Ele faria hora-extra no escritório aquela noite.
Talvez por puro prazer, mas, no fundo, era por real obrigação.
Enfurnar-se naquelas paredes amareladas do Load Dawson — o mais novo prédio de Nova York; 56 andares; vista panorâmica para o Central Park e o Lago Principal; cinco restaurantes, divididos por andares; um andar apenas para o entretenimento das pessoas que viviam do 15º até o 35º andar, enquanto os trabalhadores após o 35º, ao 45º, trabalhavam, gastavam a escassa saliva com empresários e investidores de mau-caráter, enquanto limpavam o chão sujo do banheiro fétido do 41º andar, aberto a todos os trabalhadores do Departamento de Esportes — ou Divisão de Esportes; Sessão de Esportes, ou como chamassem aquela porquice — do Good Morning, American! — aquele maldito novo jornal que estourou em vendas na primeira semana, ficando por pouco atrás do The New York Times e do New York Daily News –; enquanto ele ficava naquele maldito espaço fechado, digitando mais uma de suas pútridas colunas sociais.
Não exatamente sociais. Chamassem aquela merda como quisessem.
Digitou o título do documento e salvou o arquivo com alguns atalhos do teclado.
Estralou a mandíbula, recostou-se à cadeira de couro sintético e respirou profundamente, cerrando os olhos, vagaroso, relaxando.
Quando tornou a abri-los, procurou uma revista de Palavras Cruzadas & Cia dentro da terceira gaveta de sua escrivaninha de madeira e apanhou uma caneta preta — odiava canetas azuis; odiava a cor mórbida, monótona e simplesmente intragável delas no papel reclicado da revista —, abrindo na página que marcara, onde devia continuar.
Começou a escrever — com sua letra terrivelmente bela; as curvas perfeitas, alinhamento correto, centralização correta —, pensativo, calmo, prático e racional.
Fechar. Seis letras.
C-e-r-r-a-r.
Quando inventamos algo, contamos uma… Sete letras.
E-s-t-ó-r-i-a.
Brinquedo de parques de diversão. Nove letras.
C-a-r-r-o-s-s-e-l.
Filósofo. Seis letras.
P-l-a-t-ã-o.
E terminou aquela página.
Descansou a caneta sobre a revista e levantou-se. Desabotoou o colarinho e puxou o nó da gravata acinzentada. Passou a mão direita pela cabeça — carregada de fios, apesar de seus quarenta e cinco anos; apesar dos insistentes fios brancos de sua barba e de suas têmporas; os cabelos abundantes e agora em um marrom não tão vivo, caíam sobre sua nuca — e desgrenhou-os.
Foi até a estante próxima à parede esquerda — colada à parede, aliás, por pregos e mais pregos e mais pregos; malditos pregos. Ele adorava aquela estante mogno marfim; ele a queria em sua casa —, onde guardava alguns livros e CDs, e algumas outras coisas. Revistou; puxou alguns livros; retirou alguns CDs; mexeu; remexeu. Não pegou nada muito interessante. Uma velha caixa de madeira, onde deixava coisas de importante valor. Pousou-a sobre a escrivaninha, abriu-a, mexeu, remexeu… Não pegou nada de importante. Fechou-a, guardou-a.
Foi até a janela, afastou a persiana e observou o Lago Principal e as luzes iluminando o Central Park; as pessoas caminhando pelos caminhos de pedra, tomando sorvete, sentando nos bancos; chamando os maridos, as esposas e os filhos para um jogo de damas nas mesas já preparadas com o tabuleiro; os namorados mortal e debilmente apaixonados daquela noite de verão.
Era dia 3 de setembro, véspera de seu casamento com Elizabeth.
Oh. Elizabeth.
Ela fazia falta àquelas horas, em que podia estar ao seu lado; talvez chegasse em casa e deitasse-se, sentisse-a próxima ao seu corpo e fizesse-lhe carícias. Dissesse quanto a amava, quanto sua pequena e jovem Elizabeth era essencial em sua vida. Que comprar-lhe-ia um novo anel de casamento; rosas vermelhas e brancas, das quais ela mais gostava.
E então ela o chamaria de Little Jack, ou Sweet Jack e beijá-lo-ia, ardentemente, totalmente entregue; ela e sua juventude, que tomava conta do corpo não tão em forma — apesar de manter um certo abdômen plano com as caminhadas matinais pelo Central Park — de Jack Miller.
