Divirtam-se:
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Primeiramente, antes de começar o assunto central, Crepúsculo, devo falar um pouco sobre vampiros.
Vampiros são seres mitológicos, que já existem em diversas culturas há milhares de anos. Contudo, os vampiros são diferentes, nessas culturas.
Na Japão, por exemplo, o ser mitológico mais próximo, em semelhança – não no aspecto físico (não é como o vampiro ocidental) – é o kappa, descrito como uma fabulosa criatura das águas, foi inserido na cultura japonesa, e agora aparece em vários meios de ficção, recursos cinematográficos, brinquedos e arte.
Os kappa foram descritos no século dezoito. Dizia-se que parecia-se com uma criança humanoide, com pele amarelo-esverdeada, dedos dos pés e das mãos em forma de teia, um tanto parecidos com um macaco, com nariz comprido e olhos arredondado, tinham uma concha, parecida com a armadura de uma tartaruga, e exalavam cheiro de peixe. A cabeça era côncava, retendo água. Se a água de sua cabeça derramasse, o kappa perdia toda sua força (uma das formas de exterminá-lo).
Os kappa agiam próximo às águas onde habitavam. Há histórias que relatam tentativas de kappa, de agarrar cavalos e vacas, arrastá-los para dentro da água, e, diferente dos vampiros ocidentais, que geralmente sugam o sangue de suas vítimas pela veia jugular, sugavam o sangue desses animais pelo ânus, a tendência principal que deu ao kappa o reconhecimento como vampiro.
Uma maneira de acalmar um kappa é colocar os nomes de seus familiares num pepino (já que, além das tentativas de arrastar animais para dentro da água, eles também saíam e estupravam mulheres, roubavam melões e pepinos, e atacavam pessoas à procura de seus fígados), e jogá-lo na água onde os kappa habitam.
Esse é só um exemplo de vampiro no Japão, a parte oriental.
Houve também vampiros na Grécia e na Antiga Roma.
A Grécia é uma das fontes mais antigas da lenda contemporânea do vampiro. Escritos registram a existência de três criaturas vampíricas: o lamiai, o empusai e o mormolykiai. Contudo, irei falar um pouco sobre o lamiai, e, consequentemente, mormolykiai.
Lamiai vem de Lamia, que se dizia ser uma rainha líbia. Era filha de Belus e Libya e, como era contada sua história, era amada por Zeus, o rei dos gregos. Hera, mulher de Zeus, com ciúmes, desencadeou sobre ela todo o seu ressentimento, privando Lamia de todos os seus filhos, cujo pai era Zeus. Lamia retirou-se para uma caverna de onde, impossibilitada de atacar Hera, despejou toda sua ira matando a prole de mães humanas, geralmente sugando-lhes o sangue. Seus atos levaram à sua transformação numa besta. (A história demormolykiai é muito parecida. São assim chamados por causa de nome Mormo, que canibalizava seus próprios filhos.)
Já a Roma Antiga não tinha uma mitologia de vampirismo tão desenvolvida quanto a Grécia. Ele não era um atributo de mortos retornados, mas de bruxas vivas. A ideia de uma entidade vampírica veio aparentemente da necessidade de explicar mortes inesperadas de recém-nascidos, uma necessidade que tinha produzido os lamiai da antiga Grécia. Os romanos falavam de strix, um espírito demoníaco noturno que atacava as crianças e drenava seu sangue. O strix tinha sido identificado com o mocho. O termo sobrevive na Grécia como striges, na Romênia como strigoi e na Itália comostrega.
O poeta romano Ovídio, do século 1, descreveu uma bruxa em um de seus livros:
Eles voam à noite e procuram crianças sem babás, sequestram-nas de seus berços e emporcalham seus corpos. Dizem que laceram as entranhas das crianças com seus bicos e suas gargantas ficam cheias de sangue que beberam. São chamados striges.
A Romênia é o país mais identificado com os vampiros. Terra de rico folclore, concernente a vampiros, sua reputação foi restabelecida por Bram Stoker, cujo romance Dracula começa e termina na Transilvânia. Embora a Transilvânia naquele tempo fosse parte da Hungria, agora pertence à Romênia.
