Hora-Extra

Ele faria hora-extra no escritório aquela noite.

Talvez por puro prazer, mas, no fundo, era por real obrigação.

Enfurnar-se naquelas paredes amareladas do Load Dawson — o mais novo prédio de Nova York; 56 andares; vista panorâmica para o Central Park e o Lago Principal; cinco restaurantes, divididos por andares; um andar apenas para o entretenimento das pessoas que viviam do 15º até o 35º andar, enquanto os trabalhadores após o 35º, ao 45º, trabalhavam, gastavam a escassa saliva com empresários e investidores de mau-caráter, enquanto limpavam o chão sujo do banheiro fétido do 41º andar, aberto a todos os trabalhadores do Departamento de Esportes — ou Divisão de Esportes; Sessão de Esportes, ou como chamassem aquela porquice — do Good Morning, American! — aquele maldito novo jornal que estourou em vendas na primeira semana, ficando por pouco atrás do The New York Times e do New York Daily News –; enquanto ele ficava naquele maldito espaço fechado, digitando mais uma de suas pútridas colunas sociais.

Não exatamente sociais. Chamassem aquela merda como quisessem.

Digitou o título do documento e salvou o arquivo com alguns atalhos do teclado.

Estralou a mandíbula, recostou-se à cadeira de couro sintético e respirou profundamente, cerrando os olhos, vagaroso, relaxando.

Quando tornou a abri-los, procurou uma revista de Palavras Cruzadas & Cia dentro da terceira gaveta de sua escrivaninha de madeira e apanhou uma caneta preta — odiava canetas azuis; odiava a cor mórbida, monótona e simplesmente intragável delas no papel reclicado da revista —, abrindo na página que marcara, onde devia continuar.

Começou a escrever — com sua letra terrivelmente bela; as curvas perfeitas, alinhamento correto, centralização correta —, pensativo, calmo, prático e racional.

Fechar. Seis letras.

C-e-r-r-a-r.

Quando inventamos algo, contamos uma… Sete letras.

E-s-t-ó-r-i-a.

Brinquedo de parques de diversão. Nove letras.

C-a-r-r-o-s-s-e-l.

Filósofo. Seis letras.

P-l-a-t-ã-o.

E terminou aquela página.

Descansou a caneta sobre a revista e levantou-se. Desabotoou o colarinho e puxou o nó da gravata acinzentada. Passou a mão direita pela cabeça — carregada de fios, apesar de seus quarenta e cinco anos; apesar dos insistentes fios brancos de sua barba e de suas têmporas; os cabelos abundantes e agora em um marrom não tão vivo, caíam sobre sua nuca — e desgrenhou-os.

Foi até a estante próxima à parede esquerda — colada à parede, aliás, por pregos e mais pregos e mais pregos; malditos pregos. Ele adorava aquela estante mogno marfim; ele a queria em sua casa —, onde guardava alguns livros e CDs, e algumas outras coisas. Revistou; puxou alguns livros; retirou alguns CDs; mexeu; remexeu. Não pegou nada muito interessante. Uma velha caixa de madeira, onde deixava coisas de importante valor. Pousou-a sobre a escrivaninha, abriu-a, mexeu, remexeu… Não pegou nada de importante. Fechou-a, guardou-a.

Foi até a janela, afastou a persiana e observou o Lago Principal e as luzes iluminando o Central Park; as pessoas caminhando pelos caminhos de pedra, tomando sorvete, sentando nos bancos; chamando os maridos, as esposas e os filhos para um jogo de damas nas mesas já preparadas com o tabuleiro; os namorados mortal e debilmente apaixonados daquela noite de verão.

Era dia 3 de setembro, véspera de seu casamento com Elizabeth.

Oh. Elizabeth.

