Depp, DOSSIÊ

Dossiê Depp — O Antes e o Depois

(ou nem tanto)

Escrito ao som de Truth, Diseased, Fake It, Country Song e Your Bore, todas da banda Seether. E outras.

(Nota inicial: esta é a minha opinião. Se você não gostou, ou concorda com exatamente tudo — ou discorda de algo —, comente. Exponha a sua opinião.)

Momento “cogitações pré-artigo” #NãoODeppNãoPrecisadeUmaMaquiagemDeTravecoPraFazerUmTrabalhoPutamenteBom

NO QUE VOCÊ pensa, primeiramente, quando dizem-lhe o nome Johnny Depp?

Antigamente, podíamos pensar em um ator com princípios levantados a partir de sua vivência e modo de pensar; um ator que expunha-se ao público da maneira como era, livrando-se de estereótipos e dizendo um grande dane-se! para toda a sociedade hollywoodiana. Este era o antigo Depp — o que ficou para trás há dois anos e meio.

E o que sobrou? Um monte de ossos dentro de um saco — e talvez um pingo de dignidade.

É claro… que… Ponho-me a cogitar, a todo instante, o porquê de tudo isso. O que, raios, aconteceu, para um dos meus maiores ídolos — e quem sou eu para mentir descaradamente a você, leitor, dizendo um? Diabos, é o maior — simplesmente desmoronar de uma maneira colossal.

Alguns podem ver como uma fase. Eu vejo como decadência. Pura, simples e infame decadência. Algo notável aos críticos — até mesmo às pessoas minimamente críticas —, aos fãs — os sensatos; os vilões cruéis.

Somos de fato vilões aos olhos de quem aprecia, ainda, os filmes que Depp anda nos dando;

(bilheterias estouram; qualidade cai aos pés e cérebros derretem-se)

os últimos como Piratas 4 e O Turista envergonham-me profundamente, enquanto selvas de

(desculpem-me),

alienados, gastam seus últimos tostões para uma sessão de autotortura de mais de duas horas, assistindo a um filme que está corrompendo seu senso e manipulando-o completamente; alienação. Manipulação de massas — o objetivo de seus últimos filmes.

Quando eu cito manipulação de massas, logo eu quero dizer que antigamente Johnny Depp não interessava-se por isso — basta assistir ao filme O Libertino e notar a diferença berrante e abissal no quesito qualidade e estou me fodendo para o que esses putos hollywoodianos e pessoas alienadas do mundo pensam sobre meus filmes.

Eu… vejo O Libertino e sinto duas emoções distintas: paixão e ódio. Por quê? Sinto falta desses tempos pré-bobagens. Pré-decomposição pública. Em que valia a pena perder duas horas de meu tempo vendo a uma obra-prima memorável… e surpreendente que é O Libertino. Questiono-me até hoje se as pessoas realmente entenderam a essência deste filme; sua magnitude.

(Explicar O Libertino seria tema para outras discussões. Esta não é a questão…)

O Libertino, sua melhor obra, Depp. E diria que A Janela Secreta viria logo atrás — no máximo algumas polegadas atrás; não mais que três ou quatro.

Mort Rainey, um de seus personagens mais complexos. O mais complexo.

John Wilmot — Rochester! —, um dos mais admiráveis e maravilhosos. O mais admirável e maravilhoso.

Johnny acabou caindo no abismo do ser ou vender; dentro de sua mente, essas duas questões se confundem, e o homem acaba por ficar piradinho — e estou aqui para falar sobre a carreira em si; a vida pessoal sempre foi uma coisa louca. Não se trata disso. Até mesmo porque desde dois mil e dez ele não vem fazendo nada que valha realmente a pena.

Outrora podíamos vê-lo dizer que nunca faria um filme por dinheiro. E ano passado ele soltou a bela e contraditória pérola, explicando o porquê de ter feito Piratas do Caribe 4:

— Fiz para garantir o futuro financeiro dos meus filhos”;

Hipocrisia à parte, percebe-se que o antigo princípio de não se tornar uma simples e pura ameba lucrativa de Hollywood foi jogado aos quatro ventos. Por quê?

Uns dizem que Johnny Depp finalmente sentiu o gostinho da fama e sucesso em excesso. Isso causa probleminhas psicológicos, alguns distúrbios de personalidade? Bom, ninguém pode saber. O que todos têm certeza é de que algo está muito errado no meio dessa bagunça, e alguém deveria explicar-nos o que está errado.

Outros dizem que a vida pessoal afetou a profissional — e não é exatamente o contrário? Claro que é.

O que não me conforma é ver um ator realmente competente vendendo-se aos estúdios por uns punhados de [milhões] dólares. Quem não se venderia? Aquele dinheiro verdinho na sua mão. As pessoas gritando loucamente seu nome, pondo-te num pedestal, chamando-te de deus. Não que seja exatamente assim — mas que existem pessoas assim, sim.

No meio de toda essa loucura de blockbusters, ele decidiu o quê? Lançar um filme baseado numa obra homônima de Hunter S. Thompson (The Rum Diary, ou em português, O Diário de um Jornalista Bêbado) — le fodalhão. A questão é que só os deuses entendem Thompson, e olhe lá; ou seja, não é o que o público deseja: uma obra complexa, complicada, diferente.

Resultado?

Fracasso de bilheteria.

E o que o Depp fez?

Xingou os americanos de burros. Sendo um também.

Sabe lidar com o sucesso, e com o fracasso? Antigamente, ao menos era mais sutil. Ao menos dizia que gostou, mesmo assim, de ter feito O Libertino, mesmo com o fracasso no quesito “vendas”. Porque, no atuação, nota dez. Quem liga pra vendas?

Obviamente, os estúdios.

Johnny Depp ainda não sabe separar estúdios de atores. Os atores fazem seu trabalho; se atuam bem ou não, é problema dos atores. Quanto às vendas, dos estúdios. Isso, na minha opinião — muitos podem discordar.

E, também, Johnny não entende que hoje, com dinheiro enfiado até no… banco do carro — olá? —, ele não precisa ficar fazendo blockbusters.

Johnny precisa de um personagem que o deixe alerta. Que exija o melhor que ele tem. O melhor de si. Um personagem complexo psicologicamente, e é claro: que se pareça com qualquer pessoa do mundo. Porque, cá entre nós, ninguém aguenta mais ver seus filmes sem nem ao menos reparar quem ele realmente é. Ninguém aguenta mais essas aparências extravagantes, esses personagens de físico ridículo — ah, mas isso não conta; o que conta é a atuação.

Uh, sim. É claro.

O problema é que até a atuação está um lixo.

Vamos analisar um personagem em questão, famoso pacas, esquisito e ainda assim, bem trabalhado.

Jack Sparrow.

Mas, antes de virem falar de Piratas 4, eu vou deixar bem claro: o Jack Sparrow dos dois primeiros filmes. Porque durante At World’s End, a coisa começa a desandar. Por quê? Na minha opinião foi o roteiro em si, que modificaram à beça e… O tempo. At World’s End foi gravado em um intervalo muito curto de Dead Man’s Chest. E isso não foi nada legal pra franquia.

No primeiro filme, nos deparamos com um personagem relativamente novo. Nunca vimos algo do tipo antes. Um pirata louco, um pouco filósofo e… é claro. Protagonizado por Johnny Depp. Numa franquia da tão adorada e infantil Disney. O que é isso? Será que a produtora de filmes infanto-juvenis está finalmente perdendo a meiguice de sempre? Depp apostou, então, nesse personagem. Deu certo. Até o terceiro filme.

Porque, do terceiro em diante, a coisa ficou chata. Já não havia mais aquela coisa nova para se ver. Somente Jack Sparrow pulando de umas paredes… Salvando o dia, aye!

E isso só encanta a crianças e umas pessoas por aí. A maioria que viu PotC4 não gostou da maneira que gostaria de ter gostado.

Eu não gostei. Obviamente. Mas o artigo é sobre o Depp, e não sobre questões dentro do filme em si. Vamos em frente.

Analisando Jack Sparrow, vemos que sua atuação é quase impecável. Nunca deu tanta vida a um personagem e tornou-o num ícone, num símbolo, quanto deu e tornou Jack Sparrow. É CLARO que a aparência não conta. No entanto, depois que só se aposta nesse tipo de personagem, vira-se o quê?

UM ESTEREÓTIPO.

E, CARALHOS, tem algo MAIS CHATO DO QUE ISSO?

“— Johnny Depp? Vish, aquele carinha que só faz personagem esquisito!?

É EXATAMENTE ISSO QUE ACONTECE. É injusto, chato pra caramba. Até mesmo porque o Johnny existiu antes de PotC. Existiu antes dessa merda de modinha surgir.

Ainda no quesito personagem esquisito, eu recomendaria Ed Wood. Depp vestido de Odalisca. Tem algo mais incomum que isso? Filme de 1994, dirigido belamente por Tim Burton — e não. Eu não babo ovo no Tim. Até acho que os dois tinham que parar por alguns bons anos com essa parceria e seguir em frente, cada um com seu caminho em Hollywood.

O que mais irrita? Saber que ele fez ótimos trabalhos pré e pós-PotC e… as pessoas ainda chamam o cara de Jack Sparrow ou de Mr. Esquisito. Senhor Egocêntrico. Excêntrico Depp.

Fato disso é que uma amiga viu uma foto do personagem de A Janela Secreta — Mort Rainey — e não reconheceu o Depp. Ela insistiu e disse que não poderia ser ele; estava muito diferente.

Não. Está normal. O que é diferente é o Chapeleiro Maluco. O que é diferente é a versão abaitolada do Depp para o Barnabas Collins. Mistura de Edward Cullen com Justin Bieber, também? Que droga, Depp. Que droga.

