Premiere. Ou não. Enfim. É uma bosta de qualquer forma essa fic…

Atendendo aos inúmeros pedidos (NOT) de mais posts, decidi postar uma fic antiguinha minha, só para o entretenimento dos meus vários (HAHA, NÃO!) leitores!

Eis-la:

1

Keira olhava para o público ao redor. Os fotógrafos estavam lá, junto aos fãs e repórteres. Ela apenas não notava que estava sendo observada por mais uma pessoa, em especial.

James segurava sua mão fortemente. Ele, ao invés dela, havia notado Johnny Depp fitando-a intensamente, parecendo não se importar com as outras pessoas ao redor. Bem, Vanessa não estava ali.

Keira sorria quando James a puxou para mais perto, o que causou uma breve irritação em Johnny, porém, nada muito demorado. Ele sabia que se expusesse suas emoções ali, tudo daria errado. Tudo.

James sussurrou algo no ouvido de Keira. Johnny deu alguns passos, chegando perto da grade de segurança a alguns centímetros do tapete vermelho que haviam jogado no chão. Esfrie a cabeça, Depp, pensou, autografando o caderno de uma de suas fãs; a fã mais histérica, no mínimo, cogitou ao vê-la chorar e mandar-lhe um beijo. Ele deu um meio-sorriso, fingindo estar contente com a situação. Depois riu, seco, ao observar outras fãs atrás daquela. E o sorriso-falso que havia formado em seus lábios definitivamente desapareceu ao se virar e encarar James abraçando Keira e roubando-lhe um beijo.

Está fazendo isso para me provocar, não é?, disse Johnny, mentalmente. Provocando-me, Keira Knightley… Sabiamente. E depois riu.

Quando James se afastou, Keira o notou. Percebeu imediatamente que ele a observava, tão descarada e raivosamente quanto se podia notar; tão descarada e raivosamente, apenas com o olhar. Poderia até mesmo ver faíscas, ou eram apenas obras de sua fértil imaginação.

James puxava Keira pela mão, levando-a para dentro do salão onde iam começar a pré-estreia de Modernity.

Vamos, Keira!

Espere. Eu ainda não dei autógrafos!

Dê depois — James parou, olhando-a. — Não ouviu? Vamos logo.

Isso está me dando nos nervos!, Johnny pensava. Droga. Não posso nem socar a cara desse filho da puta. Estralou o maxilar e respirou fundo. Acalme-se. Você pode interferir… Civilizadamente. E ah, você pode sim socar as fuças desse filho da puta. Pode sim. E certamente socará se ele continuar agindo assim com a Keira. A sua amada Keira Knightley.

Johnny aproximou-se deles.

Cuhun — pigarreou, começando a falar. — James, dê um tempo a ela. Keira só quer ser um pouco atenciosa com o pessoal que está aqui, gritando e se matando por estar aqui. — Sorriu. — Acho que seria uma ótima recompensa, não? Algumas fotos, alguns minutos com o ídolo. Às vezes isso revigora uma pessoa e lhe dá até mesmo esperanças… — Que merda é essa, John? Esperanças? — Uh?

Não. Quero ir lá pra dentro, agora.

Mas… — Johnny se aproximou mais. — Acho que você realmente irá dar um tempo a ela — engrossou a voz, semicerrou os olhos e continuou, falando entre dentes. — Não é?

John, pare com isso. — Keira pôs-se entre eles. — Acalme-se. Sim, Jamesme dará um tempo, não é, querido? — Ela perguntou, tentando soar doce.

Sabe o que eu acho? — James riu secamente. — Que ele está se intrometendo na nossa vida!

Bem, dar palpites é se intrometer? — Johnny sorriu. — Eu apenas pensei que você a estivesse irritando. E de fato está.