Ela era a sua Sra. Miller. A doce menina com quem casou-se há três anos, que conhecera em uma de suas palestras, quando ainda dava aulas em Harvard e, às vezes, substituía Todd Johnson em Oxford — e ele era o único que podia substituí-lo.
Falava sobre Ortografia & Gramática; Mistérios nas Redações — ou algo parecido —, e Elizabeth Ginn achara-o simplesmente incrível.
Era aluna vinda de Londres, mesmo que Jack não entendesse por quê. Por que mudar-se de Londres para estudar em Harvard? Ele mesmo adoraria a oportunidade de cursar as várias e ótimas universidades dos Condados Londrinos.
Contudo, Elizabeth Ginn veio-lhe como um presente; mudou-se para aquele país, tornou-se uma pseudoestadunidense — carregada de sotaque britânico; um charme para seu amplo e belo vocabulário —, amante de Shakespeare; Baudelaire; leitora de Platão e Sócrates; devoradora de ciências como Filosofia e Sociologia; inteligente, racional e, acima de tudo: crítica construtiva.
Era loura; cabelos abaixo dos ombros, descendo ondulados e macios; olhos castanho-mel, misteriosos e sedutores; seios pequenos, porém, redondos, simétricos; quadris fartos, todavia, não tanto.
Jack amava quando sua pequena Elizabeth ajudava-o com suas colunas, dando-lhe ideias tão significativas, incríveis, inteligentes…
Recebera vários elogios por conta de suas ideias. E, todas as vezes que Elizabeth — sua Lizzie, sua Rainha, sua Princesa Moderna — contribuía, colocava uma pequena e amável nota, logo abaixo do término da coluna: “Agradeço à minha Elizabeth, ao seu ponto de vista amplo, à suas ideias magníficas e percepção insuperável”.
E Elizabeth sempre dava-lhe um beijo doce nos lábios e um sorriso afável; o mais belo sorriso de todos.
Jack deixou os devaneios e voltou atenção ao telefone sem fio branco sobre a escrivaninha do escritório. Pegou-o, discou 2 e esperou que uma voz feminina atendesse.
Chamou sua secretária, Denise. Pediu para que preparasse um café expresso fervente e comprasse uns bolinhos, pois a noite seria longe.
Maldição!
Não avisara Elizabeth!
Todavia, sua amada esposa entenderia. Ela o amava. Ela o idolatrava. Assim como ele a amava e idolatrava, mais que a tudo.
Quinze minutos depois, Denise — a mulher de trinta anos que Elizabeth odiava fatalmente — adentrou seu escritório, o salto dos sapatos Louis Vitton tilintando irritantemente no piso de mármore preto-e-cinza; torturando seus ouvidos; a saia de linho impecavelmente lisa; a blusa azul-claro dentro da saia; os lábios cobertos por um batom rosado e os cílios levantados por, de certo, um daqueles cosméticos revolucionários da Prada ou Chanel; as pálpebras salpicadas de pó dourado e prata; os olhos azuis mais intensos e belos daquele edifício.
Jack virou os olhos ônix para a mulher e ordenou que ela pousasse o prato com os bolinhos recheados de creme de ovos e o café expresso sobre sua escrivaninha.
— O que dançaremos hoje? — Perguntou Denise.
— One. Johnny Cash. — Disse Jack, sorrindo; o sorriso de lado que causava arrepios em Denise McKay.
Ao desfazer rapidamente o sorriso, Jack direcionou-se para o aparelho de som e apanhou um MP3 que deixara ao lado do eletroeletrônico. Colocou-o na porta USB e procurou a música que dançaria com Denise.
Começou a soar o violão.
E então o Cash.
E Jack apanhou as mãos de Denise e posicionou-se no ângulo certo, abraçando-a pela cintura, fazendo com que ela enlaçasse seu pescoço.
E, dançando Cash, de olhos fechados, Denise pensou que aquele seria o momento mais perfeito de sua vida.
Ao lado de Jack Miller, um dos homens mais belos que já conhecera; o mais inteligente do Good Morning, American!, o mais sexy dos homens com quem já saíra, apesar de nunca ter ido adiante com Miller, de terem dançado apenas algumas músicas após o expediente, após Denise contar-lhe que estava fazendo um curso de dança aos sábados à noite, o que interessou Miller.
Repentinamente Jack puxou-a para si.
Denise arrepiou-se.
Sentiu-o percorrer a mão por seu corpo, desde as nádegas até pousá-la em sua cintura.