E nem venha colocar a culpa no Tim. NISSO, o Depp tem total culpa. Porque ele fumou maconha, injetou, cheirou, comeu muita droga vida à fora e é muito louco, e tem umas ideias muito loucas também.

Do que ele precisa?

De um punho firme. Um diretor casca-grossa, um personagem complexo e um enredo fodalhão. Ele precisa se esquecer dessa ideia de ícone, se esquecer de blockbusters e investir no real talento que tem. O de atuar belamente sem precisar se esconder sob um personagem estranho. Porque a beleza da atuação é essa: ter uma coisa simples em mãos e torná-la magnífica. Sem precisar de efeitos especiais e sem precisar de gente histérica gritando que o Jack Sparrow é mais engraçado. Porque ninguém diz que o Sparrow é bem trabalho, diz?

[Acontece a mesma coisa com o Jim Carrey. Acho um absurdo, também]

E de alguém que dê um tapa na cara dele.

Pode-se ler como “um incentivo”, e também como a agressão física mesmo. Esse homem precisa de uns belos tapas.

Ah, se precisa. Eu daria, o problema é a distância.

Agora, como disse no começo do artigo: ESTA É A MINHA OPINIÃO. MUITOS discordam. Muitos me mandarão ir pra puta que pariu. Tô sambando em cima de vocês!

Isso é mais que uma opinião. É um tapaço na cara da sociedade. Porque, raios, pelo menos uma fã nesse mundo tem que ter uma opinião semelhante a mim. Uma fã. Um fã. Alguém. Porque um cara tão bom estar no lixo em que está, isso só pode ser macumba. Armadilha de Satanás. Exú. Encosto. Problema. ALGUMA COISA TEM de estar errada. Resta descobrir.

Resta esperar.

Mas eu imploro, nesse meu sussurro no meio de bilhões de vozes:

Depp. Pare com isso. Volte pro seu caminho de luz e seja o que realmente é. Não uma imagem. Um idiotinha. Mas um ator foda. Porque, você é. O problema é que também é…

um Maria-Vai-Com-As-Outras.

Atenciosamente,

Franciele Ramos (a Ane).

II – Pesadelo #FICSPARRA

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Pesadelo

ELA ESTAVA SENTADA em uma pedra-cascalho muito alta. Os joelhos apoiavam-se contra o peito e via-se nitidamente lágrimas percorrendo um caminho úmido e triste de seus olhos até o queixo, onde deslizavam para suas mãos. Os dedos apertavam a carne das pernas e os soluços ecoavam na imensidão. Estava em uma ilha — era perceptível, por conta do mar, da pedra e da areia mais embaixo; ao longe podia ver árvores e mais árvores, árvores típicas de ilha, mas aqueles não eram os trópicos; era uma ilha asiática, tinha quase certeza — e não gostava disso; queria ir embora e podia vê-lo em seus olhos. Estava em um estado cruel de nostalgia e, só de olhar, dava pena e angústia. Os cabelos outrora vívidos e dourados caíam em um loiro opaco e sem graça, apenas ondas amareladas sobre as costas extremamente magras e sobre o vestidinho puído que lhe cobria o corpo. Os pés, sem botas, pararam de sangrar há um tempo — acostumaram-se com o terreno arenoso e áspero daquela ilha e desde então não lhe incomodaram mais. No entanto, ainda doíam de vez em quando, e aquilo a deixava ainda mais exausta.

Levantou-se da pedra e caminhou um pouco para frente; repentinamente chorava mais e mais; um choro incessante e forte, os soluços cada vez mais altos e a respiração tornava-se cada vez mais dificultosa.

Olhou para baixo e teve vertigem. Era muito alto de onde estava e lá no mar havia rochas pontudas e quiçá afiadas.

Uma dor apossava-se de seu coração e a angústia a também a dominava. Não aguentava mais aquela situação: viver naquela ilha nunca fora opção. Por que tinha de aguentar tudo aquilo? O que raios fizera para merecer tanto desprezo, tanta tristeza e tanta dor?

Há semanas vinha planejando o que faria.

Um barco, talvez, se forças reunisse. Mas para quê? Nunca mais voltaria a ver um rosto conhecido, nunca acharia alguém que a amasse realmente e não tinha vontade de viver. Queria morrer; afundar nas profundezas do oceano e ter finalmente sua liberdade. Queria ser livre de tudo o que a prendia àquela ilha, àquela vida.

Queria morrer.

Foi então que inclinou-se para frente e deixou-se levar; o corpo então estava leve e flutuando como uma pena. Ela fechava os olhos e sentia o vento contra o rosto, um sorriso sem emoção brotando nos lábios; ela estava preparada para o baque contra a água e contra as rochas. Não seria doloroso, ela não sentiria muito; logo estaria inconsciente e morta.

Então, antes de chocar-se contra o mar, proferiu as palavras: você me matou.

E depois veio a escuridão.

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— NÃO! — Ele gritava, as órbitas arregaladas e o suor escorrendo por suas têmporas. O peito subia e descia com a respiração acelerada e ofegante, assim como o pomo-de-adão movia-se incessante e frenético. — NÃO! — Respirou profundamente, tentando acalmar-se. Passou a mão na cabeça e logo depois no rosto, secando um pouco de seu suor. Esfregou as palmas das mãos nos olhos e abriu-os, dando-se de conta de onde estava e o que antes fazia.

Adormecera e tivera um pesadelo com ela. Talvez um dos piores; nunca, em seus sonhos, ela havia morrido. Sentia-se péssimo e irritadiço.

— Eu não a matei — dizia, sério, respondendo ao que ela havia dito. — Não matei você; você se matou. Foi embora… — recostou-se à cabeceira da cama próxima à parede de sua cabine. —… você… droga! — Soluçou e deixou uma lágrima escorrer. — ESSES MALDITOS SONHOS!

Não sentia-se o mesmo homem desde que ela fora-se. De alguma forma, sentia-se vazio e solitário, mesmo que o tempo que passara com ela não fora muito longo; meses? Nem mesmo meses passara com ela e alimentava aquele sentimento. Passava dias pensando nela e noites sonhando com ela. Aquele pesadelo fora horrível, e àquela altura sentia-se horrivelmente péssimo. A garganta implorava por um pouco de rum e as pernas tiravam-no da cama e levavam-no até o baú onde escondia algumas garrafas.

Ainda havia lágrimas nos olhos e ele sabia que se não as deixasse sair, ela tornariam a voltar mais tarde, e depois, e depois. A porta de sua cabine estava trancada; certificou-se de que a chave ainda continuava pendurada ao pescoço por uma corda feita de sisal. Sentou-se novamente na cama e abriu a garrafa, dando um longo gole e sentindo os tecidos de sua garganta arderem e tornarem-se cálidos.

Ele até poderia se dar ao luxo de querer morrer. No entanto, aquela era a última coisa que desejava.

Sabia onde ela estava. Sua bússola ajudava-o muito, e o senso de direção que sempre teve ajudava mais ainda. Era aquela ilha, com que sempre sonhava. Talvez fossem visões, mas, por Poseidon! Aquilo devia ser obra de Calypso, ou o que mais poderia ser? Não era de acreditar em visões — mas deveria, visto as coisas que já presenciara em vida e no Fim do Mundo, onde ocorrera maior parte de seus devaneios —, porém, e se aquelas fossem? Então teria de encontrá-la o quanto antes, ou quando chegassem à ilha, já estaria morta. O que sobraria seria apenas o corpo gélido entregue às águas do mar.

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Mr. Gibbs — sussurrou ele, logo após sair de sua cabine. A noite ia alta, por suas contas, deveria ser duas ou três da manhã. Gibbs tomava conta de seu estimado Pérola; à proa, observava a escuridão ônix do mar e cantarolava uma canção pirata que aprendera ainda jovem.

— Sim, Capitão?

— Acha que ainda demoraremos a achar terra? — Jack segurava a bússola e olhava-a com uma atenção mórbida.

Gibbs sentiu um calafrio com a pergunta. O tom de Jack parecia um misto de ansiedade e angústia, e ele não tivera coragem o suficiente para indagá-lo o porquê.

— Se os ventos colaborarem, não. Mas, sabe, os deuses estão contra nossa vontade.

Deuses. Malditos deuses — praguejou, fechando a bússola com violência e colocando-a no bolso. — Tive um sonho, Gibbs — suspirou. — Creio ter sido uma visão. Muito real, de fato. Sinto-me mal até agora.

— Envolve a Rei?

— Com toda certeza envolve. Desde que ela se foi, meus sonhos são um misto de memórias… e sonhos com ela. Pesadelos ou às vezes as alucinações mais cândidas que um homem já pôde ter. — A isso, deixou escapar um sorriso terno nos lábios. — Infelizmente, são apenas sonhos. E serão apenas, até que eu a encontre.

— Capitão — pigarreou Gibbs, e depois respirou profundamente. — Se permite-me a intromissão…

— À vontade.

— Como descreveria seu último sonho? Ouvi gritos, vindo de sua cabine, imagino que…

— Foi um pesadelo. — Jack respondeu. — Ela suicidava-se, Gibbs.

Gibbs contorceu os lábios e arqueou as sobrancelhas.

— Santa mãe de Deus! — Fez o sinal da cruz. — Não, Capitão; não fique assim — sorriu gentilmente. — Foi… somente um pesadelo. O Capitão não deveria sentir-se mal. Isso seria infortúnio para você, e para o restante da tripulação.

Mr. Gibbs, você não sonhou o que eu sonhei. Se visse a expressão dos olhos dela, entenderia. Sinto calafrios só de lembrar — recostou-se à amurada, ofegante. — Temos de encontrá-la o mais rápido possível.

— O Capitão teme que sejam visões? — Gibbs o observava, o rosto em uma sombra taciturna. Os lábios estavam comprimidos em uma linha rígida e fria.

