:

Você quer é levar uns bons tabefes na bunda.

Ora. Faça-me pedir misericórdia. — Murmurou ela, de volta.

Johnny se levantou, ficando de joelhos. Apanhou a bainha do vestido com as duas mãos e puxou-a, rasgando de fora a fora o vestido de seda.

Keira arregalou levemente os olhos, contudo, logo depois sorriu.

Vou fazer você gritar meu nome para toda a Londres ouvir, mulher.

Terminou de rasgar o vestido e jogou os dois pedaços de seda ao chão. Puxou-a pelas pernas, deixando-a próxima de sua cintura. Inclinou-se, deu-lhe uma mordida no queixo enquanto deslizava as mãos pelas coxas de Keira, até chegar em seus pés.

Desceu os lábios pela base de sua garganta, sugando a pele acetinada, mordendo e lambendo, notando os dedos de Keira cravados em seus ombros.

A abertura do sutiã dela ficava na frente. Tudo o que devia fazer era levantar um pouco o botão e logo teria os seios dela em suas mãos, contudo, optou por puxá-lo, quebrar a abertura e fazer o botão voar para longe dali.

Keira o observava, os lábios semicerrados, a respiração ofegante.

Johnny deslizou o sutiã pelos braços dela, enquanto osculava-lhe a pele sofregamente.

Roçava os lábios em sua pele tortuosamente, ouvindo-a gemer, satisfeito.

Quando finalmente jogou-o ao ar — para algum lugar do quarto semi-iluminado —, sugou-lhe os seios, alternando entre os mamilos rosados, enquanto fechava os próprios olhos e sentia a pressão aumentar dentro de suas calças.

Rodeava-lhe a aréola do mamilo com a língua, umedecendo-a. Logo após colocava-o entre os lábios e os comprimia, friccionando-os levemente.

Durante o tempo em que Johnny o fazia, Keira afagava-lhe os cabelos da nuca, enrolando os fios nos próprios dedos; seus olhos estavam fechados, tinha noção apenas da boca de Johnny em seu mamilo direito e dos próprios suspiros e gemidos que deixava escapar de seus lábios.

Deixava sua respiração anelante roçar próxima à orelha de Johnny; fazia-o exprimir o som melancólico de prazer proveniente de sua garganta; sentia-o excitado enquanto ele roçava os quadris nos dela, o que aumentava a agora constante palpitação entre suas pernas.

Suas carícias faziam-na delirar, soltar murmurinhos cálidos e apaixonantes.

Ele se ergueu um pouco, apoiando-se com as mãos. Fitou-a intensamente, novamente inclinando-se, percorrendo as curvas da cintura e quadris de Keira com as mãos até alcançar a calcinha de renda azul, finíssima, detalhada por pequeninas rosas amarelas na parte da frente e um lacinho acima do ventre de Keira.

Johnny desatou os nós dados nas extremidades da calcinha e resvalou-a pelas pernas dela. Colocou-a suavemente no chão, ao lado da cama.

Iniciou, languidamente, uma trilha de beijos, desde o pé esquerdo de Keira até a parte interna de sua coxa.

Que doce, amor… Uma nova depilação em formato de

Eu sei. É um coração. — Ela riu. — Katie me convenceu a fazer isso… Por Deus, que vergonha… Eu nem sabia que íamos para cama hoje… Quer dizer, eu tinha uma leve suspeita, mas James decidiu vir comigo…

Ah, Kei, eu adorei.

S-sério?

Sim!

Estou morrendo de vergonha.

Ficou sexy, querida. — Olhou-a, sorrindo ternamente. — Não precisa ficar com vergonha. Keira, sou eu. Sou muito feio com roupas, e muito mais pelado! — Riu. — Então… Quem tem que ter vergonha aqui é eu. Homens são feios. Mulheres são lindas… Quer dizer, mulheres como você…

Johnny, cale a boca… E suba mais um pouco. Aliás, não te acho feio, com ou sem roupas…

Mesmo? — Disse, movimentando-se até ela, como um gato.

Uhum. — Segurou-lhe o rosto e beijou-o docemente.

Deslizou as mãos até o botão das calças de Johnny e abriu-a, deslizando a calça por suas pernas até que parassem nos joelhos dele.