Stoker extraiu grande parte de seus conhecimentos sobre a Transilvânia, onde colocou o Castelo de Drácula, do livro The Land Beyond the Forest (1888), de Emily Gerard, uma escocesa, que tinha se casado com um oficial polonês que servia no exército austríaco. Como brigadeiro comandante, estava sediado na Transilvânia na década de 1880. O casal morava em Sibiu e Brasov.
Ao descrever as diversas entidades sobrenaturais encontradas em sua pesquisa sobre práticas que envolviam a morte, ela escreveu:
Decididamente o mal é o nosferatu, ou vampiro, no qual todo camponês romeno acredita piamente como acredita no céu e no inferno. Existem dois tipos de vampiros, os vivos, e os mortos. O vampiro vivo é geralmente um filho ilegítimo de duas pessoas ilegítima; porém mesmo um pedigree impecável não é uma segurança contra a entrada de um vampiro na residência da família, visto que toda pessoa morta por umnosferatu se transforma num vampiro após a morte e continuará a sugar sangue de outras pessoas inocentes, até que o espírito tenha sido exorcizado pela abertura do túmulo da pessoa suspeita, enfiando uma estaca em seu corpo ou metendo uma bala no caixão. Andar em torno da sepultura fumando em cada aniversário da morte também supõe-se que seja eficaz para confinar o vampiro. Em casos muito obstinados de vampirismo, recomenda-se cortar fora a cabeça, recolocando-a no caixão com a boca cheio de alho, ou extrair e queimar o coração, espalhando as cinzas sobre o túmulo. (The Land Beyond, Pg. 187)
Conclusão: O strigoimort, o vampiro romeno, se comparava em grande parte à imagem do popular vampiro. Tratava-se de um morto retornado. Tinha poderes como produzir fenômenos poltergeist, especialmente o de dar vida aos objetos domésticos comuns. Era visto como caprichoso,travesso e muito debilitante. Entretanto, o ataque do vampiro era raramente visto como fatal. Além disso, ele raramente envolvia morder e drenar sangue literalmente de suas vítimas. Os strigoi geralmente drenavam a energia vital da vítima pelo processo de vampirismo psíquico (hipnose – o que o vampiro ocidental, originado do vampiro romeno, também faz. Ele geralmente não suga a vida de uma pessoa pelo processo de drenagem de seu sangue, mas também por hipnose).
Com este resumo, inicio minha opinião sobre Crepúsculo(única e somente minha, não influenciada por alguém, apenas por meus motivos).
Stephanie Meyer traz vampiros à sua obra. Entretanto, uma das únicas características com o vampiro eslavo ou o ocidental é a aparência humana (diferente dos japoneses, gregos e romanos). Cada vampiro em sua saga tem um tipo de dom. Edward Cullen, por exemplo, pode ler mentes. Alice Cullen pode prever o futuro. Um vampiro tem o poder de hipnose (e, com esse recurso, como foi dito acima, pode drenar a energia vital de um ser humano apenas por hipnose), controle com o tempo (pode formar uma tempestade), pode se transformar em animais noturnos (como lobos, corujas, etc.) e até mesmo em névoa.
Os vampiros de Stephanie Meyer têm seus reflexos refletidos no espelho. Todavia, isso depende de cada autor. Bram Stoker (Dracula) não usava disso, já Anne Rice (Entrevista com o Vampiro) usou. Os vampiros de Rice são parecidos com os de Stoker, porém, os de Rice não tem medo de cruzes (não são afetados por elas), podem entrar em igrejas, não são afetados por alho, tem seus reflexos refletidos, etc. Contudo, uma característica que não muda nesses dois tipos de vampiro é: queimam ao sol. Isso é um tipo de maldição que é dada ao ser que tem o poder da imortalidade (é como um preço a ser pagado).
A explicação para os vampiros não terem seu reflexo refletido no espelho seria porque não têm alma. Sua alma teria sido vendida a um ser maligno, o que seria uma das maneiras de ter se originado o vampiro. Sua alma teria sido vendida ao ser para se ter a imortalidade. Porém, o homem que vendeu-a seria também amaldiçoado, não podendo expor-se ao sol ou alimentar-se de comida. Seus órgãos perderiam a função, e ele tornar-se-ia um morto-vivo, que seria morto apenas por uma estaca (de madeira ou prata) fincada em seu coração. E, como na cultura romena (em parte), o órgão seria retirado, cremado, e suas cinzas jogadas ao vento (essa seria uma das maneiras de matar o vampiro clássico e/ou o vampiro contemporâneo).