— Meu caro amigo, já deparei-me com as coisas mais bizarras, inacreditáveis e inverossímeis deste mundo. Não me surpreenderia se estes sonhos, tão reais, fossem visões. Por isso lhe digo que, quanto antes a acharmos, melhor será. E então ela estará a salvo.

Gibbs silenciou-se por alguns instantes.

Jack fitava o mar negro à sua frente. As ondas viam e iam, chocando-se contra o Pérola. O balanço o reconfortava, no entanto, a ideia de que Elizabeth poderia estar em perigo o deixava, agora, completamente incomodado. Irritadiço, bufou e fechou os olhos. Tentava lembrar-se de detalhes daquele sonho. Ela estava em uma ilha, parecia o Pacífico — então estavam no rumo certo. Ah! Sua bússola não falhava, principalmente quando Jack tinha certeza do que mais queria. Ele a queria. Não desejava mais nada se não ela.

Sentia-se dividido. Culpava-se por tê-la deixado ir. Ao mesmo tempo em que dizia a si mesmo que não poderia tê-la impedido. Ou poderia? Só saberia se tivesse tentado, e agora já era tarde demais.

Ele ainda lembrava-se da expressão no rosto dela. Um misto de tristeza e esperança? Ele próprio ostentava aquelas emoções na própria face. Entretanto, Jack Sparrow não poderia deixar transparecer seus reais desejos e sentimentos. Aquilo não lhe era permitido, ou perderia todo o respeito que conseguira conquistar durante os anos que se passaram.

O homem que não amava nada além do mar e a ele mesmo.

Fechou os olhos e suspirou. Tateou o bolso interno de seu espesso casaco, enfiando os dedos delicadamente nele. Puxou um papel fino de lá. O papel estava dobrado em quatro partes. Ele o abriu cuidadosamente, certificando-se de que nada poderia molhá-lo ou estragá-lo. Sorriu, fitando os traços em carvão sobre o papel. Eles formavam aquela visão única. Lembrava-se de quando os fizera.

Se havia algo em que era realmente bom, era naquilo: fazer retratos. O pai dizia que aquele dom fora-lhe dado pelos deuses. Jack apenas sorria e dizia que era mais um passatempo.

Desenhara Elizabeth na noite em que ela dormira em sua cabine, quando a vira pela primeira vez, depois de fugir de Port Royal. Usara carvão e papel, apenas, pois eram as únicas coisas que tinha à disposição.

E ela dormia feito uma criança sobre a cama pouco macia de sua cabine. Parecia exausta, abraçada a um travesseiro, a expressão serena de quem dorme tranquilamente estampada em seu rosto. Os lábios escarlates estavam púrpura quando Jack a cobriu com uma das cobertas que guardava no baú aos fundos do quarto. Retirou-lhe o cabelo da face, colocando-o atrás de sua orelha. Elizabeth moveu-se, não mais que alguns centímetros, e logo depois aquietou-se. Repentinamente, Jack Sparrow notava que aquele momento deveria ser único. Uma bela dama, moça jovem ainda, deitada em sua cama, e ele nem mesmo tinha coragem de deitar-se ao lado dela. Notou que a respeitava como não respeitava a mais ninguém. A única com quem era lhano a maior parte do tempo. E como poderia ser? Conhecia a menina tão pouco, mas de certa forma, ela lhe transmitia segurança para contar-lhe os segredos. Naquele momento, Jack sorriu como nunca; como um garoto que acabou de ganhar sua primeira espada e deixou de ser chamado de rapaz para ser chamado, finalmente, de homem.

Jack lembrou-se dos papéis e carvão que tinha. Pegou-os e a desenhou, delineando cada um de seus traços delicados, a boca que agora retornava ao tom original escarlate, o nariz um tanto afilado, os cílios espessos, as sobrancelhas um pouco mais escuras que os fios dourados que cobriam-lhe agora as costas. As bochechas rosadas. O pequeno risinho no canto direito dos lábios. Depois guardou o carvão e o restante dos papéis. E aquele ele dobrou em quatro e guardou-o no fundo de seu baú.

Quando estava no Fim do Mundo, naquele maldito Baú de Davy Jones, aquele desenho era seu único companheiro, além das aberrações que eram as suas visões e suas cópias neuróticas e psicóticas.

E talvez agora aquele desenho continuasse sendo sua única companhia, apesar de Gibbs, apesar de toda a tripulação — apesar de ter todos aqueles navios, que raptara de Barba Negra.

Agora, nada daquilo importava e, mesmo que a contragosto, ele admitia que tudo o que tinha de mais precioso era aquele desenho.

Jack levou o desenho até os lábios e depositou um beijo sobre o papel. Observou-o novamente e logo em seguida, guardou-o no bolso interno de seu casaco. Puxou, do bolso que ficava abaixo daquele em que guardara o desenho, sua bússola. Abriu-a, resoluto.

Mr. Gibbs — soou ele, virando-se para Gibbs, que estava sentado nas escadas do convés. — Nós temos um curso!

Premiere. Ou não. Enfim. É uma bosta de qualquer forma essa fic…

Atendendo aos inúmeros pedidos (NOT) de mais posts, decidi postar uma fic antiguinha minha, só para o entretenimento dos meus vários (HAHA, NÃO!) leitores!

Eis-la:

1

Keira olhava para o público ao redor. Os fotógrafos estavam lá, junto aos fãs e repórteres. Ela apenas não notava que estava sendo observada por mais uma pessoa, em especial.

James segurava sua mão fortemente. Ele, ao invés dela, havia notado Johnny Depp fitando-a intensamente, parecendo não se importar com as outras pessoas ao redor. Bem, Vanessa não estava ali.

Keira sorria quando James a puxou para mais perto, o que causou uma breve irritação em Johnny, porém, nada muito demorado. Ele sabia que se expusesse suas emoções ali, tudo daria errado. Tudo.

James sussurrou algo no ouvido de Keira. Johnny deu alguns passos, chegando perto da grade de segurança a alguns centímetros do tapete vermelho que haviam jogado no chão. Esfrie a cabeça, Depp, pensou, autografando o caderno de uma de suas fãs; a fã mais histérica, no mínimo, cogitou ao vê-la chorar e mandar-lhe um beijo. Ele deu um meio-sorriso, fingindo estar contente com a situação. Depois riu, seco, ao observar outras fãs atrás daquela. E o sorriso-falso que havia formado em seus lábios definitivamente desapareceu ao se virar e encarar James abraçando Keira e roubando-lhe um beijo.

Está fazendo isso para me provocar, não é?, disse Johnny, mentalmente. Provocando-me, Keira Knightley… Sabiamente. E depois riu.

Quando James se afastou, Keira o notou. Percebeu imediatamente que ele a observava, tão descarada e raivosamente quanto se podia notar; tão descarada e raivosamente, apenas com o olhar. Poderia até mesmo ver faíscas, ou eram apenas obras de sua fértil imaginação.

James puxava Keira pela mão, levando-a para dentro do salão onde iam começar a pré-estreia de Modernity.

Vamos, Keira!

Espere. Eu ainda não dei autógrafos!

Dê depois — James parou, olhando-a. — Não ouviu? Vamos logo.

Isso está me dando nos nervos!, Johnny pensava. Droga. Não posso nem socar a cara desse filho da puta. Estralou o maxilar e respirou fundo. Acalme-se. Você pode interferir… Civilizadamente. E ah, você pode sim socar as fuças desse filho da puta. Pode sim. E certamente socará se ele continuar agindo assim com a Keira. A sua amada Keira Knightley.

Johnny aproximou-se deles.

Cuhun — pigarreou, começando a falar. — James, dê um tempo a ela. Keira só quer ser um pouco atenciosa com o pessoal que está aqui, gritando e se matando por estar aqui. — Sorriu. — Acho que seria uma ótima recompensa, não? Algumas fotos, alguns minutos com o ídolo. Às vezes isso revigora uma pessoa e lhe dá até mesmo esperanças… — Que merda é essa, John? Esperanças? — Uh?

Não. Quero ir lá pra dentro, agora.

Mas… — Johnny se aproximou mais. — Acho que você realmente irá dar um tempo a ela — engrossou a voz, semicerrou os olhos e continuou, falando entre dentes. — Não é?

John, pare com isso. — Keira pôs-se entre eles. — Acalme-se. Sim, Jamesme dará um tempo, não é, querido? — Ela perguntou, tentando soar doce.

Sabe o que eu acho? — James riu secamente. — Que ele está se intrometendo na nossa vida!

Bem, dar palpites é se intrometer? — Johnny sorriu. — Eu apenas pensei que você a estivesse irritando. E de fato está.

Pare de se intrometer, Depp! Ouça bem o que estou falando…

Estou ouvindo, não sou surdo… — Suspirou. — Veja, sou míope, não cego… Muito menos surdo. Escuto muito bem. Aliás, escutei e vi o modo com que a tratou. Achei isso ridículo. Ela só quer dar uns autógrafos, é uma das funções de atores de verdade

O que quer dizer com isso? — James franziu o cenho.

O que você entendeu. Se entendeu, é claro.

Ora, não vão brigar aqui, vão? — Keira murmurou. — Pare com isso, James… Johnny, deixe ele. Não… Ele não fez por mal…

Não, ele fez sim. — Johnny a fitou, ternamente. — Kei, ele está te irritando. Posso ver nos seus olhos que está…

Quanta doçura! — Disse James. — Parem os dois com isso. Estou farto! Vamos AGORA, Keira, lá pra dentro!

Johnny fechou os olhos e respirou profundamente. Abriu-os em poucos segundos, fechando a mão direita em punho.

Não, Johnny, fique calmo! — Keira segurou-lhe o braço. — Calmo! Por favor… — Deslizou a mão por seu braço, acariciando-o, tentando acalmá-lo.