Entreabriu os olhos e observou a cueca boxer verde-escuro, colada ao corpo dele. Parou de beijá-lo e levantou-se um pouco, fazendo-o erguer-se junto com ela.

Fê-lo fica de joelhos sobre a cama e começou a beijar-lhe o pescoço. Percorreu seu ombro direito com os lábios até alcançar a base de sua garganta, sugando-lhe a pele.

Johnny segurava-a com as mãos, colocando-as abaixo de suas costelas, esparramando seus dedos enquanto mantinha — ou ao menos tentava — a respiração um pouco calma.

Keira beijou-lhe o tórax, desceu os lábios até o abdômen e deu-lhe pequenas mordidas. Ouviu-o rir e, satisfeita, continuou a torturá-lo.

Enquanto ela o beijava, Johnny inclinava a cabeça, fitando-a, um meio sorriso nos lábios. Observava-a descer suas calças e logo após sua cueca, olhando-o, esboçando agora um largo sorriso.

Acho que agora ela tem certeza de que você vai fazê-la pedir misericórdia outra vez. Ah! E você vai. Não importa como, Johnny, você vai ouvi-la implorar misericórdia a Deus, pensava ele, ora sorrindo, ora trocando a cabeça de posição, colocando-a do lado contrário, sem deixar de olhá-la, pensativo.

Keira ergueu-se, ficando de joelhos, como ele.

Johnny trouxe-a para si, segurando-a pelos ombros. Puxou uma de suas pernas e colocou-a sobre a sua, entrelaçando-a acima dos próprios quadris.

Ele adorava aquela posição. Adorava-a porque gostava de ser comandado por ela, e aquela era uma das posições mais favoráveis às mulheres e aos homens: ela montaria e ele a contemplaria.

Extremamente excitante.

Recostou-se à cabeceira da cama, a cabeça pendendo para trás, os olhos marejados fixos em Keira, enquanto ela encaixava-se nele, segurando em seus ombros.

Johnny segurava os quadris dela e trazia-os para baixo, sentindo-se agora dentro dela.

Keira estava úmida, pôde notar ao penetrá-la facilmente por inteiro. Ouviu-a gemer — não como ele, que soltara um de seus gemidos contidos —, viu-a jogar lentamente a cabeça para trás e retroceder os quadris, logo após voltando, cerrando os lábios, ringindo os dentes.

Puxou-a, colando seus lábios no torso de Keira e sugando-lhe a pele álbida. Passou a beijá-la nos seios e de tempo em tempo sugar-lhe os mamilos, sentido o queixo de Keira sobre sua testa e a respiração descompassada e cálida.

Sugava-lhe os seios e estimulava-a com o polegar, fazendo movimentos circulares sobre seu clitóris. Johnny sabia que logo aquilo a enlouqueceria e que logo aqueles movimentos curtos e lentos se tornariam movimentos insuportáveis para ambos.

Keira levantou-lhe o queixo e beijou-o ardentemente. De fato o que Johnny fazia a enlouquecia e sabia o que ele queria: que ela pedisse misericórdia. Sabia também que não era difícil Johnny fazê-la pedir aquilo; bastava jogá-la numa cama, sussurrar algo sexy e romântico em seu ouvido, fazer todo o procedimento padrão e no final um belo “eu te amo”, murmurado em tom de veludo, próximo ao seu ouvido, quente em sua nuca.

Tudo aquilo poderia soar clichê, porém, algo em Johnny a atraía mais que o magnetismo em imãs. Nunca entendeu o porquê de todo este magnetismo, apenas sentia-o.

Johnny deixou seus lábios para beijar-lhe o pescoço.

Keira agarrou-se a ele. Segurando-o pelos cabelos, trouxe-o mais para si. Continuava movendo o próprio corpo, de cima para baixo, agora com celeridade. Johnny a ajudava; suas mãos não deixavam os quadris dela; puxavam-nos, erguiam-nos, faziam dos movimentos mais rápidos.

Ele deslizou um pouco, deitando-se na cama, ainda apoiando as mãos nos quadris de Keira.

Ela apoiou as mãos na cama, uma ao lado do ombro direito de Johnny e a outra próxima à sua décima ou décima primeira costela.