Ela fazia falta àquelas horas, em que podia estar ao seu lado; talvez chegasse em casa e deitasse-se, sentisse-a próxima ao seu corpo e fizesse-lhe carícias. Dissesse quanto a amava, quanto sua pequena e jovem Elizabeth era essencial em sua vida. Que comprar-lhe-ia um novo anel de casamento; rosas vermelhas e brancas, das quais ela mais gostava.

E então ela o chamaria de Little Jack, ou Sweet Jack e beijá-lo-ia, ardentemente, totalmente entregue; ela e sua juventude, que tomava conta do corpo não tão em forma — apesar de manter um certo abdômen plano com as caminhadas matinais pelo Central Park — de Jack Miller.

Ela era a sua Sra. Miller. A doce menina com quem casou-se há três anos, que conhecera em uma de suas palestras, quando ainda dava aulas em Harvard e, às vezes, substituía Todd Johnson em Oxford — e ele era o único que podia substituí-lo.

Falava sobre Ortografia & Gramática; Mistérios nas Redações — ou algo parecido —, e Elizabeth Ginn achara-o simplesmente incrível.

Era aluna vinda de Londres, mesmo que Jack não entendesse por quê. Por que mudar-se de Londres para estudar em Harvard? Ele mesmo adoraria a oportunidade de cursar as várias e ótimas universidades dos Condados Londrinos.

Contudo, Elizabeth Ginn veio-lhe como um presente; mudou-se para aquele país, tornou-se uma pseudoestadunidense — carregada de sotaque britânico; um charme para seu amplo e belo vocabulário —, amante de Shakespeare; Baudelaire; leitora de Platão e Sócrates; devoradora de ciências como Filosofia e Sociologia; inteligente, racional e, acima de tudo: crítica construtiva.

Era loura; cabelos abaixo dos ombros, descendo ondulados e macios; olhos castanho-mel, misteriosos e sedutores; seios pequenos, porém, redondos, simétricos; quadris fartos, todavia, não tanto.

Jack amava quando sua pequena Elizabeth ajudava-o com suas colunas, dando-lhe ideias tão significativas, incríveis, inteligentes…

Recebera vários elogios por conta de suas ideias. E, todas as vezes que Elizabeth — sua Lizzie, sua Rainha, sua Princesa Moderna — contribuía, colocava uma pequena e amável nota, logo abaixo do término da coluna: “Agradeço à minha Elizabeth, ao seu ponto de vista amplo, à suas ideias magníficas e percepção insuperável”.

E Elizabeth sempre dava-lhe um beijo doce nos lábios e um sorriso afável; o mais belo sorriso de todos.

Jack deixou os devaneios e voltou atenção ao telefone sem fio branco sobre a escrivaninha do escritório. Pegou-o, discou 2 e esperou que uma voz feminina atendesse.

Chamou sua secretária, Denise. Pediu para que preparasse um café expresso fervente e comprasse uns bolinhos, pois a noite seria longe.

Maldição!

Não avisara Elizabeth!

Todavia, sua amada esposa entenderia. Ela o amava. Ela o idolatrava. Assim como ele a amava e idolatrava, mais que a tudo.

Quinze minutos depois, Denise — a mulher de trinta anos que Elizabeth odiava fatalmente — adentrou seu escritório, o salto dos sapatos Louis Vitton tilintando irritantemente no piso de mármore preto-e-cinza; torturando seus ouvidos; a saia de linho impecavelmente lisa; a blusa azul-claro dentro da saia; os lábios cobertos por um batom rosado e os cílios levantados por, de certo, um daqueles cosméticos revolucionários da Prada ou Chanel; as pálpebras salpicadas de pó dourado e prata; os olhos azuis mais intensos e belos daquele edifício.

Jack virou os olhos ônix para a mulher e ordenou que ela pousasse o prato com os bolinhos recheados de creme de ovos e o café expresso sobre sua escrivaninha.

— O que dançaremos hoje? — Perguntou Denise.