Keira! — Começou ele, com expressão perplexa. — Ele está… te humilhando! Ora! Não, não peça para que eu fique calmo, porque eu definitivamente não vou ficar!

Não é isso — ela sussurrou. — Não vê que estamos cercados de fotógrafos?

Foda-se! — Exclamou ele. — Fodam-se os fotógrafos, Keira. James está te tratando mal. E isso não é bom. Eu não gosto disso.

Vamos agora, Keira. Agora. — James agarrou-lhe o braço direito. — Escutou? Vou ter que arrastá-la?

Johnny fitou-a nos olhos. Não se rebaixe assim, amor. Você não é assim. Nunca se rebaixaria dessa forma…

Eu… — Olhou para James. Logo depois para Johnny. Resoluta, respondeu, soltando-se da mão de James e aproximando-se de Johnny. — Não quero ir, James. Não preciso te obedecer. Aliás, ninguém manda em mim…

Deve estar brincando… — Ele começou a rir. — Você é louquinha por mim — riu mais alto. — E está dando ouvidos a quem mesmo? Ao Depp! Ora, ontem você disse que ele era insuportável…

Não, eu não disse isso.

Johnny riu. Entendeu perfeitamente o significado de insuportável.

Claro que sou insuportável, sorriu, pensativo, ainda mais se estou sobre ela. Insuportável, não é? Quem me suportaria? Quase oitenta quilos sobre um corpo. Ninguém.

Disse sim. — James olhou para Johnny. — Por que está rindo?

Nada. — Johnny respirou fundo. Coçou o nariz e tossiu. — Keira, pode dizer. Eu sei que sou insuportável… — Disse, quase ronronando, próximo ao seu ouvido.

Ora, John… — Ela sorriu. — Hey! Afaste-se um pouco.

Hunf. Quer ficar aqui? Fique, então.

Ora! Obrigada, James, por ser sensato uma vez em sua vida! — Keira disse, zombeteira. — Muito obrigada, aliás.

James virou-se, bufando. Entrou no salão onde seria iniciada a premiere, deixando-os lá fora.

Mmm… — Soou Johnny, bem próximo a ela.

O quê?

Você… Está usando Chanel Nº 5? — Ele sorriu, respirando fundo, inalando o aroma adocicado que vinha de Keira.

Estou sim… Por quê?

Adoro esse perfume.

Eu também — Voltou-se para ele, observando-o, quase comendo-o com o olhar. — Obrigada.

Por? — Johnny disse, apenas para ouvi-la dar-lhe a explicação.

Por ter me defendido. Na verdade, eu estava esperando você chegar.

Ainda temos que dar uns autógrafos e ir lá pra dentro — Ele fez um pequeno bico, falando em um tom de voz choroso. — Sabe, eu queria que isso passasse mais rápido… — Ficou cabisbaixo.

Se fizermos tudo isso rapidinho, passará, John. — Keira ergueu-lhe o rosto com o dedo indicador. — Não é?

Claro. — Ele sorriu outra vez. Virou levemente a cabeça para a esquerda, olhando em volta. — Bem… É melhor nos afastarmos agora, antes que comecem a desconfiar ainda mais.

Tem razão.

Johnny segurou sua mão antes que ela se afastasse completamente.

Sabe onde estou, não é? — Respirou fundo e olhou ao redor novamente. — Então… Apareça por lá depois da premiere. Quero… Festejar com você, em particular, o lançamento de Modernity.

Okay. Festejar o sucesso que será o filme, não é?

Sim. O grande sucesso…

Keira sentiu o polegar dele roçando na pele de sua mão. Voltou o olhar para Johnny, depois para sua própria mão, e notou-o acariciando-a. Um arrepio correu-lhe o braço.

Okay, John, afastar, agora — ela sorriu, puxando o braço delicadamente, dando alguns passos para trás. — Vou dar meus autógrafos. Acompanha-me?

Uhum. — Ele sorriu e esperou que ela saísse, seguindo-a logo depois.

Pararam frente às grades de proteção, sendo observados por olhos curiosos, olhos extremamente curiosos.

Algumas fãs de Johnny gritavam seu nome ou algo como “me coma” logo atrás das de Keira, que, depois de terem recebido seu autógrafo, começaram a gritar por ele também.

Helena e Tim estavam do outro lado. Tim sempre aparecia nas premieres dos filmes de Johnny, mesmo não gostando muito do gênero de Modernity.

Tim deu alguns passos até alcançar Johnny. Deu-lhe um “oi”, e olhou para as pessoas atrás das grades.

Está cheio, uh? — Disse ele. — Muito cheio, aliás.

Esqueceu que Robert Pattinson fez esse filme também? — Johnny riu. — Estão aqui mais por ele que pelo filme… Mas não é de se espantar.

Claro que não. Ele realmente brilha, não é mesmo?

Com certeza.

Mas veja só… Essas garotas estão gritando o teu nome, John. — Tim sorriu enquanto uma das pessoas ali no meio pedia para que ele assinasse uma camisa. — Espere — alcançou a camisa e a caneta hidrográfica. Rabiscou sua assinatura, uma dedicatória meio tosca e entregou a camisa à sua fã. — Pronto.

Devem estar gritando porque emagreci uns dez quilos e criei músculos aos quarenta e oito anos. Acho isso incrível. É incrível, porque eu nunca estaria disposto a ficar mais que quinze minutos fazendo abdominais ou correndo na esteira.

Vamos dizer que você está em bons tempos, amigo.

Ótimos.

Por quê? Por causa de seu físico bom? — Tim arqueou a sobrancelha esquerda.

Não exatamente. — Johnny acenou para algumas garotas e garotos. — Mas… — Começou a andar. — Eu fiz uma coisa quarta-feira.

O quê?

Vai saber depois.

Uh, que curioso — Tim arrumou os óculos, empurrando-os com o dedo indicador até que se encaixassem perfeitamente em seu nariz. — Não vai contar mesmo?

Não. Não agora. Aliás, acho que nem precisarei contar… Saberá de outra forma.

Mmm.

Até a pessoa mais importante dessa história não sabe.

Quanto mistério. E aposto que esse mistério é muito para o que você fez.

O que acha que fiz?

Bem… Se minha dedução for boa… Olhe… Vanessa não está aqui. — Olhou ao redor. — Então…

Oh. Se acha que é isso, tudo bem.

Não vai dizer se estou certo?

Não.

Você é um merda.

Sabe que estou acostumado com esses apelidos. Me surpreenderia se dissesse “você é um cavalheiro” ou “cara, você é muito legal!”…

Entendi. Isso não o afeta.

Em hipótese alguma me afetaria.

Hey, John, aqui — Keira chamou-o. — Estão implorando por uns autógrafos.

Bem — ele olhou para Tim. — Acho que tenho que fazer meu trabalho…

Vá, então. Não pelo seu trabalho. Sei muito bem o porquê de ir até lá.

Johnny sorriu e andou até onde Keira estava.

Estendeu a mão para pegar o caderno estilizado, com Mr. Bieber nas laterais. Olhou para Keira e mostrou o caderno. Ela deu uma risada e ele outra. Porém, logo depois assinou, riscando o Bieber e colocando Stupid. Fez um pequeno cavanhaque na figura do garoto ao lado do agora Mr. Stupid e entregou o caderno à sua dona.

Pegou a mão de Keira e direcionou-se à porta do salão onde estava um grande telão para a exibição de Modernity.

As pessoas apenas os observavam. Murmurinhos vindos do fundo se dispersavam, chegando às pessoas da frente, próximas — na verdade, coladas — às grades de proteção.

Nada mais que murmurinhos.

Contudo, murmurinhos que ele pôde ouvir e murmurinhos que fizeram-no contente.

Muito contente.

2

Os assentos estão marcados, Johnny ouviu o homem da produção do evento dizer a todos.

Keira soltou sua mão quando entraram no salão.

Encontraram uma ampla sala — claro, um salão —, com umas duzentas poltronas reclináveis, de estofamento bege. Ao lado de cada uma havia uma garrafa de 600ml Coca Cola — ou Fanta ou Sprite —, uma das empresas que havia patrocinado o filme; um grande pote de pipoca amanteigada; dois pacotes de M&M’s — um de chocolate ao leite e outro de amendoim —; guardanapos e canudos.

Johnny apenas ficou frustrado com os M&M’s. Adoraria substituí-los por pacotinhos de alguma balinha azeda ou marshmallows. Porém, gostara da garrafa de Coca Cola.

Por ironia — ou talvez por causa de David Frankel — Keira sentou-se ao seu lado. Estavam sentados na fileira do meio.

E, ao lado dela, James estava sentado. A cadeira ao lado de Johnny fora reservada para Vanessa, porém, como ela não estava junto com ele, Tim sentou-se ali.

James o fitava de soslaio. Pouco ele sabia que Johnny já o havia notado.

Minha percepção está incrível hoje, Sr. James. Nem tente algo, pensou.

Viu-o sussurrar algo para Keira, que sorriu forçadamente.

Vai começar!, berrou o homem da produção do palco onde estava o telão.

Todos ficaram calados.

As luzes se apagaram e as imagens começaram a ser projetadas no telão.

Primeiro o símbolo dourado da Warner Bros., depois a introdução.

Diariamente vemos notícias sobre o quanto o mundo muda a cada segundo.

E de fato é rápido o quanto ele muda, sem que ao menos percebamos.

E, quando nos damos conta, a modernidade de uma era totalmente diferente da qual a gente nasce, toma conta de nossa planeta. Não importa como, mas toma.

Mas, ainda sim há pessoas, outrora adolescentes rebeldes, que viraram adultos conservadores, cheios de propósitos e ideais.