Pare de se intrometer, Depp! Ouça bem o que estou falando…

Estou ouvindo, não sou surdo… — Suspirou. — Veja, sou míope, não cego… Muito menos surdo. Escuto muito bem. Aliás, escutei e vi o modo com que a tratou. Achei isso ridículo. Ela só quer dar uns autógrafos, é uma das funções de atores de verdade

O que quer dizer com isso? — James franziu o cenho.

O que você entendeu. Se entendeu, é claro.

Ora, não vão brigar aqui, vão? — Keira murmurou. — Pare com isso, James… Johnny, deixe ele. Não… Ele não fez por mal…

Não, ele fez sim. — Johnny a fitou, ternamente. — Kei, ele está te irritando. Posso ver nos seus olhos que está…

Quanta doçura! — Disse James. — Parem os dois com isso. Estou farto! Vamos AGORA, Keira, lá pra dentro!

Johnny fechou os olhos e respirou profundamente. Abriu-os em poucos segundos, fechando a mão direita em punho.

Não, Johnny, fique calmo! — Keira segurou-lhe o braço. — Calmo! Por favor… — Deslizou a mão por seu braço, acariciando-o, tentando acalmá-lo.

Keira! — Começou ele, com expressão perplexa. — Ele está… te humilhando! Ora! Não, não peça para que eu fique calmo, porque eu definitivamente não vou ficar!

Não é isso — ela sussurrou. — Não vê que estamos cercados de fotógrafos?

Foda-se! — Exclamou ele. — Fodam-se os fotógrafos, Keira. James está te tratando mal. E isso não é bom. Eu não gosto disso.

Vamos agora, Keira. Agora. — James agarrou-lhe o braço direito. — Escutou? Vou ter que arrastá-la?

Johnny fitou-a nos olhos. Não se rebaixe assim, amor. Você não é assim. Nunca se rebaixaria dessa forma…

Eu… — Olhou para James. Logo depois para Johnny. Resoluta, respondeu, soltando-se da mão de James e aproximando-se de Johnny. — Não quero ir, James. Não preciso te obedecer. Aliás, ninguém manda em mim…

Deve estar brincando… — Ele começou a rir. — Você é louquinha por mim — riu mais alto. — E está dando ouvidos a quem mesmo? Ao Depp! Ora, ontem você disse que ele era insuportável…

Não, eu não disse isso.

Johnny riu. Entendeu perfeitamente o significado de insuportável.

Claro que sou insuportável, sorriu, pensativo, ainda mais se estou sobre ela. Insuportável, não é? Quem me suportaria? Quase oitenta quilos sobre um corpo. Ninguém.

Disse sim. — James olhou para Johnny. — Por que está rindo?

Nada. — Johnny respirou fundo. Coçou o nariz e tossiu. — Keira, pode dizer. Eu sei que sou insuportável… — Disse, quase ronronando, próximo ao seu ouvido.

Ora, John… — Ela sorriu. — Hey! Afaste-se um pouco.

Hunf. Quer ficar aqui? Fique, então.

Ora! Obrigada, James, por ser sensato uma vez em sua vida! — Keira disse, zombeteira. — Muito obrigada, aliás.

James virou-se, bufando. Entrou no salão onde seria iniciada a premiere, deixando-os lá fora.

Mmm… — Soou Johnny, bem próximo a ela.

O quê?

Você… Está usando Chanel Nº 5? — Ele sorriu, respirando fundo, inalando o aroma adocicado que vinha de Keira.

Estou sim… Por quê?

Adoro esse perfume.

Eu também — Voltou-se para ele, observando-o, quase comendo-o com o olhar. — Obrigada.

Por? — Johnny disse, apenas para ouvi-la dar-lhe a explicação.

Por ter me defendido. Na verdade, eu estava esperando você chegar.

Ainda temos que dar uns autógrafos e ir lá pra dentro — Ele fez um pequeno bico, falando em um tom de voz choroso. — Sabe, eu queria que isso passasse mais rápido… — Ficou cabisbaixo.