— One. Johnny Cash. — Disse Jack, sorrindo; o sorriso de lado que causava arrepios em Denise McKay.

Ao desfazer rapidamente o sorriso, Jack direcionou-se para o aparelho de som e apanhou um MP3 que deixara ao lado do eletroeletrônico. Colocou-o na porta USB e procurou a música que dançaria com Denise.

Começou a soar o violão.

E então o Cash.

E Jack apanhou as mãos de Denise e posicionou-se no ângulo certo, abraçando-a pela cintura, fazendo com que ela enlaçasse seu pescoço.

E, dançando Cash, de olhos fechados, Denise pensou que aquele seria o momento mais perfeito de sua vida.

Ao lado de Jack Miller, um dos homens mais belos que já conhecera; o mais inteligente do Good Morning, American!, o mais sexy dos homens com quem já saíra, apesar de nunca ter ido adiante com Miller, de terem dançado apenas algumas músicas após o expediente, após Denise contar-lhe que estava fazendo um curso de dança aos sábados à noite, o que interessou Miller.

Repentinamente Jack puxou-a para si.

Denise arrepiou-se.

Sentiu-o percorrer a mão por seu corpo, desde as nádegas até pousá-la em sua cintura.

Sentiu algo frio em sua pele.

Levantou o rosto para Miller, que sorria um dos sorrisos mais frios e maquiavélicos que Denise já vira.

Abaixou o olhar e notou uma faca de cozinha, de cabo de aço inox pousada sobre sua cintura; as mãos de Jack cobertas por luvas de couro preto.

Remexeu-se bruscamente, tentou livrar-se dos braços de Jack Miller; tentou.

— Shh, shh… — Soou Miller e puxou-a violentamente para si, penetrando a faca acima do estômago de Denise, sem expressar nenhuma mudança em sua feição. — É melhor não gritar, minha querida meretriz… Afinal, já está indo para o Inferno… Para o MALDITO PROSTÍBULO DO INFERNO! — E repuxou a faca, introduzindo outra vez, jogando Denise ao chão, subindo em cima dela, retraçando-lhe a carne, cortando-lhe as entranhas, encharcando-se de sangue; esfaqueava-a no rosto, na barriga; cortava-lhe os seios e os ombros e o pescoço, enquanto ela o segurava, de órbitas arregaladas, as mangas de sua camisa.

— MORRA! SUA TEXANA DE MERDA!

E golpeou-lhe a face com um soco.

— VÁ PARA O INFERNO, VADIA! — E, dando-lhe mais um soco, viu-a cair inconsciente sobre o mármore. — VOCÊ TIROU ELIZABETH DE MIM! VOCÊ A FEZ IR EMBORA! VOCÊ, SUA VADIA! — Ergueu-se e chutou-lhe as costelas, rangendo os dentes, cerrando a mandíbula, arfando, o rosto inundado de uma expressão que só podia significar loucura.

E, após vários chutes, após chutá-la até deixar a marca do sapato italiano que cobria seus pés na pele e carne pútrida de Denise “Meretriz” McKay, Jack Miller recompôs-se.

Elizabeth. Sua pequena Elizabeth.

Deixou-o por conta de boatos; por conta de estórias da maldita — ordinária — Denise McKay; aquela puta, que inventou mil coisas sobre seu respeito; que disse à sua Elizabeth que andava tendo um caso com o Sr. Miller; que fez com que sua Elizabeth fosse embora; que fez com que sua Elizabeth não olhasse em seus olhos, não respondesse às suas ligações, que não dirigisse a palavra a Jack Miller. Que fez sua Elizabeth abandoná-lo.

Ele limpou a mancha de sangue que inundara-lhe a face com a manga da camisa de botões Armani e sentou-se na cadeira de couro sintético, observando — sorrindo demoniacamente —, o corpo de Denise McKay.

Que aquela vagabunda apodrecesse no inferno. Que levasse seus malditos sonhos com ela — e suas malditas mentiras.