Adultos cheios de opções — que poderíamos encaixar como “preconceitos” —, deveras diferentes da modernidade que nos ronda hoje em dia”, começou a narrativa do personagem de Johnny.

Os preconceitos são tantos…

São tão perceptíveis.

Basta parar para observar.

Com a modernidade veio a má aceitação dela. Porém, devemos refletir sobre ela para podermos aceitá-la.

Não bastar dizer que não é preconceituoso sem antes refletir sobre o que é ser preconceituoso e sobre o que pode sofrer preconceito”.

Johnny recostou-se à poltrona reclinável, refletindo sobre as palavras que ele próprio narrara.

E não importa quantas pessoas entrem neste ônibus — não importa para onde elas vão —, o que importa é que todas sofrem do fenômeno da modernidade. Sem exceções.

Aquelas que seguem a modernidade.

Aquelas que são neutras.

Aquelas que não estão nem aí.

Os adultos outrora adolescentes rebeldes.

Os adolescentes outrora crianças felizes.

A mãe que carrega o filho no colo.

O pai que vai ao trabalho.

Todos, sem exceções, estão dentro da real Era Moderna: hoje”.

Sua mão escorregou do braço da poltrona e encontrou a de Keira ao seu lado. Apertou-a fortemente.

Agora ele sabia que ninguém os vira. Estava escuro demais para que percebessem quaisquer movimentos.

Entretanto, estava feliz em poder segurar a mão dela, vendo um dos filmes em que mais gostara de atuar.

3

Johnny saíra para fumar quando o filme estava quase na metade.

Havia um jardim nos fundos do prédio, com uma piscina, balanços, árvores e anões de cerâmica.

Ele sentou num dos balanços, pegando um L&M do bolso e um isqueiro. Acendeu-o e tragou lentamente.

Por mais que tentasse parar, não conseguia. O cigarro o acalmava e dava-lhe um prazer indescritível.

Ao menos não usava — não mais — drogas, e aquela era a única da qual não conseguia largar.

Sentiu-se levemente culpado, porém, a culpa logo se foi ao que deu a terceira ou quarta tragada, soltando a fumaça, observando o céu, enxergando as estrelas ao longe — agora embaçadas, já que estava sem seus óculos.

Apalpou o bolso do casaco e tirou-os. Colocou-os, vendo tudo mais nítido.

O Ray Ban marrom-e-bege deu um tom mais sério à sua face, além de ter delineado bem seu nariz.

Estão todos impressionados com o filme. — Soou a voz de Keira atrás dele.

Johnny sorriu.

Que bom.

Ela sentou-se no balanço ao seu lado, apanhando o isqueiro de sua mão e acendendo um cigarro também.

Vejo que nenhum de nós conseguiu parar com isso. — Keira riu. — Não sei se um dia pararei.

Precisará parar quando ficar grávida. — Olhou-a seriamente. — Ou fará mal ao bebê.

Sei disto. — Keira levou o cigarro à boca. — Tanto quanto qualquer um. — Tragou.

Ela ficou pensativa por um momento. Começou a sorrir, sem motivo aparente. Johnny deduziu, então, que ela entendera o “quando ficar grávida”.

Quando eu ficar grávida, quero que o filho seja seu.

E de quem mais seria? — Ele riu. — Quanto tempo ainda pretende ficar com o James? Espero que não muito.

O tempo que precisar.

Bem, não será muito tempo.

Oh.

É sério. — Terminando o cigarro, jogou-o na lata de lixo ao lado dos balanços. — Acredite em mim

Só acho que já esperei um pouco demais. — Keira também jogou o cigarro na lata de lixo. — Não acha o mesmo? Estou farta de ver o tempo passar e nada mudar. — Levantou-se, caminhando um pouco. Parou frente a ele, olhando-o docemente. — Mas sei que um dia serei plenamente feliz.

Sente-se aqui. — Pediu ele, batendo na própria perna direita.

Keira sentou-se em seu colo.

Queria que soubesse que é plenamente amada. Não importa o que digam, apenas peço que acredite no que eu sinto.

Acha que não acredito? Posso ver nos seus olhos. — Tirou-lhe os óculos, colocando-os sobre o outro balanço. Logo após beijou-lhe a ponta do nariz.

Johnny sorriu, semicerrando os olhos.

Ergueu o rosto e beijou-a delicadamente nos lábios. Depois aprofundou o beijo, introduzindo sua língua docemente na boca de Keira.

Ela suspirou e puxou-o para si. Pouco importou-se com o homem que cortava os galhos de algumas árvores e limpava a grama logo depois. Apenas sentia falta de Johnny.

Senti sua falta, garota. — Ele sussurrou em seu ouvido. — E apesar de querer rasgar esse vestido, não posso. Não agora.

Deixarei rasgá-lo mais tarde.

Em meu apartamento, não?

Só vou ter que arranjar uma desculpa para o James não encher meu saco.

E que tal ir sem desculpas?

Como?

Fale: “Vou ao apartamento do Johnny. Não pergunte por quê. Apenas vou”.

E ele me dá um tapa na cara, claro.

Se ele encostar o dedo mindinho do pé em você, me chame. Certamente adorarei quebrar a cara desse filho da puta. E você sabe o quanto quero fazer isso, desde aquela vez que ele deixou aquele roxo no seu braço. Oh, Keira, você é muito boa.

Não queria nenhum escândalo.

Foda-se o escândalo quando um homem machuca a mulher que amo.

O homem que cortava os galhos das árvores parou apenas para observá-los.

Ele está…

Dane-se. — Respondeu Johnny. — Deixe ele sair e contar a todos. Também estou farto de esperar, Keira.

Johnny!

É. Farto.

Então por que não entramos lá de mãos dadas?

Por mim, tudo bem.

O homem sorriu, pensando, oras, dou meu salário que esse cara não faz isso!

Johnny pareceu ler seus pensamentos.

Levante-se — ordenou ele, logo após fazendo o mesmo. Pegou a mão de Keira e puxou-a para mais perto. — Vamos entrar de mãos dadas, então.

Johnny…

Não importa-se, importa?

Oh, não. Penso só o que James dirá.

Diga ele o que quiser. Minha mão certamente se fechará em punho caso ele tente fazer qualquer coisa.

Está me impressionando esta noite.

A impressionarei o restante da noite também. E espero que goste das surpresas que a aguardam.

Se forem como esta, adorarei.

Ainda bem que não apostei, sussurrou o homem que cortava os galhos das árvores.

4

Na verdade, quase ninguém os notara entrando de mãos dadas no salão — e os que notaram pouco se importaram. Pareciam de fato saber o motivo das mãos dadas ou já sabiam o que aconteceu anteriormente àquilo.

Johnny notou Tim sussurrar algo para Helena, que virou-se, sorrindo. Ele notou também a poltrona vazia de James.

Ora, começou ele, mentalmente, quando quero que esse filho da mãe veja o que fazemos, ele não está para assistir!

Keira suspirou, parecendo aliviada.

Então ela realmente estava com medo de algo acontecer. Mas por quê? Ele estava ali. Proteger-lhe-ia de qualquer coisa e, lá dentro, não havia paparazzi — ou ao menos era o que ele pensava.

Mandaria se foder se visse algum.

Quando sentou-se em sua poltrona, Tim olhou-o, sorridente.

Onde o James está? — Johnny perguntou.

Acho que foi ao banheiro. Algo do tipo. Ele saiu quando uma cena de sexo começou, sua e de Keira. Se bem que nesse filme só tem cenas de sexo suas e de Keira. — Ele riu, roucamente. — Aliás, acho que foi por isso que ele saiu.

Entendi.

Queria que ele visse? — Perguntou Tim, referindo-se ao fato de Johnny ter entrado no salão de mãos dadas com Keira.

Ah, queria. E muito. Não sabe o quanto… Mas deixe para lá. Dará certo mais tarde. Acho que 30% das pessoas que estão aqui viram. 25% delas comentarão… E desses 25, 15% irá falar na mídia. Então, tudo bem.

Quer mesmo fazer desse jeito?

Sou americano, Tim. E na América, todos são livres. — Então sorriu.

5

O filme acabou às 23h32min.

O salão ficou completamente vazio por volta de 23h45min.

James não voltara desde que saíra e Keira continuava esperando-o, do lado de fora do salão, com Johnny ao seu lado.

Ele sussurrara algo como “acho que ele está com problemas intestinais”, o que a fez realmente rir. Os dois riram por um tempo.

Não havia quase ninguém do lado de fora; alguns fãs e fotógrafos, mas nada demais.

E não apenas Keira estranhava o desaparecimento repentino de James, Johnny também achava aquilo estranho.

Não que já não estivesse acostumado com as esquisitices de James, porém, ele deixara Keira sozinha, algo que nunca faria.

Então a tese sobre problemas intestinais poderia, sim, ser verdadeira.

Mas nada nas expressões faciais de James o denunciaria; não importava como ele as fazia, para Johnny, sempre estava com cara de alguém que está tendo cólicas renais e intestinais ao mesmo tempo.

Seu irmão falaria que James tem cara de cu, enquanto sua irmã diria que apenas cara de quem chupou limão.

E John Christopher I diria: “Junte tudo isso e coloque num liquidificador. Fará a mistura da pessoa que mais detesta neste mundo”.

Johnny emitiu um riso e Keira passou a observá-lo, pensando no motivo daquele riso.

Por que está rindo?

Lembrei-me de algo que meu pai diria. Nada muito importante.

O que seu pai diria?

Você precisaria conhecê-lo para entender… — Suspirou. — Bem, se… Você juntar uma pessoa com cara de cu e com cara de quem chupou limão e colocar essas coisas num liquidificador, logo terá a mistura da pessoa que mais detesta neste mundo. — Disse, em tom sério, a sobrancelha esquerda erguida de forma peculiar.