Sentiu algo frio em sua pele.
Levantou o rosto para Miller, que sorria um dos sorrisos mais frios e maquiavélicos que Denise já vira.
Abaixou o olhar e notou uma faca de cozinha, de cabo de aço inox pousada sobre sua cintura; as mãos de Jack cobertas por luvas de couro preto.
Remexeu-se bruscamente, tentou livrar-se dos braços de Jack Miller; tentou.
— Shh, shh… — Soou Miller e puxou-a violentamente para si, penetrando a faca acima do estômago de Denise, sem expressar nenhuma mudança em sua feição. — É melhor não gritar, minha querida meretriz… Afinal, já está indo para o Inferno… Para o MALDITO PROSTÍBULO DO INFERNO! — E repuxou a faca, introduzindo outra vez, jogando Denise ao chão, subindo em cima dela, retraçando-lhe a carne, cortando-lhe as entranhas, encharcando-se de sangue; esfaqueava-a no rosto, na barriga; cortava-lhe os seios e os ombros e o pescoço, enquanto ela o segurava, de órbitas arregaladas, as mangas de sua camisa.
— MORRA! SUA TEXANA DE MERDA!
E golpeou-lhe a face com um soco.
— VÁ PARA O INFERNO, VADIA! — E, dando-lhe mais um soco, viu-a cair inconsciente sobre o mármore. — VOCÊ TIROU ELIZABETH DE MIM! VOCÊ A FEZ IR EMBORA! VOCÊ, SUA VADIA! — Ergueu-se e chutou-lhe as costelas, rangendo os dentes, cerrando a mandíbula, arfando, o rosto inundado de uma expressão que só podia significar loucura.
E, após vários chutes, após chutá-la até deixar a marca do sapato italiano que cobria seus pés na pele e carne pútrida de Denise “Meretriz” McKay, Jack Miller recompôs-se.
Elizabeth. Sua pequena Elizabeth.
Deixou-o por conta de boatos; por conta de estórias da maldita — ordinária — Denise McKay; aquela puta, que inventou mil coisas sobre seu respeito; que disse à sua Elizabeth que andava tendo um caso com o Sr. Miller; que fez com que sua Elizabeth fosse embora; que fez com que sua Elizabeth não olhasse em seus olhos, não respondesse às suas ligações, que não dirigisse a palavra a Jack Miller. Que fez sua Elizabeth abandoná-lo.
Ele limpou a mancha de sangue que inundara-lhe a face com a manga da camisa de botões Armani e sentou-se na cadeira de couro sintético, observando — sorrindo demoniacamente —, o corpo de Denise McKay.
Que aquela vagabunda apodrecesse no inferno. Que levasse seus malditos sonhos com ela — e suas malditas mentiras.
Jack Miller voltou os olhos para a tela do computador; concentrou-se nos pixels brancos do título do documento que salvara há pouco.
Lá estava escrito: “Como reconhecer um serial killer”.
Franciele Ramos.
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“Traição. O que os covardes costumam fazer com quem nos importamos” – Benjamin Fitzgerald.
“Seria ela a moça mais taciturna e libidinosa de Londres se não fosse pela dor que tomava conta de seu ser. A álgida constatação de sua tristeza definhava meu coração; era ela a moça de meus sonhos, que agora padecia por outro.
O marido se fora; não falecera… Deixou-a. Abandonou-a sem culpa ou remorso; sem despedida ou lágrima.
Chamaram-me assim que souberam; sua governanta, a Sra. Maciell, contatou-me pela manhã. Disse-me que William Harris de Lewis — Will Harry — havia partido há dois meses, quando dissera aos empregados que viajaria para Paris.
Chegou então uma carta; letra rebuscada e pouco legível. Harris contava as maravilhas de sua — agora — Amada França e dizia que apaixonara-se perdidamente por uma mulher — descrevia-a tão bela e encantadora quanto a Lola de Valência — e, sem pedir desculpas à sua real esposa, desposava-se com a parisiense.
Ao que me noticiaram o fato, pus-me de pé e apanhei o casaco, a cartola e a bengala. Início de inverno, o vento era cortante e quase congelava-me as mãos. Enluvei-as e, ao passar o umbral da porta principal de minha recém-construída mansão, ao pisar no primeiro degrau de acesso ao meu jardim, quase desisti de andar até a mansão onde trabalhava a Sra. Maciell, mesmo que ficasse a menos de quatro quadras de onde moro. O frio era o dono dessa ideia.