Voltou a beijá-lo, sentindo as mãos dele deslizar de seus quadris às suas nádegas, trazendo-as para baixo enquanto ele erguia os quadris.

Gotas de suor formavam-se em sua testa e rolavam por seu rosto. Viu também que as têmporas de Johnny estavam úmidas.

Inclinou-se e sugou-lhe o pescoço, ouvindo-o soltar um gemido curto, rouco. Estremeceu, voltou a sugar-lhe a pele e estremeceu outra vez, com um novo gemido.

A tensão dentro de si ficava mais forte à medida que Johnny descia e subia seus quadris mais rápido. Ela mal aguentava o próprio peso; os braços amoleciam e seus dedos se fechavam no edredom vermelho-e-branco.

Fechou os olhos, respirou profundamente e sentiu a onda de prazer perpassar seu corpo, dos pés à cabeça.

Gritou o nome de Johnny, jogou a cabeça para trás, cerrou ainda mais os olhos e desabou sobre ele, enquanto ele ainda continuava seus movimentos.

Ele continuou por, no máximo, 15 segundos, até que a ouviu gritar novamente:

Misericórdia! Por favor, meu Deus, misericórdia!

Johnny ergueu um pouco mais os quadris e urrou gravemente. Segurava-lhe as nádegas e desacelerava seus movimentos. Estava sem fôlego, respirava descompassadamente.

Subiu suas mãos até enrolá-las nos cabelos de Keira. Ergueu a cabeça e fitou-a, deitada sobre ele, a cabeça apoiada sobre seu peito. Ela mal piscava. Deixava um sorriso bobo e alegre nos lábios apenas para ele ver.

Ronronou feito uma gata quando ele a acariciou nas costas.

Mal consigo respirar — sussurrou ele. — Acho que quem deve pedir misericórdia é eu…

Ela continuou calada, sorrindo.

Você está bem? — Perguntou Johnny.

S-sim. — Fechou os olhos e enterrou a face em seu tórax. — Estou. E você ainda está dentro de mim.

Ah. — Ele riu. — Pronto. — Moveu-se um pouco. — Está bom agora?

Uhum.

Keira, você está realmente bem?

Estou nas nuvens.

Oh.

É sério.

E como está o passeio aí em cima, então?

Ela notou a ambiguidade.

Bem, não era difícil notá-la.

Está incrível. Logo pousaremos. Pretendo ir novamente ao céu, o mais rápido possível. A vista daqui é linda.

Johnny riu, rolou na cama e posicionou-se sobre ela; ou quase sobre ela: apoiava-se com o cotovelo esquerdo e o resto do corpo pendia sobre Keira.

Ele alisou-lhe a pele da cintura, correndo a mão até um dos seios; voltando depois, posicionando-a sobre o colchão.

Amo você. — Disse.

Adoro ouvi-lo dizer isso. Soa tão natural; é impossível não acreditar ou resistir… — Ergueu-se um pouco e beijou-o. — Aliás — notou os olhos dele abrindo-se lentamente e o meio sorriso surgindo em seus lábios. —… Seus olhos não podem mentir para mim.

E o que eles dizem? — Perguntou. Agora o meio sorriso tornara-se um completo; todos os dentes; os lábios curvados; expressão de alegria.

Dizem para eu acreditar em você. Dizem que você me ama, de verdade.

Como se sente quando eles dizem isso?

Plenamente feliz. Ou talvez… Completamente realizada. É… recíproco.

Que bom. — Beijou-lhe a testa.

Johnny deitou-se. Keira recostou-se a ele, apoiando sua cabeça em seu ombro esquerdo.

Fecharam os olhos. Em meio a uma respiração que voltava à normalidade, acabaram adormecendo.  



Tem mais um pouquinho. Mas fica por aí. (O resto é só baboseira de “pós-sexo”. Tipo… “café da manhã”, “oie, como passou a noite, xóxó?”… Enfim. XD)

Desculpem qualquer erro ortográfico/gramático/de digitação.

Franciele Ramos (a Ane).

Trecho

O silêncio era o dono da madrugada e o vento gélido era seu escravo.

O jardim parecia sonho inacabado ou perdido, com suas árvores podadas rusticamente, as flores que começavam a apodrecer e o cão que uivava sem destino certo, para a Lua, ou para qualquer outro satélite na grande Via Láctea; além dela; além de todas as galáxias.