Ele se moveu e uma mecha de seu cabelo caiu sobre seus óculos; ao longe observou o dito James saindo do prédio.

Olhe lá. Parece que ele finalmente desocupou o banheiro masculino… Ou o feminino. — Sussurrou as últimas palavras, já que James estava próximo o bastante para escutá-las.

Agora estava.

Vamos Keira? — Perguntou James.

Johnny a observou por um instante; no olhar, uma ponta de “por favor, eu imploro que faça o que pedi”, enquanto respirava pesadamente. Virou-se e encarou James.

Não.

O quê? — James indagou, a voz afinando estranhamente. Em um tom agudo, continuou: — De que raios está falando?

Johnny sabia que se James se atravesse a dar um passo ou fechar a mão em punho, a sua estaria fechada trinta segundos antes, ou mais; e então lhe daria um belo soco no nariz. Certamente o quebraria. Essa era uma das vantagens de começar a praticar Boxe.

Eu… Vou para o apartamento de Johnny. Não pergunte por quê. Eu vou.

Mas que merda é essa agora?

Você… me tratou tão mal hoje… James, quero um tempo.

E então vai para o apartamento do Depp, como se não tivesse uma porra de um tostão no bolso? — James riu, zombeteiro. — “Oh meu Deus. Eu vou dar um tempo no meu re-la-cio-na-men-to e vou pra casa do Depp!!” — Berrou.

Cara, você tomou chá de cogumelos? — Perguntou Johnny. — Sinceramente, nunca vi um homem tão louco assim desde que vi um amigo tomando chá de cogumelos. — Disse ele, calma e seriamente.

Não, merda! Eu não estava tomando chá de cogumelos!

Então pare de agir feito um bocó! Parece uma criança de cinco anos que perdeu um doce no parque! — Johnny sorriu, olhando-o. — Olhe para si mesmo, James… Veja como grita feito uma menininha louca! Não estou sendo sarcástico — okay, posso até estar —, mas… Pare e reflita sobre o que você está fazendo. Keira lhe deu uma razão para o tempo. Não tem que lhe dar razões sobre o porquê de ir ao meu apartamento.

Você simplesmente estragou a minha vida. — Soou James, rancoroso. — Simplesmente estragou!

Quero que saiba que eu já estava antes na vida dela. Não importa o que diga; o que ela e eu temos em comum começou antes da sua patética introdução na vida de Keira Knightley.

James calou-se por um momento, não mais que alguns segundos.

Dá-se por vencido, não? — Perguntou a Johnny.

Keira apenas os observava.

Vencido no quê? — Johnny respirou fundo. — Nunca notou que não lutei em nada? Você é que vive em um mundinho onde acha que todos que não vão com a sua cara então lutando contra você. Eu nunca lutei. Nunca fiz nada. Não é minha culpa se você é incapaz de fazer a mulher que ama feliz. Isso se realmente ama ou a tem apenas como mais um troféu para pôr na estante; bem, se tiver mais troféus na estante… — Johnny virou-se para o lado, olhando para longe. Depois, continuou: — Logo, Keira é uma das coisas importantes que você acha que tem; porém, as pessoas não pertencem às outras. Não pertencem a ninguém. James, apenas amadureça ou tente compreender o sentido das coisas que estou lhe dizendo. Não aja como uma criança mimada.

Keira aproximou-se. Enlaçou sua mão na de Johnny e disse:

Espero que compreenda.

Não peça uma coisa dessas. — Ele sorriu. Virou-se e começou a andar até o estacionamento.

Ela apoiou-se em Johnny, enterrando a face em seu ombro enquanto ele a abraça pela cintura.

Acha que foi o certo a se fazer? — Murmurou ela, sua voz saindo levemente abafada.

Apenas peço que não se sinta mal por isso. — Johnny a beijou na testa. — Acabaram os dias e noites de tormenta, amor.

E foda-se todo o resto? — Ela sorriu.

E foda-se todo o resto! — Assentiu ele.

6

Johnny fechou a porta do apartamento — localizado próximo a Knightsbridge — e colocou as chaves sobre um móvel de madeira de sândalo.

Keira disse algo como preciso tirar essas sandálias e lançou-as ao ar, alegremente.

Jogou-se num dos sofás marrons da sala e apanhou um controle remoto.

Johnny a observava enquanto desabotoava o blazer e tirava os sapatos. Desabotoou a camisa também e colocou-a junto com o blazer sobre a poltrona próxima do sofá onde Keira estava.

Ele mal podia entender o real sentido de tudo aquilo. Tudo havia mudado em questão de horas; a sua vida dera voltas imensas e agora Keira Knightley estava deitada em seu sofá, livremente.

Ela jogou uma das almofadas cor de abóbora nele, sorrindo, chamando-lhe a atenção.

Bateu em um canto livre do sofá, convidando-o a deitar-se com ela.

Quando ele se aproximou, deitando-se sobre ela, Keira retirou-lhe os óculos. Colocou-os sobre a mesinha central da sala e, logo após, percorreu as costas de Johnny com as mãos.

Músculos fortes e adoráveis — sussurrou ela em seu ouvido.

Johnny riu e beijou-a docemente.

Olhou para a televisão com ar de indiferença.

Clipes da MTV? — Sorriu. — Não há nada mais tedioso para ver?

Estão falando sobre Justin Bieber no canal 27.

Falei tedioso, não algo que me deixe realmente revoltado.

E se desligássemos a TV e nos concentrássemos apenas em nós?

Foi uma das melhores ideias que já teve, senhorita Knightley. — Johnny riu.

O que foi?

Mal posso esperar para chamá-la de “Sra. Depp”. Não sabe o quanto.

E não vai ficar feio?

Não.

Era essa a desculpa que dava à Vanessa!

Eu sei! — Ele riu. — Mas não. Quero realmente poder chamá-la de Sra. Depp. E espero que queira também.

Isto foi um pedido de casamento, senhor Depp?

Entenda como quiser. — Murmurou ele, em voz aveludada.

E se eu entender isso como um pedido de “abra as pernas”?

Pode ser também. Isso e o pedido de casamento…

Vou pensar no seu caso.

Espero que não demore. Ao menos para decidir se aceita o de “abra as pernas”…!

Seu maníaco sexual! — Esbofeteou-lhe o ombro esquerdo, rindo.

O quê? Foi você quem pensou besteira! Sua maliciosa! — Ele parou de falar por algum tempo. — E então, aceitou ou não o de “abra as pernas”?

Maníaco sexual — sussurrou ela, em um tom de voz arrastado e sedutor.

Maliciosa. — Falou ele, do mesmo modo que ela.

Johnny ergueu-se um pouco e alcançou o controle remoto. Desligou a televisão e jogou o controle no chão. Levantou-se, estendendo o braço à Keira, que pegou sua mão.

Andaram até o quarto — que ele deixara levemente bagunçado —, de mãos dadas, calados.

As palavras dois meses piscavam freneticamente na mente de Johnny, com letras verde-neon-chamuscadas. Então algo murmurou em tom grave: finalmente.

Johnny abriu a porta do quarto e parou Keira antes que ela o adentrasse.

Pegou-a no colo; ouviu o grito agudo de surpresa que ela emitiu e sorriu.

Ela o olhava com estranha fascinação; algo em seus olhos brilhava tão intensamente, fazendo com que a respiração dele parasse por um instante.

Johnny sabia que ela o amava. Bastava olhar em seus olhos; não olhar, mas buscar a resposta daquilo que procura; aprofundar-se no castanho-claro até perder-se.

Ele adorava fazer aquilo. Adorava tê-la nos braços daquela forma, aconchegando-a a ele, a mais ninguém. E mais do que qualquer um, ele sabia que ela também gostava.

Sabia que Keira sentia-se plena ao seu lado — assim como ele também se sentia ao lado dela.

Está realmente me surpreendendo esta noite — disse ela. — Mais do que em qualquer noite.

Mais do que na noite da nossa primeira vez?

Um pouco mais. Não tanto, mas sim: um pouco mais.

Ela suspirou quando ele a colocou sobre a cama. Soltou o ar de seus pulmões enquanto o observava tirar o cinto e jogá-lo em qualquer lugar.

Eu já disse que você está extremamente sexy? — Ela ergueu uma de suas pernas, colocando seu pé sobre o peito de Johnny.

Ainda não… — Ele afastou a perna de Keira para o lado, encaixando-a em sua cintura. Inclinou-se, apoiando-se com as mãos no colchão. — Já disse que você é a mulher mais linda do mundo?

Há meia hora.

Não se importa se eu disser de novo?

Claro que não… Por mim, pode dizer mil vezes, uma atrás da outra. — Exibiu um largo sorriso e enlaçou-o pelo pescoço. — Adoro ouvir o som dessas palavras quando você as diz. Principalmente quando fala nesse tom rouco… Grave, meio sexy…

Mmm. Se quiser posso te chamar de cachorra safada e dar um tapa na sua bunda.

Como se isso fosse extremamente sexy.

Algumas mulheres são masoquistas.

E putas.

Oh, claro… Sua cachorra safada…! — Ergueu a mão um pouco, porém, foi interrompido por Keira.

Johnny Depp, não ouse bater na minha bunda… Ou você nunca mais poderá ter filhos.

Estava apenas brincando, senhorita Não Tenho Senso de Humor.

Estava apenas brincando… Ah, Johnny, por favor… Se quer uma vagabunda, procure a Jolie. Não tente me espancar.

Oh, vejam só, ela está com ciúme! — Ele brincou com o nariz dela, passando a ponta de seu dedo indicador sobre ele.

Você está me irritando…

Ah! É mesmo? Eu sou irritante, amor. Achei que já tinha se acostumado…

Quando você começa a falar, não cala a boca. Pensei que íamos transar e dormir abraçados… Mas não. Vamos trocar essa merda de conversa fiada sobre mulheres masoquistas e sobre o quanto não tenho senso de humor.