Jack Miller voltou os olhos para a tela do computador; concentrou-se nos pixels brancos do título do documento que salvara há pouco.

Lá estava escrito: “Como reconhecer um serial killer”.

 

 

 

 

 

Franciele Ramos.

Trecho

O silêncio era o dono da madrugada e o vento gélido era seu escravo.

O jardim parecia sonho inacabado ou perdido, com suas árvores podadas rusticamente, as flores que começavam a apodrecer e o cão que uivava sem destino certo, para a Lua, ou para qualquer outro satélite na grande Via Láctea; além dela; além de todas as galáxias.

Nem todas as flores apodreciam de fato; apenas algumas que ele não conseguia enxergar ou alcançar; nem o cão uivava sem destino.

Havia um motivo.

Solidão. A maculada solidão. Tão mal-vinda quanto a própria Morte e sua foice altamente cortante.

A nostalgia era imensa àquela hora da noite. Com um cigarro entre os lábios e o isqueiro de bronze antigo, recém-interposto em seu bolso — metade fora, metade dentro —, ele observava as estrelas rodopiarem no céu. Podia jurar estar ficando louco e achava ser tudo aquilo obra da maldita nostalgia.

E de fato era obra da nostalgia.

A não-afável nostalgia que dividia seu ser em partes desiguais. Que fazia-o chorar, delirante; que fazia-o gritar, febrilmente.

Sabia que não seria efêmera — a nostalgia — se continuasse ali.

Sentado na cadeira de balanço, tragando ferozmente o cigarro; melancolicamente fitando o jardim que, em sua imaginação pútrida, era o mais ordinário de todos.

O Jardim das Lembranças. Talvez boas recordações ou completamente o contrário.

Ele sentia a falta dela. Sentia a falta da menina — moça e mulher — que tornara seus sentimentos os mais sinceros de todos; que mexera em sua mente; que arrancara seu coração.

E agora entendia o próprio estado de decomposição psicológica; a sensação de estar desmoronando; de estar morrendo por dentro; de estar perdendo partes importantes de seu corpo e cérebro.

Ele sentia a falta dela.

Johnny nunca sentira-se tão só e tão mal quanto naquele momento.

Ele precisava de sua garota; ele precisava tê-la outra vez nos braços.

Keira tornou-se a razão de mais da metade de sua vida. E agora ele compreendia o porquê, mesmo que soubesse já há vários anos: ele a amava; a amava mais que a tudo; mais que a todos.

Ele sentia a falta dela.

*

 

 

Trecho de Nostalgia — Direitos reservados à autora, Franciele Ramos (a Ane).

Vampiros no Mundo e Vampiros de Crepúsculo (E gente entendida que sabe mais que a Ane, comenta aí!)

Divirtam-se:

Primeiramente, antes de começar o assunto central, Crepúsculo, devo falar um pouco sobre vampiros.

Vampiros são seres mitológicos, que já existem em diversas culturas há milhares de anos. Contudo, os vampiros são diferentes, nessas culturas.

Na Japão, por exemplo, o ser mitológico mais próximo, em semelhança – não no aspecto físico (não é como o vampiro ocidental) – é o kappa, descrito como uma fabulosa criatura das águas, foi inserido na cultura japonesa, e agora aparece em vários meios de ficção, recursos cinematográficos, brinquedos e arte.

Os kappa foram descritos no século dezoito. Dizia-se que parecia-se com uma criança humanoide, com pele amarelo-esverdeada, dedos dos pés e das mãos em forma de teia, um tanto parecidos com um macaco, com nariz comprido e olhos arredondado, tinham uma concha, parecida com a armadura de uma tartaruga, e exalavam cheiro de peixe. A cabeça era côncava, retendo água. Se a água de sua cabeça derramasse, o kappa perdia toda sua força (uma das formas de exterminá-lo).