As palavras do Dr. Gulliver vieram-me à mente como torvelinho: “Tens de exercitar-te. Tua saúde não é mais a mesma desde os primórdios de tua juventude”.
Soaram e se foram.”
Trecho de algo Sem Título.
Direitos reservados.
Sweeney Todd e Elizabeth Wilmot – Fic da Ane
Aliás, Elizabeth Wilmot:

Lizzie Wilmot - Keira Knightley (Tchá. Super sonho da Ane se o Tim tivesse adaptado Sweeney Todd do jeito que eu imagino e tivesse chamado a Keira. *___*)
Dedicado à Patrícia
Adaptação do filme de Tim Burton, “Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street”. Direitos originais reservados a Warner Bros.
Sweeney estava limpando sua navalha quando Elizabeth adentrou a barbearia. Trazia em mãos uma toalha, uma bucha e sabonete.
Fechou lentamente a porta; Sweeney ainda limpava atentamente a navalha. As mangas de sua camisa estavam sujas de sangue, assim como suas mãos e parte de seu rosto. Na calça, gotas espalhadas davam-na um tom mais avermelhado próximo à cintura.
Elizabeth colocou as coisas que carregava ao lado do baú onde Sweeney estava sentado, observando-o atentamente, calada. Apoiou-se em uma mesinha e continuou fitando-o. Passaram-se longos minutos, silenciosos, enquanto Sweeney lustrava sua navalha e nem ao menos a olhava. Notou um corte em uma das maçãs faciais dele. De certo, quando o cliente notou que Sweeney empunhava a navalha, tentou defender-se, atacando-o.
Elizabeth caminhou até a bacia com água, trazendo-a e colocando-a em cima do baú. Pegou um dos panos que também havia trazido e molhou-o. Parou frente a ele, empurrando a mão onde estava segurando a navalha, para baixo. Elizabeth não tinha medo de Sweeney. Ele era um homem comum, contudo, tinha seus problemas.
Ela fechou a navalha e pousou-a sobre a mesinha. Sweeney agora a observava, calado, sem fazer nenhum movimento. Elizabeth torceu o pano na bacia e trouxe-o até o rosto dele, limpando o corte que sangrava delicadamente, assim como o rosto sujo de sangue.
Sweeney deu um pequeno suspiro, algo semelhante a um gemido de dor. O corte não era tão grande, nem tão profundo, mas Elizabeth estava ciente de que doía muito. Empenhou-se, então, a limpá-lo e cuidá-lo tão delicada e suavemente pudesse.
Ela notou que Sweeney tinha a pele alva. Tão alva quanto a dela, ao mesmo tempo em que podia ver, claramente, os contornos masculinos de seu rosto. O maxilar rijo acentuava sua masculinidade, assim com o queixo. Seus lábios não eram grandes, nem pequenos, eram normais. Não havia muitas marcas de riso ou rugas em sua face. Apenas olheiras de noites mal dormidas, que Elizabeth podia imaginar bem, quando ele passara quinze anos na prisão. Não havia uma cama macia, comida de boa qualidade na prisão. Muito menos uma mulher que pudesse cuidá-lo.
Limpou o pano na bacia com água e torceu-o novamente. Desta vez, com o pano quase seco, enxugou-lhe o rosto.
- Está sujo, Mr. Todd. Merece um banho pelo dia, que suponho ter sido cansativo.
- Sim. Foi cansativo – disse em um fio de voz. – Pode preparar o banho para mim, Srta. Wilmot?
- Chame-me de Elizabeth, e o farei de bom grado.
- Pode prepará-lo, Elizabeth? – perguntou-lhe em tom frio. Então bufou.
- Claro, Mr. Todd – respondeu, com voz magoada. Sweeney era um homem difícil. Para lapidá-lo e alcançar seu coração, precisaria de muita força, bem ela sabia.
Pegou a toalha e o sabonete e dirigiu-se até uma porta, que dava para o quarto de Sweeney.
Lá dentro, encontrou uma cama com dossel, e uma grande banheira. Do outro lado, um fogão à lenha. O compartimento de lenha continha pedaços de madeira, então pegou um fósforo e riscou-o, incendiando a madeira. Encheu uma panela com água, e colocou-a sobre o fogão. Encheu mais uma e também a colocou a ferver.