Podemos transar e falar disso ao mesmo tempo.

Você mal dá conta de transar… — Keira começou a rir, zombeteiramente.

Ah… Mal dou conta? Será que tenho que lembrar que na última vez você pediu, a Deus, misericórdia? E eu não dou conta? Se desse, você teria um enfarte.

É, pedi mesmo. Quero pedir misericórdia esta noite também. E eu devo lembrar que daqui um ano e meio você fará cinquenta anos… E sei lá… Poderei pedir misericórdia outra vez? — Olhou-o seriamente, as sobrancelhas arqueadas, as mãos no rosto de Johnny.

Johnny inclinou-se pouco a pouco, até quase colar seus lábios na orelha de Keira, sussurrando roucamente:

Você quer é levar uns bons tabefes na bunda.

Ora. Faça-me pedir misericórdia. — Murmurou ela, de volta.

Johnny se levantou, ficando de joelhos. Apanhou a bainha do vestido com as duas mãos e puxou-a, rasgando de fora a fora o vestido de seda.

Keira arregalou levemente os olhos, contudo, logo depois sorriu.

Vou fazer você gritar meu nome para toda a Londres ouvir, mulher.

Terminou de rasgar o vestido e jogou os dois pedaços de seda ao chão. Puxou-a pelas pernas, deixando-a próxima de sua cintura. Inclinou-se, deu-lhe uma mordida no queixo enquanto deslizava as mãos pelas coxas de Keira, até chegar em seus pés.

Desceu os lábios pela base de sua garganta, sugando a pele acetinada, mordendo e lambendo, notando os dedos de Keira cravados em seus ombros.

A abertura do sutiã dela ficava na frente. Tudo o que devia fazer era levantar um pouco o botão e logo teria os seios dela em suas mãos, contudo, optou por puxá-lo, quebrar a abertura e fazer o botão voar para longe dali.

Keira o observava, os lábios semicerrados, a respiração ofegante.

Johnny deslizou o sutiã pelos braços dela, enquanto osculava-lhe a pele sofregamente.

Roçava os lábios em sua pele tortuosamente, ouvindo-a gemer, satisfeito.

Quando finalmente jogou-o ao ar — para algum lugar do quarto semi-iluminado —, sugou-lhe os seios, alternando entre os mamilos rosados, enquanto fechava os próprios olhos e sentia a pressão aumentar dentro de suas calças.

Rodeava-lhe a aréola do mamilo com a língua, umedecendo-a. Logo após colocava-o entre os lábios e os comprimia, friccionando-os levemente.

Durante o tempo em que Johnny o fazia, Keira afagava-lhe os cabelos da nuca, enrolando os fios nos próprios dedos; seus olhos estavam fechados, tinha noção apenas da boca de Johnny em seu mamilo direito e dos próprios suspiros e gemidos que deixava escapar de seus lábios.

Deixava sua respiração anelante roçar próxima à orelha de Johnny; fazia-o exprimir o som melancólico de prazer proveniente de sua garganta; sentia-o excitado enquanto ele roçava os quadris nos dela, o que aumentava a agora constante palpitação entre suas pernas.

Suas carícias faziam-na delirar, soltar murmurinhos cálidos e apaixonantes.

Ele se ergueu um pouco, apoiando-se com as mãos. Fitou-a intensamente, novamente inclinando-se, percorrendo as curvas da cintura e quadris de Keira com as mãos até alcançar a calcinha de renda azul, finíssima, detalhada por pequeninas rosas amarelas na parte da frente e um lacinho acima do ventre de Keira.

Johnny desatou os nós dados nas extremidades da calcinha e resvalou-a pelas pernas dela. Colocou-a suavemente no chão, ao lado da cama.

Iniciou, languidamente, uma trilha de beijos, desde o pé esquerdo de Keira até a parte interna de sua coxa.

Que doce, amor… Uma nova depilação em formato de

Eu sei. É um coração. — Ela riu. — Katie me convenceu a fazer isso… Por Deus, que vergonha… Eu nem sabia que íamos para cama hoje… Quer dizer, eu tinha uma leve suspeita, mas James decidiu vir comigo…

Ah, Kei, eu adorei.

S-sério?

Sim!

Estou morrendo de vergonha.

Ficou sexy, querida. — Olhou-a, sorrindo ternamente. — Não precisa ficar com vergonha. Keira, sou eu. Sou muito feio com roupas, e muito mais pelado! — Riu. — Então… Quem tem que ter vergonha aqui é eu. Homens são feios. Mulheres são lindas… Quer dizer, mulheres como você…

Johnny, cale a boca… E suba mais um pouco. Aliás, não te acho feio, com ou sem roupas…

Mesmo? — Disse, movimentando-se até ela, como um gato.

Uhum. — Segurou-lhe o rosto e beijou-o docemente.

Deslizou as mãos até o botão das calças de Johnny e abriu-a, deslizando a calça por suas pernas até que parassem nos joelhos dele.

Entreabriu os olhos e observou a cueca boxer verde-escuro, colada ao corpo dele. Parou de beijá-lo e levantou-se um pouco, fazendo-o erguer-se junto com ela.

Fê-lo fica de joelhos sobre a cama e começou a beijar-lhe o pescoço. Percorreu seu ombro direito com os lábios até alcançar a base de sua garganta, sugando-lhe a pele.

Johnny segurava-a com as mãos, colocando-as abaixo de suas costelas, esparramando seus dedos enquanto mantinha — ou ao menos tentava — a respiração um pouco calma.

Keira beijou-lhe o tórax, desceu os lábios até o abdômen e deu-lhe pequenas mordidas. Ouviu-o rir e, satisfeita, continuou a torturá-lo.

Enquanto ela o beijava, Johnny inclinava a cabeça, fitando-a, um meio sorriso nos lábios. Observava-a descer suas calças e logo após sua cueca, olhando-o, esboçando agora um largo sorriso.

Acho que agora ela tem certeza de que você vai fazê-la pedir misericórdia outra vez. Ah! E você vai. Não importa como, Johnny, você vai ouvi-la implorar misericórdia a Deus, pensava ele, ora sorrindo, ora trocando a cabeça de posição, colocando-a do lado contrário, sem deixar de olhá-la, pensativo.

Keira ergueu-se, ficando de joelhos, como ele.

Johnny trouxe-a para si, segurando-a pelos ombros. Puxou uma de suas pernas e colocou-a sobre a sua, entrelaçando-a acima dos próprios quadris.

Ele adorava aquela posição. Adorava-a porque gostava de ser comandado por ela, e aquela era uma das posições mais favoráveis às mulheres e aos homens: ela montaria e ele a contemplaria.

Extremamente excitante.

Recostou-se à cabeceira da cama, a cabeça pendendo para trás, os olhos marejados fixos em Keira, enquanto ela encaixava-se nele, segurando em seus ombros.

Johnny segurava os quadris dela e trazia-os para baixo, sentindo-se agora dentro dela.

Keira estava úmida, pôde notar ao penetrá-la facilmente por inteiro. Ouviu-a gemer — não como ele, que soltara um de seus gemidos contidos —, viu-a jogar lentamente a cabeça para trás e retroceder os quadris, logo após voltando, cerrando os lábios, ringindo os dentes.

Puxou-a, colando seus lábios no torso de Keira e sugando-lhe a pele álbida. Passou a beijá-la nos seios e de tempo em tempo sugar-lhe os mamilos, sentido o queixo de Keira sobre sua testa e a respiração descompassada e cálida.

Sugava-lhe os seios e estimulava-a com o polegar, fazendo movimentos circulares sobre seu clitóris. Johnny sabia que logo aquilo a enlouqueceria e que logo aqueles movimentos curtos e lentos se tornariam movimentos insuportáveis para ambos.

Keira levantou-lhe o queixo e beijou-o ardentemente. De fato o que Johnny fazia a enlouquecia e sabia o que ele queria: que ela pedisse misericórdia. Sabia também que não era difícil Johnny fazê-la pedir aquilo; bastava jogá-la numa cama, sussurrar algo sexy e romântico em seu ouvido, fazer todo o procedimento padrão e no final um belo “eu te amo”, murmurado em tom de veludo, próximo ao seu ouvido, quente em sua nuca.

Tudo aquilo poderia soar clichê, porém, algo em Johnny a atraía mais que o magnetismo em imãs. Nunca entendeu o porquê de todo este magnetismo, apenas sentia-o.

Johnny deixou seus lábios para beijar-lhe o pescoço.

Keira agarrou-se a ele. Segurando-o pelos cabelos, trouxe-o mais para si. Continuava movendo o próprio corpo, de cima para baixo, agora com celeridade. Johnny a ajudava; suas mãos não deixavam os quadris dela; puxavam-nos, erguiam-nos, faziam dos movimentos mais rápidos.

Ele deslizou um pouco, deitando-se na cama, ainda apoiando as mãos nos quadris de Keira.

Ela apoiou as mãos na cama, uma ao lado do ombro direito de Johnny e a outra próxima à sua décima ou décima primeira costela.

Voltou a beijá-lo, sentindo as mãos dele deslizar de seus quadris às suas nádegas, trazendo-as para baixo enquanto ele erguia os quadris.

Gotas de suor formavam-se em sua testa e rolavam por seu rosto. Viu também que as têmporas de Johnny estavam úmidas.

Inclinou-se e sugou-lhe o pescoço, ouvindo-o soltar um gemido curto, rouco. Estremeceu, voltou a sugar-lhe a pele e estremeceu outra vez, com um novo gemido.

A tensão dentro de si ficava mais forte à medida que Johnny descia e subia seus quadris mais rápido. Ela mal aguentava o próprio peso; os braços amoleciam e seus dedos se fechavam no edredom vermelho-e-branco.