Uma das coisas inexplicáveis na saga de Stephanie Meyer é o fato de que seus vampiros brilham. Ao invés de queimarem ao sol, brilham. Uma das explicações (não muito bem feita) seria que a pele deles tem pequenas partículas de diamantes. Entretanto, como se explica de onde veio o diamante, já que o vampiro é um ser humano transformado em morto-vivo? Meyer deixou uma grande lacuna nesta questão.
Mais uma lacuna seria Rennesmee, a filha de Isabella Swan com Edward Cullen. Precisaria, ao menos, de uma desculpa plausível, melhor que “o veneno do vampiro funciona como estimulante para a ereção e produção de espermatozoides” – foi o que disse Stephanie Meyer em uma entrevista a uma emissora americana de televisão. Primeiramente, vampiros não tem veneno. A transformação de um humano para vampiro trata-se de sugar quase todo o sangue da vítima e dar parte do sangue vampiro (amaldiçoado) ao humano. O sangue que tomará o humano cairá em seu sistema digestivo, e, de lá, será levado para seu sistema circulatório, transformando-o então.
Rennesmee seria então um mestiço – metade humano, metade vampiro. Mas como se explica seu crescimento? Um mestiço não cresce, permanece na idade em que recebeu DNA vampírico, já que vampiros são estéreis. Já vampiras podem ter filhos, já que um dos órgãos que permanecem em função é o ovário. Se uma vampira ter relações com um homem, poderá, sim, engravidar, diferente das vampiras de Meyer.
Quanto à alimentação, os vampiros de Meyer deixam a desejar. Sim, vampiros podem se alimentar de sangue animal, porém, não o sustentaria, já que não tem a mesma força vital do sangue de um ser humano. Vampiros vegetarianos é um termo e não é correto, sendo que vampiros estão matando animais. Na saga, eles caçam ursos e veados. Ursos que poderiam entrar em extinção, enquanto nasce mais de cem humanos por minuto.
Não se precisa matar um humano para se alimentar, pode se usar de hipnose ou transformá-lo. Contudo, hipnose e transformação são desgastantes para um vampiro. Sugar o sangue e se alimentar é o básico, não precisa usar de muita força. Porém, quando se usa do recurso de hipnose, o vampiro automaticamente está usando de sua energia. E, quando usa de transformação, está doando seu sangue a alguém, perdendo-o, ficando fraco.
Não trarei aqui o assunto sobre machismo, obcessão e possessão ocultos no obra, já que o assunto central do texto é vampirismo.
Quando dizem que Meyer inovou no vampirismo, trazendo romantismo a ele, é mentira. Bram Stoker, em 1889 trouxe o romantismo ao vampirismo, quando escreveu Dracula. O Conde Drácula se apaixonou por Mina Murray. E se ela inovou no vampirismo, tornando-os “seres brilhosos”? Não. Apenas tornou isso engraçado aos olhos de pessoas entendidas do assunto. Inovou ao trazer bebês ao vampirismo? Não, em Blade isso já acontecia. (Blade é da década de 90)
Dizem que o romance de Stephanie Meyer é o maior fenômeno desde Harry Potter, de Joanne Kathleen Rowling (J.K Rowling). Fugindo um pouco do assunto sobre vampiros, há uma grande diferença entre as obras (além de que o assunto central de H.P é bruxaria e o de Crepúsculo é vampirismo). Stephanie Meyer sonhou e começou a escrever sua obra. Ela disse que pesquisou sobre o assunto uma única vez, quando a personagem Isabella pesquisou no livro. Rowling passou onze anos pesquisando sobre o assunto. Está aí, então, uma das explicações para Harry Potter fazer o sucesso que faz: as pesquisas que Rowling fez e a profundidade que tem no assunto.
Termino aqui minha opinião sobre Crepúsculo.
Fontes:
Para Vampiros no Japão (Kappa), Vampiros na Grécia, Vampiros na Antiga Roma, Vampiros na Romênia – Enciclopédia dos Vampiros – J. Gordon Melton, 2008. (M.Books)