Se fizermos tudo isso rapidinho, passará, John. — Keira ergueu-lhe o rosto com o dedo indicador. — Não é?

Claro. — Ele sorriu outra vez. Virou levemente a cabeça para a esquerda, olhando em volta. — Bem… É melhor nos afastarmos agora, antes que comecem a desconfiar ainda mais.

Tem razão.

Johnny segurou sua mão antes que ela se afastasse completamente.

Sabe onde estou, não é? — Respirou fundo e olhou ao redor novamente. — Então… Apareça por lá depois da premiere. Quero… Festejar com você, em particular, o lançamento de Modernity.

Okay. Festejar o sucesso que será o filme, não é?

Sim. O grande sucesso…

Keira sentiu o polegar dele roçando na pele de sua mão. Voltou o olhar para Johnny, depois para sua própria mão, e notou-o acariciando-a. Um arrepio correu-lhe o braço.

Okay, John, afastar, agora — ela sorriu, puxando o braço delicadamente, dando alguns passos para trás. — Vou dar meus autógrafos. Acompanha-me?

Uhum. — Ele sorriu e esperou que ela saísse, seguindo-a logo depois.

Pararam frente às grades de proteção, sendo observados por olhos curiosos, olhos extremamente curiosos.

Algumas fãs de Johnny gritavam seu nome ou algo como “me coma” logo atrás das de Keira, que, depois de terem recebido seu autógrafo, começaram a gritar por ele também.

Helena e Tim estavam do outro lado. Tim sempre aparecia nas premieres dos filmes de Johnny, mesmo não gostando muito do gênero de Modernity.

Tim deu alguns passos até alcançar Johnny. Deu-lhe um “oi”, e olhou para as pessoas atrás das grades.

Está cheio, uh? — Disse ele. — Muito cheio, aliás.

Esqueceu que Robert Pattinson fez esse filme também? — Johnny riu. — Estão aqui mais por ele que pelo filme… Mas não é de se espantar.

Claro que não. Ele realmente brilha, não é mesmo?

Com certeza.

Mas veja só… Essas garotas estão gritando o teu nome, John. — Tim sorriu enquanto uma das pessoas ali no meio pedia para que ele assinasse uma camisa. — Espere — alcançou a camisa e a caneta hidrográfica. Rabiscou sua assinatura, uma dedicatória meio tosca e entregou a camisa à sua fã. — Pronto.

Devem estar gritando porque emagreci uns dez quilos e criei músculos aos quarenta e oito anos. Acho isso incrível. É incrível, porque eu nunca estaria disposto a ficar mais que quinze minutos fazendo abdominais ou correndo na esteira.

Vamos dizer que você está em bons tempos, amigo.

Ótimos.

Por quê? Por causa de seu físico bom? — Tim arqueou a sobrancelha esquerda.

Não exatamente. — Johnny acenou para algumas garotas e garotos. — Mas… — Começou a andar. — Eu fiz uma coisa quarta-feira.

O quê?

Vai saber depois.

Uh, que curioso — Tim arrumou os óculos, empurrando-os com o dedo indicador até que se encaixassem perfeitamente em seu nariz. — Não vai contar mesmo?

Não. Não agora. Aliás, acho que nem precisarei contar… Saberá de outra forma.

Mmm.

Até a pessoa mais importante dessa história não sabe.

Quanto mistério. E aposto que esse mistério é muito para o que você fez.

O que acha que fiz?

Bem… Se minha dedução for boa… Olhe… Vanessa não está aqui. — Olhou ao redor. — Então…

Oh. Se acha que é isso, tudo bem.

Não vai dizer se estou certo?

Não.

Você é um merda.

Sabe que estou acostumado com esses apelidos. Me surpreenderia se dissesse “você é um cavalheiro” ou “cara, você é muito legal!”…

Entendi. Isso não o afeta.

Em hipótese alguma me afetaria.

Hey, John, aqui — Keira chamou-o. — Estão implorando por uns autógrafos.