Nem todas as flores apodreciam de fato; apenas algumas que ele não conseguia enxergar ou alcançar; nem o cão uivava sem destino.

Havia um motivo.

Solidão. A maculada solidão. Tão mal-vinda quanto a própria Morte e sua foice altamente cortante.

A nostalgia era imensa àquela hora da noite. Com um cigarro entre os lábios e o isqueiro de bronze antigo, recém-interposto em seu bolso — metade fora, metade dentro —, ele observava as estrelas rodopiarem no céu. Podia jurar estar ficando louco e achava ser tudo aquilo obra da maldita nostalgia.

E de fato era obra da nostalgia.

A não-afável nostalgia que dividia seu ser em partes desiguais. Que fazia-o chorar, delirante; que fazia-o gritar, febrilmente.

Sabia que não seria efêmera — a nostalgia — se continuasse ali.

Sentado na cadeira de balanço, tragando ferozmente o cigarro; melancolicamente fitando o jardim que, em sua imaginação pútrida, era o mais ordinário de todos.

O Jardim das Lembranças. Talvez boas recordações ou completamente o contrário.

Ele sentia a falta dela. Sentia a falta da menina — moça e mulher — que tornara seus sentimentos os mais sinceros de todos; que mexera em sua mente; que arrancara seu coração.

E agora entendia o próprio estado de decomposição psicológica; a sensação de estar desmoronando; de estar morrendo por dentro; de estar perdendo partes importantes de seu corpo e cérebro.

Ele sentia a falta dela.

Johnny nunca sentira-se tão só e tão mal quanto naquele momento.

Ele precisava de sua garota; ele precisava tê-la outra vez nos braços.

Keira tornou-se a razão de mais da metade de sua vida. E agora ele compreendia o porquê, mesmo que soubesse já há vários anos: ele a amava; a amava mais que a tudo; mais que a todos.

Ele sentia a falta dela.

*

 

 

Trecho de Nostalgia — Direitos reservados à autora, Franciele Ramos (a Ane).

Estas não são casas de veraneio…

Tudo estava em silêncio naquela madrugada. A brisa passava suave entre as casas e apenas o homem de olhos negros fitava o horizonte escuro à sua frente.

Sentado no antepenúltimo degrau de sua varanda fumava um de seus cigarros de palha calmamente, esperando, talvez, que a vida lhe desse o sinal de quando a morte chegaria, porém, nada mais que o vento frio lhe vinha como resposta.

Apenas o vento, o silêncio e a tranquilidade.

Logo, logo vinha a saudade, traiçoeira.

Sua menina devia estar longe. Foi embora com o noivo há um ano, deixando-o ali.

Sua menina era mais jovem, vinte e tantos anos… E talvez fosse esse o motivo por tê-lo abandonado.

O homem de olhos negro tinha 40.

Sua menina 18.

E naquele lugar, todos eram contra sua união. Porém, ele continuava sentado na varanda, agora olhando para as casas, ouvindo o bater das ondas nas pedras.

E aquelas não eram casas de veraneio. Nelas moravam os homens e mulheres da ilha.

A vila onde moravam era repleta de alegria. Apenas acalmava-se na madrugada, quando todos dormiam e somente ele continuava acordado, atento ao mar, à brisa, aos sons da noite, à esperança de ver sua menina outra vez.

E quando a visse, dar-lhe-ia o beijo mais doce e puro que poderia dar; o abraço mais apertado e sincero. Ficaria com ela o resto da noite e o dia que vinha a seguir. Ficaria com ela para todo o seu sempre.

Faria tudo isso quando sua menina voltasse ao lar.

E o homem de olhos negros esperava, sentado no antepenúltimo degrau de sua varanda.

Sweeney Todd e Elizabeth Wilmot – Fic da Ane

Aliás, Elizabeth Wilmot:

Lizzie Wilmot

Lizzie Wilmot - Keira Knightley (Tchá. Super sonho da Ane se o Tim tivesse adaptado Sweeney Todd do jeito que eu imagino e tivesse chamado a Keira. *___*)

Dedicado à Patrícia

Adaptação do filme de Tim Burton, “Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street”. Direitos originais reservados a Warner Bros.