Fechou os olhos, respirou profundamente e sentiu a onda de prazer perpassar seu corpo, dos pés à cabeça.

Gritou o nome de Johnny, jogou a cabeça para trás, cerrou ainda mais os olhos e desabou sobre ele, enquanto ele ainda continuava seus movimentos.

Ele continuou por, no máximo, 15 segundos, até que a ouviu gritar novamente:

Misericórdia! Por favor, meu Deus, misericórdia!

Johnny ergueu um pouco mais os quadris e urrou gravemente. Segurava-lhe as nádegas e desacelerava seus movimentos. Estava sem fôlego, respirava descompassadamente.

Subiu suas mãos até enrolá-las nos cabelos de Keira. Ergueu a cabeça e fitou-a, deitada sobre ele, a cabeça apoiada sobre seu peito. Ela mal piscava. Deixava um sorriso bobo e alegre nos lábios apenas para ele ver.

Ronronou feito uma gata quando ele a acariciou nas costas.

Mal consigo respirar — sussurrou ele. — Acho que quem deve pedir misericórdia é eu…

Ela continuou calada, sorrindo.

Você está bem? — Perguntou Johnny.

S-sim. — Fechou os olhos e enterrou a face em seu tórax. — Estou. E você ainda está dentro de mim.

Ah. — Ele riu. — Pronto. — Moveu-se um pouco. — Está bom agora?

Uhum.

Keira, você está realmente bem?

Estou nas nuvens.

Oh.

É sério.

E como está o passeio aí em cima, então?

Ela notou a ambiguidade.

Bem, não era difícil notá-la.

Está incrível. Logo pousaremos. Pretendo ir novamente ao céu, o mais rápido possível. A vista daqui é linda.

Johnny riu, rolou na cama e posicionou-se sobre ela; ou quase sobre ela: apoiava-se com o cotovelo esquerdo e o resto do corpo pendia sobre Keira.

Ele alisou-lhe a pele da cintura, correndo a mão até um dos seios; voltando depois, posicionando-a sobre o colchão.

Amo você. — Disse.

Adoro ouvi-lo dizer isso. Soa tão natural; é impossível não acreditar ou resistir… — Ergueu-se um pouco e beijou-o. — Aliás — notou os olhos dele abrindo-se lentamente e o meio sorriso surgindo em seus lábios. —… Seus olhos não podem mentir para mim.

E o que eles dizem? — Perguntou. Agora o meio sorriso tornara-se um completo; todos os dentes; os lábios curvados; expressão de alegria.

Dizem para eu acreditar em você. Dizem que você me ama, de verdade.

Como se sente quando eles dizem isso?

Plenamente feliz. Ou talvez… Completamente realizada. É… recíproco.

Que bom. — Beijou-lhe a testa.

Johnny deitou-se. Keira recostou-se a ele, apoiando sua cabeça em seu ombro esquerdo.

Fecharam os olhos. Em meio a uma respiração que voltava à normalidade, acabaram adormecendo.  



Tem mais um pouquinho. Mas fica por aí. (O resto é só baboseira de “pós-sexo”. Tipo… “café da manhã”, “oie, como passou a noite, xóxó?”… Enfim. XD)

Desculpem qualquer erro ortográfico/gramático/de digitação.

Franciele Ramos (a Ane).

“Traição. O que os covardes costumam fazer com quem nos importamos” – Benjamin Fitzgerald.

“Seria ela a moça mais taciturna e libidinosa de Londres se não fosse pela dor que tomava conta de seu ser. A álgida constatação de sua tristeza definhava meu coração; era ela a moça de meus sonhos, que agora padecia por outro.

O marido se fora; não falecera… Deixou-a. Abandonou-a sem culpa ou remorso; sem despedida ou lágrima.

Chamaram-me assim que souberam; sua governanta, a Sra. Maciell, contatou-me pela manhã. Disse-me que William Harris de Lewis — Will Harry — havia partido há dois meses, quando dissera aos empregados que viajaria para Paris.

Chegou então uma carta; letra rebuscada e pouco legível. Harris contava as maravilhas de sua — agora — Amada França e dizia que apaixonara-se perdidamente por uma mulher — descrevia-a tão bela e encantadora quanto a Lola de Valência — e, sem pedir desculpas à sua real esposa, desposava-se com a parisiense.

Ao que me noticiaram o fato, pus-me de pé e apanhei o casaco, a cartola e a bengala. Início de inverno, o vento era cortante e quase congelava-me as mãos. Enluvei-as e, ao passar o umbral da porta principal de minha recém-construída mansão, ao pisar no primeiro degrau de acesso ao meu jardim, quase desisti de andar até a mansão onde trabalhava a Sra. Maciell, mesmo que ficasse a menos de quatro quadras de onde moro. O frio era o dono dessa ideia.

As palavras do Dr. Gulliver vieram-me à mente como torvelinho: “Tens de exercitar-te. Tua saúde não é mais a mesma desde os primórdios de tua juventude”.

Soaram e se foram.”

 

 


 

Trecho de algo Sem Título.

 

Direitos reservados.

 

Trecho

O silêncio era o dono da madrugada e o vento gélido era seu escravo.

O jardim parecia sonho inacabado ou perdido, com suas árvores podadas rusticamente, as flores que começavam a apodrecer e o cão que uivava sem destino certo, para a Lua, ou para qualquer outro satélite na grande Via Láctea; além dela; além de todas as galáxias.

Nem todas as flores apodreciam de fato; apenas algumas que ele não conseguia enxergar ou alcançar; nem o cão uivava sem destino.

Havia um motivo.

Solidão. A maculada solidão. Tão mal-vinda quanto a própria Morte e sua foice altamente cortante.

A nostalgia era imensa àquela hora da noite. Com um cigarro entre os lábios e o isqueiro de bronze antigo, recém-interposto em seu bolso — metade fora, metade dentro —, ele observava as estrelas rodopiarem no céu. Podia jurar estar ficando louco e achava ser tudo aquilo obra da maldita nostalgia.

E de fato era obra da nostalgia.

A não-afável nostalgia que dividia seu ser em partes desiguais. Que fazia-o chorar, delirante; que fazia-o gritar, febrilmente.

Sabia que não seria efêmera — a nostalgia — se continuasse ali.

Sentado na cadeira de balanço, tragando ferozmente o cigarro; melancolicamente fitando o jardim que, em sua imaginação pútrida, era o mais ordinário de todos.

O Jardim das Lembranças. Talvez boas recordações ou completamente o contrário.

Ele sentia a falta dela. Sentia a falta da menina — moça e mulher — que tornara seus sentimentos os mais sinceros de todos; que mexera em sua mente; que arrancara seu coração.

E agora entendia o próprio estado de decomposição psicológica; a sensação de estar desmoronando; de estar morrendo por dentro; de estar perdendo partes importantes de seu corpo e cérebro.

Ele sentia a falta dela.

Johnny nunca sentira-se tão só e tão mal quanto naquele momento.

Ele precisava de sua garota; ele precisava tê-la outra vez nos braços.

Keira tornou-se a razão de mais da metade de sua vida. E agora ele compreendia o porquê, mesmo que soubesse já há vários anos: ele a amava; a amava mais que a tudo; mais que a todos.

Ele sentia a falta dela.

*

 

 

Trecho de Nostalgia — Direitos reservados à autora, Franciele Ramos (a Ane).

Crepúsculo é moda teen

A saga de Stephenie Meyer influencia jovens do mundo todo.

Franciele Ramos (Ane)

A saga que se inicia com o livro “Crepúsculo” influencia jovens no mundo todo. Adolescentes de 11 a 17 anos e adultos estão fascinados pelo adorável vampiro Edward Cullen. A maior parte desses adolescentes são garotas que ainda não tiverem nenhum tipo de relacionamento. Este livro relata, em primeira pessoa, o ano de Bella Swan em uma cidade chamada Forks. Lá, ela conhece Edward, e se apaixona perdidamente por ele, mas, pouco ela sabia que Edward era um vampiro. Para muitas meninas, este relacionamento é o mais perfeito que já existiu. Mas para muitos, não se passa de obsessão e machismo.

Edward é superprotetor, e para garotas no início da adolescência, isto é maravilhoso. Para outras, não se passa de uma obsessão subliminar retratada no livro. Bella tropeça nos próprios calcanhares, e em “Lua Nova”, coloca sua vida em risco apenas para ter alucinações com Edward. Pessoas que odeiam a saga veem isso como machismo; a mulher dependendo do homem inteiramente, a ponto de se jogar de um penhasco.

Além disso, há também na saga alguns “erros literários”. Estes seriam algumas grandes mudanças na lenda sobre vampiros. Edward Cullen brilha quando exposto ao sol, não dorme, o sangue do qual se alimenta é apenas de animais, além de poder engravidar Bella. Conforme as lendas, vampiros, quando expostos a luz solar carbonizam; precisam dormir, mas, como são seres noturnos, durante o dia; sangue de animais não sustentaria um vampiro e, quando são transformados, seus órgãos sexuais perdem a função.

Stephenie Meyer também errou algumas coisas sobre o Brasil, em “Amanhecer”, colocando índios em quase toda a costa brasileira e em toda a Amazônia. Poucos fãs notam esses erros, a obsessão e o machismo ocultos na história, dizendo que a obra é simplesmente perfeita.

Crepúsculo foi traduzido para 32 línguas, e virou febre por narrar a história de uma adolescente apaixonada por um vampiro. Para muitos, Meyer inovou. Para tantos outros, apenas estragou a lenda milenar sobre vampiros. Tanto sobre os assuntos citados na matéria, tanto quanto outros, são alguns dos motivos da saga Crepúsculo ser apenas mais uma modinha teen.