Bem — ele olhou para Tim. — Acho que tenho que fazer meu trabalho…

Vá, então. Não pelo seu trabalho. Sei muito bem o porquê de ir até lá.

Johnny sorriu e andou até onde Keira estava.

Estendeu a mão para pegar o caderno estilizado, com Mr. Bieber nas laterais. Olhou para Keira e mostrou o caderno. Ela deu uma risada e ele outra. Porém, logo depois assinou, riscando o Bieber e colocando Stupid. Fez um pequeno cavanhaque na figura do garoto ao lado do agora Mr. Stupid e entregou o caderno à sua dona.

Pegou a mão de Keira e direcionou-se à porta do salão onde estava um grande telão para a exibição de Modernity.

As pessoas apenas os observavam. Murmurinhos vindos do fundo se dispersavam, chegando às pessoas da frente, próximas — na verdade, coladas — às grades de proteção.

Nada mais que murmurinhos.

Contudo, murmurinhos que ele pôde ouvir e murmurinhos que fizeram-no contente.

Muito contente.

2

Os assentos estão marcados, Johnny ouviu o homem da produção do evento dizer a todos.

Keira soltou sua mão quando entraram no salão.

Encontraram uma ampla sala — claro, um salão —, com umas duzentas poltronas reclináveis, de estofamento bege. Ao lado de cada uma havia uma garrafa de 600ml Coca Cola — ou Fanta ou Sprite —, uma das empresas que havia patrocinado o filme; um grande pote de pipoca amanteigada; dois pacotes de M&M’s — um de chocolate ao leite e outro de amendoim —; guardanapos e canudos.

Johnny apenas ficou frustrado com os M&M’s. Adoraria substituí-los por pacotinhos de alguma balinha azeda ou marshmallows. Porém, gostara da garrafa de Coca Cola.

Por ironia — ou talvez por causa de David Frankel — Keira sentou-se ao seu lado. Estavam sentados na fileira do meio.

E, ao lado dela, James estava sentado. A cadeira ao lado de Johnny fora reservada para Vanessa, porém, como ela não estava junto com ele, Tim sentou-se ali.

James o fitava de soslaio. Pouco ele sabia que Johnny já o havia notado.

Minha percepção está incrível hoje, Sr. James. Nem tente algo, pensou.

Viu-o sussurrar algo para Keira, que sorriu forçadamente.

Vai começar!, berrou o homem da produção do palco onde estava o telão.

Todos ficaram calados.

As luzes se apagaram e as imagens começaram a ser projetadas no telão.

Primeiro o símbolo dourado da Warner Bros., depois a introdução.

Diariamente vemos notícias sobre o quanto o mundo muda a cada segundo.

E de fato é rápido o quanto ele muda, sem que ao menos percebamos.

E, quando nos damos conta, a modernidade de uma era totalmente diferente da qual a gente nasce, toma conta de nossa planeta. Não importa como, mas toma.

Mas, ainda sim há pessoas, outrora adolescentes rebeldes, que viraram adultos conservadores, cheios de propósitos e ideais.

Adultos cheios de opções — que poderíamos encaixar como “preconceitos” —, deveras diferentes da modernidade que nos ronda hoje em dia”, começou a narrativa do personagem de Johnny.

Os preconceitos são tantos…

São tão perceptíveis.

Basta parar para observar.

Com a modernidade veio a má aceitação dela. Porém, devemos refletir sobre ela para podermos aceitá-la.

Não bastar dizer que não é preconceituoso sem antes refletir sobre o que é ser preconceituoso e sobre o que pode sofrer preconceito”.

Johnny recostou-se à poltrona reclinável, refletindo sobre as palavras que ele próprio narrara.

E não importa quantas pessoas entrem neste ônibus — não importa para onde elas vão —, o que importa é que todas sofrem do fenômeno da modernidade. Sem exceções.

Aquelas que seguem a modernidade.

Aquelas que são neutras.