Sweeney estava limpando sua navalha quando Elizabeth adentrou a barbearia. Trazia em mãos uma toalha, uma bucha e sabonete.

Fechou lentamente a porta; Sweeney ainda limpava atentamente a navalha. As mangas de sua camisa estavam sujas de sangue, assim como suas mãos e parte de seu rosto. Na calça, gotas espalhadas davam-na um tom mais avermelhado próximo à cintura.

Elizabeth colocou as coisas que carregava ao lado do baú onde Sweeney estava sentado, observando-o atentamente, calada. Apoiou-se em uma mesinha e continuou fitando-o. Passaram-se longos minutos, silenciosos, enquanto Sweeney lustrava sua navalha e nem ao menos a olhava. Notou um corte em uma das maçãs faciais dele. De certo, quando o cliente notou que Sweeney empunhava a navalha, tentou defender-se, atacando-o.

Elizabeth caminhou até a bacia com água, trazendo-a e colocando-a em cima do baú. Pegou um dos panos que também havia trazido e molhou-o. Parou frente a ele, empurrando a mão onde estava segurando a navalha, para baixo. Elizabeth não tinha medo de Sweeney. Ele era um homem comum, contudo, tinha seus problemas.

Ela fechou a navalha e pousou-a sobre a mesinha. Sweeney agora a observava, calado, sem fazer nenhum movimento. Elizabeth torceu o pano na bacia e trouxe-o até o rosto dele, limpando o corte que sangrava delicadamente, assim como o rosto sujo de sangue.

Sweeney deu um pequeno suspiro, algo semelhante a um gemido de dor. O corte não era tão grande, nem tão profundo, mas Elizabeth estava ciente de que doía muito. Empenhou-se, então, a limpá-lo e cuidá-lo tão delicada e suavemente pudesse.

Ela notou que Sweeney tinha a pele alva. Tão alva quanto a dela, ao mesmo tempo em que podia ver, claramente, os contornos masculinos de seu rosto. O maxilar rijo acentuava sua masculinidade, assim com o queixo. Seus lábios não eram grandes, nem pequenos, eram normais. Não havia muitas marcas de riso ou rugas em sua face. Apenas olheiras de noites mal dormidas, que Elizabeth podia imaginar bem, quando ele passara quinze anos na prisão. Não havia uma cama macia, comida de boa qualidade na prisão. Muito menos uma mulher que pudesse cuidá-lo.

Limpou o pano na bacia com água e torceu-o novamente. Desta vez, com o pano quase seco, enxugou-lhe o rosto.

 

- Está sujo, Mr. Todd. Merece um banho pelo dia, que suponho ter sido cansativo.

 

- Sim. Foi cansativo – disse em um fio de voz. – Pode preparar o banho para mim, Srta. Wilmot?

 

- Chame-me de Elizabeth, e o farei de bom grado.

 

- Pode prepará-lo, Elizabeth? – perguntou-lhe em tom frio. Então bufou.

 

- Claro, Mr. Todd – respondeu, com voz magoada. Sweeney era um homem difícil. Para lapidá-lo e alcançar seu coração, precisaria de muita força, bem ela sabia.

 

Pegou a toalha e o sabonete e dirigiu-se até uma porta, que dava para o quarto de Sweeney.

Lá dentro, encontrou uma cama com dossel, e uma grande banheira. Do outro lado, um fogão à lenha. O compartimento de lenha continha pedaços de madeira, então pegou um fósforo e riscou-o, incendiando a madeira. Encheu uma panela com água, e colocou-a sobre o fogão. Encheu mais uma e também a colocou a ferver.

Enquanto esperava a água ferver, limpava a banheira, que estava empoeirada. Pelo espelho na parede do quarto, podia ver Sweeney recostado à porta, observando-a cuidadosamente.

Levantou-se e pegou uma das panelas, segurando-a com um pano. Despejou-a na banheira, depois, pegou a outra, e fez o mesmo processo. Encheu metade de mais uma panela e jogou na banheira, deixando a água morna. Dentro de uma bacia, estavam os sais de banho. Pegou e jogou-os também. Movimentou a água, fazendo espuma. Olhou para Sweeney.

