Olá.
Dia desses um colega virou-se para mim e disse: “Ei, por que você escrever? E como consegue? Eu já odeio ler!”
A coisa mais coerente a se dizer, de imediato, foi: “Opa. Você odeia ler porque nunca encontrou algo que o agrade!”.
Ler é algo essencial para o ser humano, em minha opinião. Se você procurar, um dia achará algo que o interesse — gosta de aventuras em terras fantásticas? Guerras, dragões, feiticeiras, ao mesmo tempo que curte uma pegada adulta? Então eu recomendo As Crônicas de Gelo e Fogo, do Martin (eu fiz um post, logo abaixo este que escrevo agora). Curte Harry Potter de montão? Já tentou ler? Oh! Isso pode realmente MUDAR tudo! E quanto a romances policiais? Destes eu poderia sugerir Agatha Christie — a danada consegue te prender! E quanto a suspense, o que posso dizer? Stephen King, OF COURSE!
O problema no Brasil é a falta de incentivo à leitura. Tirando uns ou outros professores pingados que realmente trabalham duro em cima disso, não vemos a escola dizendo-nos “leia mais” ao mesmo tempo em que já está nos dando um livro, uma resenha, uma crítica e um incentivo, além do “leia mais” em tom jussivo. “Ler mais” não é uma ordem: não é nada mais que uma sugestão. Ler atiça o cérebro, fortalece os neurônios, excita, faz-nos sentir em outros mundos; e a gente viaja por galáxias inimagináveis, e por terras com que nunca poderíamos sonhar. E conhecemos personagens, apaixonamo-nos por eles e esses carinhas passam a ser nossos heróis. Passamos a nos espelhar neles, e a querer, SIM, por que não? A querer CRIAR carinhas como eles.
Além de tudo isso, temos um ponto muito interessante em ler: é fato, melhora a sua escrita. Melhora a sua capacidade de compreensão, o que imediatamente já ajuda em provas, concursos, testes etc. Não adianta zombar do CDF da sua sala porque ele sabe soletrar “inconstitucionalissimamente” sem erros, conjugar verbos e escrever uma redação em 45 minutos de aula. Você também pode fazer isso; todavia, há um ser maligno chamado Preguiça, conhecido também como Má Vontade dentro do seu organismo, que simplesmente o prende à cadeira e faz com que não faça nada mais que zombar do colega “um pouco mais inteligente que você” só porque a sua mãe um dia te disse: “Eu queria muito que tu fosses como Fulano é!”. Irrita? É claro. Odiamos ser comparados, porém, quando simplesmente fala-se e não se faz nada, é tudo do que podemos esperar.
Então eu tentei explicar isso ao meu colega. Sobre como a leitura influencia a minha escrita. Obviamente, se você lê E. A. Poe, acabará puxando a um lado Poe-de-Escrever-da-Vida. Mesma coisa para leitores de H.P Lovecraft. Mesma coisa para leitores de Stephen King. Mesma coisa para leitores de George R. R. Martin. Mesma coisa para leitores de Tolkien. Mesma coisa para leitores de Jack Kerouac. Mesma coisa para leitores de Charles Bukowski. Mesma coisa para… leitores de Stephenie Meyer (que, repito em clara compreensão: NA MINHA OPINIÃO, é uma escritora medíocre).
VAMPIROS QUE BRILHAM? WTF IS THAT!?
Enfim. Ele me perguntou: “De onde você conhece tuuuudo isso?”
A maioria, eu leio. Ainda terei a oportunidade de analisar as obras de Kerouac e Bukowski — já disseram-me que minha escrita se assemelha à de Bukowski, ao que também disseram que traços Stephenkingnianos, isso dependerá do ponto de vista de cada um, e de sua forma de interpretar meus escritos —, ah se terei. E os que já li, li por ter achado a estória interessante, ou por conta do autor mesmo. Tenho dezesseis anos e já uma razoável coleção de livros. Comecei a ler, mesmo, por volta dos onze anos — e cá entre nós, eu comecei a ler aqueles contos de banca, intitulados Biaca, Sabria, Júlia. Contos da Nova Cultural. Se você conhece, as órbitas se arregalam e lá vem a indagação: “dafuq, menina, você estava lendo contos eróticos aos onze anos?”… Haha. Sim. E escrevendo também.
E é claro: quanto mais eu lia, mais eu tinha chances de aperfeiçoar minha escrita.
Aos onze anos, obviamente, minha escrita era uma merda; legível, porém ainda infantil e amadora. Se continua amadora, não posso saber — tem gente que realmente adora o que escrevo, e eu fico muito feliz ao receber elogios. E também críticas — escritores têm de saber lidar com críticas. Não digo aceitá-las, mas tirar o que for de melhor delas. Se um babaca simplesmente vir e disser que sua estória é uma droga, e não der pontos dizendo por que ela é uma merda, esqueça, esse cara não sabe do que está falando. Nota-se a diferença de alguém realmente interessado e que queira de verdade ajudar a fortalecer a sua obra, ou dar uma opinião verdadeiramente crítica sobre o seu trabalho. Leve em conta. Leia/escute o que a pessoa tem a dizer. Tire os pontos bons, analise os maus e veja: será que ele está certo? Analise então sua obra. Pense um pouco. Se ele estiver, tente corrigir. Mas se ela estiver errada porque você quer, aí já é coisa sua e não desse cara… Então continue.