Aquelas que não estão nem aí.

Os adultos outrora adolescentes rebeldes.

Os adolescentes outrora crianças felizes.

A mãe que carrega o filho no colo.

O pai que vai ao trabalho.

Todos, sem exceções, estão dentro da real Era Moderna: hoje”.

Sua mão escorregou do braço da poltrona e encontrou a de Keira ao seu lado. Apertou-a fortemente.

Agora ele sabia que ninguém os vira. Estava escuro demais para que percebessem quaisquer movimentos.

Entretanto, estava feliz em poder segurar a mão dela, vendo um dos filmes em que mais gostara de atuar.

3

Johnny saíra para fumar quando o filme estava quase na metade.

Havia um jardim nos fundos do prédio, com uma piscina, balanços, árvores e anões de cerâmica.

Ele sentou num dos balanços, pegando um L&M do bolso e um isqueiro. Acendeu-o e tragou lentamente.

Por mais que tentasse parar, não conseguia. O cigarro o acalmava e dava-lhe um prazer indescritível.

Ao menos não usava — não mais — drogas, e aquela era a única da qual não conseguia largar.

Sentiu-se levemente culpado, porém, a culpa logo se foi ao que deu a terceira ou quarta tragada, soltando a fumaça, observando o céu, enxergando as estrelas ao longe — agora embaçadas, já que estava sem seus óculos.

Apalpou o bolso do casaco e tirou-os. Colocou-os, vendo tudo mais nítido.

O Ray Ban marrom-e-bege deu um tom mais sério à sua face, além de ter delineado bem seu nariz.

Estão todos impressionados com o filme. — Soou a voz de Keira atrás dele.

Johnny sorriu.

Que bom.

Ela sentou-se no balanço ao seu lado, apanhando o isqueiro de sua mão e acendendo um cigarro também.

Vejo que nenhum de nós conseguiu parar com isso. — Keira riu. — Não sei se um dia pararei.

Precisará parar quando ficar grávida. — Olhou-a seriamente. — Ou fará mal ao bebê.

Sei disto. — Keira levou o cigarro à boca. — Tanto quanto qualquer um. — Tragou.

Ela ficou pensativa por um momento. Começou a sorrir, sem motivo aparente. Johnny deduziu, então, que ela entendera o “quando ficar grávida”.

Quando eu ficar grávida, quero que o filho seja seu.

E de quem mais seria? — Ele riu. — Quanto tempo ainda pretende ficar com o James? Espero que não muito.

O tempo que precisar.

Bem, não será muito tempo.

Oh.

É sério. — Terminando o cigarro, jogou-o na lata de lixo ao lado dos balanços. — Acredite em mim

Só acho que já esperei um pouco demais. — Keira também jogou o cigarro na lata de lixo. — Não acha o mesmo? Estou farta de ver o tempo passar e nada mudar. — Levantou-se, caminhando um pouco. Parou frente a ele, olhando-o docemente. — Mas sei que um dia serei plenamente feliz.

Sente-se aqui. — Pediu ele, batendo na própria perna direita.

Keira sentou-se em seu colo.

Queria que soubesse que é plenamente amada. Não importa o que digam, apenas peço que acredite no que eu sinto.

Acha que não acredito? Posso ver nos seus olhos. — Tirou-lhe os óculos, colocando-os sobre o outro balanço. Logo após beijou-lhe a ponta do nariz.

Johnny sorriu, semicerrando os olhos.

Ergueu o rosto e beijou-a delicadamente nos lábios. Depois aprofundou o beijo, introduzindo sua língua docemente na boca de Keira.

Ela suspirou e puxou-o para si. Pouco importou-se com o homem que cortava os galhos de algumas árvores e limpava a grama logo depois. Apenas sentia falta de Johnny.

Senti sua falta, garota. — Ele sussurrou em seu ouvido. — E apesar de querer rasgar esse vestido, não posso. Não agora.

Deixarei rasgá-lo mais tarde.