Os kappa agiam próximo às águas onde habitavam. Há histórias que relatam tentativas de kappa, de agarrar cavalos e vacas, arrastá-los para dentro da água, e, diferente dos vampiros ocidentais, que geralmente sugam o sangue de suas vítimas pela veia jugular, sugavam o sangue desses animais pelo ânus, a tendência principal que deu ao kappa o reconhecimento como vampiro.

Uma maneira de acalmar um kappa é colocar os nomes de seus familiares num pepino (já que, além das tentativas de arrastar animais para dentro da água, eles também saíam e estupravam mulheres, roubavam melões e pepinos, e atacavam pessoas à procura de seus fígados), e jogá-lo na água onde os kappa habitam.

Esse é só um exemplo de vampiro no Japão, a parte oriental.

Houve também vampiros na Grécia e na Antiga Roma.

A Grécia é uma das fontes mais antigas da lenda contemporânea do vampiro. Escritos registram a existência de três criaturas vampíricas: o lamiai, o empusai e o mormolykiai. Contudo, irei falar um pouco sobre o lamiai, e, consequentemente, mormolykiai.

Lamiai vem de Lamia, que se dizia ser uma rainha líbia. Era filha de Belus e Libya e, como era contada sua história, era amada por Zeus, o rei dos gregos. Hera, mulher de Zeus, com ciúmes, desencadeou sobre ela todo o seu ressentimento, privando Lamia de todos os seus filhos, cujo pai era Zeus. Lamia retirou-se para uma caverna de onde, impossibilitada de atacar Hera, despejou toda sua ira matando a prole de mães humanas, geralmente sugando-lhes o sangue. Seus atos levaram à sua transformação numa besta. (A história demormolykiai é muito parecida. São assim chamados por causa de nome Mormo, que canibalizava seus próprios filhos.)

Já a Roma Antiga não tinha uma mitologia de vampirismo tão desenvolvida quanto a Grécia. Ele não era um atributo de mortos retornados, mas de bruxas vivas. A ideia de uma entidade vampírica veio aparentemente da necessidade de explicar mortes inesperadas de recém-nascidos, uma necessidade que tinha produzido os lamiai da antiga Grécia. Os romanos falavam de strix, um espírito demoníaco noturno que atacava as crianças e drenava seu sangue. O strix tinha sido identificado com o mocho. O termo sobrevive na Grécia como striges, na Romênia como strigoi e na Itália comostrega.

O poeta romano Ovídio, do século 1, descreveu uma bruxa em um de seus livros:

Eles voam à noite e procuram crianças sem babás, sequestram-nas de seus berços e emporcalham seus corpos. Dizem que laceram as entranhas das crianças com seus bicos e suas gargantas ficam cheias de sangue que beberam. São chamados striges.

A Romênia é o país mais identificado com os vampiros. Terra de rico folclore, concernente a vampiros, sua reputação foi restabelecida por Bram Stoker, cujo romance Dracula começa e termina na Transilvânia. Embora a Transilvânia naquele tempo fosse parte da Hungria, agora pertence à Romênia.

Stoker extraiu grande parte de seus conhecimentos sobre a Transilvânia, onde colocou o Castelo de Drácula, do livro The Land Beyond the Forest (1888), de Emily Gerard, uma escocesa, que tinha se casado com um oficial polonês que servia no exército austríaco. Como brigadeiro comandante, estava sediado na Transilvânia na década de 1880. O casal morava em Sibiu e Brasov.