 

- Está pronto, Mr. Todd. – Afastou-se da banheira. – Sairei do quarto para que tome seu banho.

 

Antes que passasse pela porta, Sweeney segurou-a por um dos braços.

 

- Espere, Elizabeth.

 

- Sim, mister?

 

- Quero que… Dê-me um banho. – Parou na frente dela e soltou-a. Começou a desabotoar os punhos de sua camisa. Quando terminou, disse: – Por favor.

 

- Como quiser, Mr. Todd.

 

Elizabeth começou pelos três botões do colete azul-marinho. Desabotoou-os, calmamente. Logo, o colete, junto à camisa branca e suja de sangue, estava no chão. Uma cicatriz cortava o torso de Sweeney, e em suas costas, marcas de chicotadas. Apesar da pele esbranquiçada e das cicatrizes, ele tinha um belo corpo. O abdômen era definido, não tanto, mas era firme, assim como seu peito. Sweeney não era tão alto, tinha no máximo um metro e oitenta, porém, com o corpo, e os ombros largos, tinha a aparência extremamente máscula.

Achou que precisaria apenas tirar de suas roupas de cima. Entretanto, Sweeney segurou suas mãos e encaminhou-as até o cinto de sua calça. Elizabeth abaixou o olhar e engoliu em seco. Tinha noção de estar sóbria, contudo, sentia como se tivesse ingerido dois litros de gim. Estava tonta, podia notar.

 

- Continue. Dispa-me por completo, Elizabeth – sussurrou em seu ouvido, roucamente.

 

Ao ouvi-lo, desafivelou o cinto. Enquanto o tirava, sentia as mãos de Sweeney em suas costas. Levantou a cabeça para fitá-lo. Podia parecer sério, mas continha um pequeno sorriso torto em seus lábios, quase invisível.

Quando desabotoou as calças, Elizabeth ruborizou. Não era a primeira vez que via um homem nu. Quando vivia com a mãe nos cabarés dos subúrbios de Londres, viu vários homens nus. Mas aquele era Sweeney Todd. Não era um homem comum; um homem gordo, ou um homem sem formas que estivesse pagando para ganhar prazer. Sweeney Todd estava pedindo para que o despisse.

Deslizou o zíper da calça, roçando levemente os dedos pelo volume sob ela. Ouviu-o suspirar e segurá-la contra si. Elizabeth podia ver que ele estava excitado. Balançou a cabeça. O máximo que faria, seria dar-lhe um banho.

Hesitou quando chegou às roupas íntimas. Com outro “continue”, de Sweeney, tomou coragem. Com as mãos, deslizou a peça até os pés dele. Tentou não encará-lo, completamente nu. Então, olhou para seus olhos, que brilhavam.

Ia afastar-se, mas Sweeney a segurou. Inclinou-se e puxou a bainha do vestido, que chegava aos seus joelhos, trazendo-a para cima, tirando-o de Elizabeth. Admirou, por um tempo, os pequenos e perfeitos seios. Abaixou-se e despiu-a de sua roupa íntima. Depois, subiu, respirando sofregamente.

Segurando-a pela mão, entrou na banheira. Trouxe-a junto, e entregou-lhe a bucha. De imediato, Elizabeth molhou-a na água, e depois a esfregava contra a pele de Sweeney. Via a água mudar de cor conforme a passava pelo corpo do barbeiro. Piscava muito e ofegava. Quando aproximou-se para limpá-lo nos ombros, Sweeney segurou-a pela nuca. Com o polegar a acariciava no rosto, o sorriso que antes era quase invisível, tornou-se claro.

Elizabeth molhou-lhe os cabelos, que desceram lisos. Antes, eram desgrenhados e altos. Agora, Sweeney até mesmo parecia mais jovem. A mecha branca do cabelo misturou-se com os outros fios, tornando-se cinza.

Em menos de um segundo, sentiu-se sendo abraçada. E, em menos de um átimo de segundo, sentiu-se sendo beijada, tão delicada e docemente possível quanto ela podia imaginar. Enganou-se quando pensou que aquele era Sweeney Todd. Aquele era Benjamin Barker, o verdadeiro homem dentro de um vingador que regressara de uma prisão.