Enquanto esperava a água ferver, limpava a banheira, que estava empoeirada. Pelo espelho na parede do quarto, podia ver Sweeney recostado à porta, observando-a cuidadosamente.
Levantou-se e pegou uma das panelas, segurando-a com um pano. Despejou-a na banheira, depois, pegou a outra, e fez o mesmo processo. Encheu metade de mais uma panela e jogou na banheira, deixando a água morna. Dentro de uma bacia, estavam os sais de banho. Pegou e jogou-os também. Movimentou a água, fazendo espuma. Olhou para Sweeney.
- Está pronto, Mr. Todd. – Afastou-se da banheira. – Sairei do quarto para que tome seu banho.
Antes que passasse pela porta, Sweeney segurou-a por um dos braços.
- Espere, Elizabeth.
- Sim, mister?
- Quero que… Dê-me um banho. – Parou na frente dela e soltou-a. Começou a desabotoar os punhos de sua camisa. Quando terminou, disse: – Por favor.
- Como quiser, Mr. Todd.
Elizabeth começou pelos três botões do colete azul-marinho. Desabotoou-os, calmamente. Logo, o colete, junto à camisa branca e suja de sangue, estava no chão. Uma cicatriz cortava o torso de Sweeney, e em suas costas, marcas de chicotadas. Apesar da pele esbranquiçada e das cicatrizes, ele tinha um belo corpo. O abdômen era definido, não tanto, mas era firme, assim como seu peito. Sweeney não era tão alto, tinha no máximo um metro e oitenta, porém, com o corpo, e os ombros largos, tinha a aparência extremamente máscula.
Achou que precisaria apenas tirar de suas roupas de cima. Entretanto, Sweeney segurou suas mãos e encaminhou-as até o cinto de sua calça. Elizabeth abaixou o olhar e engoliu em seco. Tinha noção de estar sóbria, contudo, sentia como se tivesse ingerido dois litros de gim. Estava tonta, podia notar.
- Continue. Dispa-me por completo, Elizabeth – sussurrou em seu ouvido, roucamente.
Ao ouvi-lo, desafivelou o cinto. Enquanto o tirava, sentia as mãos de Sweeney em suas costas. Levantou a cabeça para fitá-lo. Podia parecer sério, mas continha um pequeno sorriso torto em seus lábios, quase invisível.
Quando desabotoou as calças, Elizabeth ruborizou. Não era a primeira vez que via um homem nu. Quando vivia com a mãe nos cabarés dos subúrbios de Londres, viu vários homens nus. Mas aquele era Sweeney Todd. Não era um homem comum; um homem gordo, ou um homem sem formas que estivesse pagando para ganhar prazer. Sweeney Todd estava pedindo para que o despisse.
Deslizou o zíper da calça, roçando levemente os dedos pelo volume sob ela. Ouviu-o suspirar e segurá-la contra si. Elizabeth podia ver que ele estava excitado. Balançou a cabeça. O máximo que faria, seria dar-lhe um banho.
Hesitou quando chegou às roupas íntimas. Com outro “continue”, de Sweeney, tomou coragem. Com as mãos, deslizou a peça até os pés dele. Tentou não encará-lo, completamente nu. Então, olhou para seus olhos, que brilhavam.
Ia afastar-se, mas Sweeney a segurou. Inclinou-se e puxou a bainha do vestido, que chegava aos seus joelhos, trazendo-a para cima, tirando-o de Elizabeth. Admirou, por um tempo, os pequenos e perfeitos seios. Abaixou-se e despiu-a de sua roupa íntima. Depois, subiu, respirando sofregamente.
Segurando-a pela mão, entrou na banheira. Trouxe-a junto, e entregou-lhe a bucha. De imediato, Elizabeth molhou-a na água, e depois a esfregava contra a pele de Sweeney. Via a água mudar de cor conforme a passava pelo corpo do barbeiro. Piscava muito e ofegava. Quando aproximou-se para limpá-lo nos ombros, Sweeney segurou-a pela nuca. Com o polegar a acariciava no rosto, o sorriso que antes era quase invisível, tornou-se claro.
Elizabeth molhou-lhe os cabelos, que desceram lisos. Antes, eram desgrenhados e altos. Agora, Sweeney até mesmo parecia mais jovem. A mecha branca do cabelo misturou-se com os outros fios, tornando-se cinza.