Ao descrever as diversas entidades sobrenaturais encontradas em sua pesquisa sobre práticas que envolviam a morte, ela escreveu:

Decididamente o mal é o nosferatu, ou vampiro, no qual todo camponês romeno acredita piamente como acredita no céu e no inferno. Existem dois tipos de vampiros, os vivos, e os mortos. O vampiro vivo é geralmente um filho ilegítimo de duas pessoas ilegítima; porém mesmo um pedigree impecável não é uma segurança contra a entrada de um vampiro na residência da família, visto que toda pessoa morta por umnosferatu se transforma num vampiro após a morte e continuará a sugar sangue de outras pessoas inocentes, até que o espírito tenha sido exorcizado pela abertura do túmulo da pessoa suspeita, enfiando uma estaca em seu corpo ou metendo uma bala no caixão. Andar em torno da sepultura fumando em cada aniversário da morte também supõe-se que seja eficaz para confinar o vampiro. Em casos muito obstinados de vampirismo, recomenda-se cortar fora a cabeça, recolocando-a no caixão com a boca cheio de alho, ou extrair e queimar o coração, espalhando as cinzas sobre o túmulo. (The Land Beyond, Pg. 187)

Conclusão: O strigoimort, o vampiro romeno, se comparava em grande parte à imagem do popular vampiro. Tratava-se de um morto retornado. Tinha poderes como produzir fenômenos poltergeist, especialmente o de dar vida aos objetos domésticos comuns. Era visto como caprichoso,travesso muito debilitante. Entretanto, o ataque do vampiro era raramente visto como fatal. Além disso, ele raramente envolvia morder e drenar sangue literalmente de suas vítimas. Os strigoi geralmente drenavam a energia vital da vítima pelo processo de vampirismo psíquico (hipnose – o que o vampiro ocidental, originado do vampiro romeno, também faz. Ele geralmente não suga a vida de uma pessoa pelo processo de drenagem de seu sangue, mas também por hipnose).

Com este resumo, inicio minha opinião sobre Crepúsculo(única e somente minha, não influenciada por alguém, apenas por meus motivos).

Stephanie Meyer traz vampiros à sua obra. Entretanto, uma das únicas características com o vampiro eslavo ou o ocidental é a aparência humana (diferente dos japoneses, gregos e romanos). Cada vampiro em sua saga tem um tipo de dom. Edward Cullen, por exemplo, pode ler mentes. Alice Cullen pode prever o futuro. Um vampiro tem o poder de hipnose (e, com esse recurso, como foi dito acima, pode drenar a energia vital de um ser humano apenas por hipnose), controle com o tempo (pode formar uma tempestade), pode se transformar em animais noturnos (como lobos, corujas, etc.) e até mesmo em névoa.

Os vampiros de Stephanie Meyer têm seus reflexos refletidos no espelho. Todavia, isso depende de cada autor. Bram Stoker (Dracula) não usava disso, já Anne Rice (Entrevista com o Vampiro) usou. Os vampiros de Rice são parecidos com os de Stoker, porém, os de Rice não tem medo de cruzes (não são afetados por elas), podem entrar em igrejas, não são afetados por alho, tem seus reflexos refletidos, etc. Contudo, uma característica que não muda nesses dois tipos de vampiro é: queimam ao sol. Isso é um tipo de maldição que é dada ao ser que tem o poder da imortalidade (é como um preço a ser pagado).

A explicação para os vampiros não terem seu reflexo refletido no espelho seria porque não têm alma. Sua alma teria sido vendida a um ser maligno, o que seria uma das maneiras de ter se originado o vampiro. Sua alma teria sido vendida ao ser para se ter a imortalidade. Porém, o homem que vendeu-a seria também amaldiçoado, não podendo expor-se ao sol ou alimentar-se de comida. Seus órgãos perderiam a função, e ele tornar-se-ia um morto-vivo, que seria morto apenas por uma estaca (de madeira ou prata) fincada em seu coração. E, como na cultura romena (em parte), o órgão seria retirado, cremado, e suas cinzas jogadas ao vento (essa seria uma das maneiras de matar o vampiro clássico e/ou o vampiro contemporâneo).