Os lábios dele percorriam seu pescoço, ombros, até mesmo atiçavam seus mamilos. Elizabeth nunca se sentira tão desejada. Tão amada. Mas era impossível, ele era um homem frio… No entanto, aquele era Benjamin.

Voltou a beijá-la, desta vez, intensamente. Elizabeth era a promessa de tudo o que sentia falta. A promessa de poder esquecer-se de tudo o que acontecera de ruim em sua vida.

Sweeney levantou-se e saiu da banheira. Inclinou-se e pegou Elizabeth, no colo. Deitou-a suavemente na coberta de seda gelada e refrescante da cama. Deitou-se sobre ela, olhando-a intensamente. Ela o segurava nos ombros, as pupilas dilatadas de expectativa.

Ele começou uma trajetória tortuosa, beijando-a, desde o lóbulo da orelha, até alcançar um dos mamilos, lentamente. Mordiscou o mamilo, sugou-o e, automaticamente, ela arqueou-se para sentir mais o toque.

Enquanto a beijava nos mamilos, alternando entre um e outro, ele deslizava a língua por seu abdômen. Elizabeth agarrava-se a ele, segurando-o fortemente nos ombros, cravando suas unhas na carne de Sweeney. Então, levantou-se, ficando de joelhos. Precisava saber se Elizabeth estava pronta. Sabia que ela era virgem.

Com um aceno de cabeça, Elizabeth disse que sim, como se pudesse ler seus pensamentos. Sweeney beijou-a novamente, fazendo-a esquecer-se de tudo e, delicada e lentamente, penetrou-a. As unhas dela cravaram mais em suas costas. Abafava o grito de dor com sua boca.

 

- Vai passar… – Disse por várias vezes, abraçando-a fortemente. Esperou o quanto pôde, deliciando-se da sensação de estar dentro dela. Recuou e voltou, vagaroso. Elizabeth emitiu um som, um som inconfundível de prazer, um gemido longo. – Está doendo agora? – Perguntou-lhe, acariciando-a no rosto.

Elizabeth mexeu a cabeça negativamente, respondendo-lhe.

Sweeney volveu e penetrou-a outra vez. E, novamente, Elizabeth gemeu.  A cada investida, a dor diminuía. E, a cada investida, um sentimento forte crescia em seu coração. Assim como algo desconhecido em seu âmago.

Mexia-se junto com ele, abraçada a ele. Respirava e beijava-o no pescoço, entontecida. Ouvia os gemidos roucos em seu ouvido, arrepiava-se. Sweeney fazia amor com ela de um modo que nunca imaginava ser possível. Sua mãe lhe contara como seria sua primeira vez, algo débil, sem muita importância, com algum moleque. Contudo, Sweeney era experiente, sabia muito bem o que estava fazendo. Estava sendo não só delicado, tomando cuidado para não machucá-la, mas também doce e gentil. Enquanto a possuía, beijava-lhe o pescoço e sugava-lhe os seios, deixando-a completamente fora de si.

O clímax chegou para ela, por fim. Algo que Elizabeth nunca sentira, e que não tinha palavras para expressar o que estava sentindo. Algo que crescia dentro de si e explodia, deixando-a cansada e entregue. Fechou os olhos e ouviu um último gemido; rouco, alto, satisfeito.

Sweeney pousou sua cabeça na testa de Elizabeth, enquanto arrepios corriam por seu corpo. Fitava-a nos olhos quando deixou que as palavras saíssem:

 

- Amo você, Elizabeth – dizia, a voz grave fazendo-a arrepiar-se, o dedo polegar acariciando-lhe a face. – Amo você.

 

- Nunca imaginei que Sweeney Todd poderia dizer-me isso, um dia. – Sorriu.

 

- Não sou Sweeney Todd agora, meu amor. Agora, sou Benjamin Barker, um simples barbeiro londrino. E apenas para você o sou.

 

Elizabeth riu, fascinada com a expressão de felicidade que Sweeney deixava escapar. Aquele era Benjamin Barker, o Sweeney Todd lapidado.

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Espero que tenham achado bom, ou no máximo curtido. ;P Sempre vou amar esse shipp, mesmo que… Elizabeth Wilmot não exista. u.u

Franciele Ramos (A Ane).