Hoje, aos dezesseis, vejo todo o aperfeiçoamento desse progresso de escrita. Comecei escrecendo fics (como a de Piratas do Caribe que posto aqui no blog; os personagens não são meus, somente o enredo de minha própria estória e alguns outros personagens que vou criando ao longo da minha própria trama). E depois passei aos livros — uma tarefinha difícil e desgastante, tenho de dizer. Mas é tão satisfatória que, bulhufas, dane-se o resto. É ainda mais interessante quando cria-se um vínculo com seu próprio personagem. No caso, ando tentando — porque, raios, esse homem é um desgaste que só — continuar a estória narrada por Jack Miller (Dr. Professor Jack Howard Miller), um psicopata. Opa, opa, opa; aí temos um pontinho muito sensível de se tocar. Envolve suspense, terror, sexo, mutilação de cadáveres, assassinato, álcool, drogas, alucinações, explosões e uma mente sádica, sarcástica, insensível, impassível, terrorista, fria, calculista e sexy narrando. Tratando-se de uma estória assim, é claro que ela é delicada. Não pode-se escrever qualquer coisa, principalmente quando o objetivo é alertar as pessoas comuns (os leitores, no caso) de que os psicopatas são exatamente da maneira que o Jack é: lindos por fora, podres e fascinantes por dentro. Então eu não posso escrever um capítulo em que Miller mate uma pessoa à sangue frio, e no outro já digo que o homem tem qualquer tipo de sentimento, ou escrever qualquer frase que contradiga tudo o que já escrevi. É desgastante? É. Precisa de pesquisas? É claro. Sempre precisa. E como meio de pesquisas, podemos já usar: filmes, livros, reportagens, revistas etc. Eu comprei o livro Mentes Perigosas, que ajudou-me muito de início, e também ando assistindo a inúmeros filmes (O Silêncio dos Inocentes foi como um clarão para meus olhos. Hannibal ajudou-me muito mesmo a traçar um perfil psicológico ao Jack. Não é como copiar e colar o perfil do Lecter em minha estória, mas usá-lo como exemplo ao personagem que sofre de psicopatia) e comprando várias revistas com matérias tratando sobre o assunto.
Eeeenfim. O post não é para falar sobre Psychopath (se o povo que lê o blog [se houver alguém que leia mesmo esse maldito blog HAHAHA] quiser se manisfestar e pedir mais coisas sobre Psy’, eu escrevei um novo post de bom grado) e sim sobre ler e escrever.
Aí eu expliquei tudo isso ao garoto. Escritores, filmes, revistas, jornais… Exatamente tudo o que se vê e lê influencia na hora de escrever. Mas aí se você não vê nem lê nada (além de ler um gibi de vez em quando ao ir ao banheiro, o livrinho que a professora pediu resenha ou aquela série que você vê só por ser cool e não entende patavinas sobre, ou pesquisa qualquer coisa sobre, ou tenta ao menos entender…), como é que vai saber se existe ou não um livro que vá gostar? Como é que vai se aventurar nessa maravilha de mundo que é criar o seu próprio universo, seus próprios personagens e fazer com que, raios, dessa vez o final dê certo da maneira que você deseja? Não há como saber. E nunca se saberá se continuar assim. Essa é a resposta.
E sabe o que o colega respondeu?
“Tenho preguiça”.
Ó, PELO AMOR DE POSEIDON!
A única coisa que posso dizer para ajudá-lo é: LEVANTE O CU DA CADEIRA, VÁ A UM SEBO, COMPRE UM BENDITO LIVRO E LEIA! Se não gostou? FUCKING SEVEN HELLS, COMPRE OUTRO! PEGUE OUTRO EMPRESTADO! LEIA! NÃO GOSTOU? FAÇA DE NOVO, E DE NOVO! Um dia você vai achar. E, quanto mais ler, mais vontade terá de escrever, e pode ser aí que você ache um livro adequado: o seu.
Mas se continuar aí sentadinho numa boa… Nada vai acontecer. E se continuar zoando com a cara do “CDF”, que na verdade, é apenas mais um leitor, porque ele… tirou um dez em uma redação ou em qualquer outra avaliação… Bitch, please. Você também pode. É ridículo zoar com uma pessoa só porque aparentemente ela é mais inteligente que você. Completamente ridículo. Ninguém gosta desse tipo de comportamento.
E é claro: escritores são sexy. Bitches love writers. Só uma dica.
Atenciosamente,
Franciele Ramos (a Ane).