Em menos de um segundo, sentiu-se sendo abraçada. E, em menos de um átimo de segundo, sentiu-se sendo beijada, tão delicada e docemente possível quanto ela podia imaginar. Enganou-se quando pensou que aquele era Sweeney Todd. Aquele era Benjamin Barker, o verdadeiro homem dentro de um vingador que regressara de uma prisão.
Os lábios dele percorriam seu pescoço, ombros, até mesmo atiçavam seus mamilos. Elizabeth nunca se sentira tão desejada. Tão amada. Mas era impossível, ele era um homem frio… No entanto, aquele era Benjamin.
Voltou a beijá-la, desta vez, intensamente. Elizabeth era a promessa de tudo o que sentia falta. A promessa de poder esquecer-se de tudo o que acontecera de ruim em sua vida.
Sweeney levantou-se e saiu da banheira. Inclinou-se e pegou Elizabeth, no colo. Deitou-a suavemente na coberta de seda gelada e refrescante da cama. Deitou-se sobre ela, olhando-a intensamente. Ela o segurava nos ombros, as pupilas dilatadas de expectativa.
Ele começou uma trajetória tortuosa, beijando-a, desde o lóbulo da orelha, até alcançar um dos mamilos, lentamente. Mordiscou o mamilo, sugou-o e, automaticamente, ela arqueou-se para sentir mais o toque.
Enquanto a beijava nos mamilos, alternando entre um e outro, ele deslizava a língua por seu abdômen. Elizabeth agarrava-se a ele, segurando-o fortemente nos ombros, cravando suas unhas na carne de Sweeney. Então, levantou-se, ficando de joelhos. Precisava saber se Elizabeth estava pronta. Sabia que ela era virgem.
Com um aceno de cabeça, Elizabeth disse que sim, como se pudesse ler seus pensamentos. Sweeney beijou-a novamente, fazendo-a esquecer-se de tudo e, delicada e lentamente, penetrou-a. As unhas dela cravaram mais em suas costas. Abafava o grito de dor com sua boca.
- Vai passar… – Disse por várias vezes, abraçando-a fortemente. Esperou o quanto pôde, deliciando-se da sensação de estar dentro dela. Recuou e voltou, vagaroso. Elizabeth emitiu um som, um som inconfundível de prazer, um gemido longo. – Está doendo agora? – Perguntou-lhe, acariciando-a no rosto.
Elizabeth mexeu a cabeça negativamente, respondendo-lhe.
Sweeney volveu e penetrou-a outra vez. E, novamente, Elizabeth gemeu. A cada investida, a dor diminuía. E, a cada investida, um sentimento forte crescia em seu coração. Assim como algo desconhecido em seu âmago.
Mexia-se junto com ele, abraçada a ele. Respirava e beijava-o no pescoço, entontecida. Ouvia os gemidos roucos em seu ouvido, arrepiava-se. Sweeney fazia amor com ela de um modo que nunca imaginava ser possível. Sua mãe lhe contara como seria sua primeira vez, algo débil, sem muita importância, com algum moleque. Contudo, Sweeney era experiente, sabia muito bem o que estava fazendo. Estava sendo não só delicado, tomando cuidado para não machucá-la, mas também doce e gentil. Enquanto a possuía, beijava-lhe o pescoço e sugava-lhe os seios, deixando-a completamente fora de si.
O clímax chegou para ela, por fim. Algo que Elizabeth nunca sentira, e que não tinha palavras para expressar o que estava sentindo. Algo que crescia dentro de si e explodia, deixando-a cansada e entregue. Fechou os olhos e ouviu um último gemido; rouco, alto, satisfeito.
Sweeney pousou sua cabeça na testa de Elizabeth, enquanto arrepios corriam por seu corpo. Fitava-a nos olhos quando deixou que as palavras saíssem:
- Amo você, Elizabeth – dizia, a voz grave fazendo-a arrepiar-se, o dedo polegar acariciando-lhe a face. – Amo você.
- Nunca imaginei que Sweeney Todd poderia dizer-me isso, um dia. – Sorriu.
- Não sou Sweeney Todd agora, meu amor. Agora, sou Benjamin Barker, um simples barbeiro londrino. E apenas para você o sou.
Elizabeth riu, fascinada com a expressão de felicidade que Sweeney deixava escapar. Aquele era Benjamin Barker, o Sweeney Todd lapidado.
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Espero que tenham achado bom, ou no máximo curtido. ;P Sempre vou amar esse shipp, mesmo que… Elizabeth Wilmot não exista. u.u
Franciele Ramos (A Ane).