Uma das coisas inexplicáveis na saga de Stephanie Meyer é o fato de que seus vampiros brilham. Ao invés de queimarem ao sol, brilham. Uma das explicações (não muito bem feita) seria que a pele deles tem pequenas partículas de diamantes. Entretanto, como se explica de onde veio o diamante, já que o vampiro é um ser humano transformado em morto-vivo? Meyer deixou uma grande lacuna nesta questão.

Mais uma lacuna seria Rennesmee, a filha de Isabella Swan com Edward Cullen. Precisaria, ao menos, de uma desculpa plausível, melhor que “o veneno do vampiro funciona como estimulante para a ereção e produção de espermatozoides” – foi o que disse Stephanie Meyer em uma entrevista a uma emissora americana de televisão. Primeiramente, vampiros não tem veneno. A transformação de um humano para vampiro trata-se de sugar quase todo o sangue da vítima e dar parte do sangue vampiro (amaldiçoado) ao humano. O sangue que tomará o humano cairá em seu sistema digestivo, e, de lá, será levado para seu sistema circulatório, transformando-o então.

Rennesmee seria então um mestiço – metade humano, metade vampiro. Mas como se explica seu crescimento? Um mestiço não cresce, permanece na idade em que recebeu DNA vampírico, já que vampiros são estéreis. Já vampiras podem ter filhos, já que um dos órgãos que permanecem em função é o ovário. Se uma vampira ter relações com um homem, poderá, sim, engravidar, diferente das vampiras de Meyer.

Quanto à alimentação, os vampiros de Meyer deixam a desejar. Sim, vampiros podem se alimentar de sangue animal, porém, não o sustentaria, já que não tem a mesma força vital do sangue de um ser humano. Vampiros vegetarianos é um termo e não é correto, sendo que vampiros estão matando animais. Na saga, eles caçam ursos e veados. Ursos que poderiam entrar em extinção, enquanto nasce mais de cem humanos por minuto.

Não se precisa matar um humano para se alimentar, pode se usar de hipnose ou transformá-lo. Contudo, hipnose e transformação são desgastantes para um vampiro. Sugar o sangue e se alimentar é o básico, não precisa usar de muita força. Porém, quando se usa do recurso de hipnose, o vampiro automaticamente está usando de sua energia. E, quando usa de transformação, está doando seu sangue a alguém, perdendo-o, ficando fraco.

Não trarei aqui o assunto sobre machismo, obcessão e possessão ocultos no obra, já que o assunto central do texto é vampirismo.

Quando dizem que Meyer inovou no vampirismo, trazendo romantismo a ele, é mentira. Bram Stoker, em 1889 trouxe o romantismo ao vampirismo, quando escreveu Dracula. O Conde Drácula se apaixonou por Mina Murray. E se ela inovou no vampirismo, tornando-os “seres brilhosos”? Não. Apenas tornou isso engraçado aos olhos de pessoas entendidas do assunto. Inovou ao trazer bebês ao vampirismo? Não, em Blade isso já acontecia. (Blade é da década de 90)

Dizem que o romance de Stephanie Meyer é o maior fenômeno desde Harry Potter, de Joanne Kathleen Rowling (J.K Rowling). Fugindo um pouco do assunto sobre vampiros, há uma grande diferença entre as obras (além de que o assunto central de H.P é bruxaria e o de Crepúsculo é vampirismo). Stephanie Meyer sonhou e começou a escrever sua obra. Ela disse que pesquisou sobre o assunto uma única vez, quando a personagem Isabella pesquisou no livro. Rowling passou onze anos pesquisando sobre o assunto. Está aí, então, uma das explicações para Harry Potter fazer o sucesso que faz: as pesquisas que Rowling fez e a profundidade que tem no assunto.

Termino aqui minha opinião sobre Crepúsculo.

Fontes:

Para Vampiros no Japão (Kappa), Vampiros na Grécia, Vampiros na Antiga Roma, Vampiros na Romênia – Enciclopédia dos Vampiros – J. Gordon Melton, 2008. (M.Books)