Em meu apartamento, não?

Só vou ter que arranjar uma desculpa para o James não encher meu saco.

E que tal ir sem desculpas?

Como?

Fale: “Vou ao apartamento do Johnny. Não pergunte por quê. Apenas vou”.

E ele me dá um tapa na cara, claro.

Se ele encostar o dedo mindinho do pé em você, me chame. Certamente adorarei quebrar a cara desse filho da puta. E você sabe o quanto quero fazer isso, desde aquela vez que ele deixou aquele roxo no seu braço. Oh, Keira, você é muito boa.

Não queria nenhum escândalo.

Foda-se o escândalo quando um homem machuca a mulher que amo.

O homem que cortava os galhos das árvores parou apenas para observá-los.

Ele está…

Dane-se. — Respondeu Johnny. — Deixe ele sair e contar a todos. Também estou farto de esperar, Keira.

Johnny!

É. Farto.

Então por que não entramos lá de mãos dadas?

Por mim, tudo bem.

O homem sorriu, pensando, oras, dou meu salário que esse cara não faz isso!

Johnny pareceu ler seus pensamentos.

Levante-se — ordenou ele, logo após fazendo o mesmo. Pegou a mão de Keira e puxou-a para mais perto. — Vamos entrar de mãos dadas, então.

Johnny…

Não importa-se, importa?

Oh, não. Penso só o que James dirá.

Diga ele o que quiser. Minha mão certamente se fechará em punho caso ele tente fazer qualquer coisa.

Está me impressionando esta noite.

A impressionarei o restante da noite também. E espero que goste das surpresas que a aguardam.

Se forem como esta, adorarei.

Ainda bem que não apostei, sussurrou o homem que cortava os galhos das árvores.

4

Na verdade, quase ninguém os notara entrando de mãos dadas no salão — e os que notaram pouco se importaram. Pareciam de fato saber o motivo das mãos dadas ou já sabiam o que aconteceu anteriormente àquilo.

Johnny notou Tim sussurrar algo para Helena, que virou-se, sorrindo. Ele notou também a poltrona vazia de James.

Ora, começou ele, mentalmente, quando quero que esse filho da mãe veja o que fazemos, ele não está para assistir!

Keira suspirou, parecendo aliviada.

Então ela realmente estava com medo de algo acontecer. Mas por quê? Ele estava ali. Proteger-lhe-ia de qualquer coisa e, lá dentro, não havia paparazzi — ou ao menos era o que ele pensava.

Mandaria se foder se visse algum.

Quando sentou-se em sua poltrona, Tim olhou-o, sorridente.

Onde o James está? — Johnny perguntou.

Acho que foi ao banheiro. Algo do tipo. Ele saiu quando uma cena de sexo começou, sua e de Keira. Se bem que nesse filme só tem cenas de sexo suas e de Keira. — Ele riu, roucamente. — Aliás, acho que foi por isso que ele saiu.

Entendi.

Queria que ele visse? — Perguntou Tim, referindo-se ao fato de Johnny ter entrado no salão de mãos dadas com Keira.

Ah, queria. E muito. Não sabe o quanto… Mas deixe para lá. Dará certo mais tarde. Acho que 30% das pessoas que estão aqui viram. 25% delas comentarão… E desses 25, 15% irá falar na mídia. Então, tudo bem.

Quer mesmo fazer desse jeito?

Sou americano, Tim. E na América, todos são livres. — Então sorriu.

5

O filme acabou às 23h32min.

O salão ficou completamente vazio por volta de 23h45min.

James não voltara desde que saíra e Keira continuava esperando-o, do lado de fora do salão, com Johnny ao seu lado.

Ele sussurrara algo como “acho que ele está com problemas intestinais”, o que a fez realmente rir. Os dois riram por um tempo.

Não havia quase ninguém do lado de fora; alguns fãs e fotógrafos, mas nada demais.

E não apenas Keira estranhava o desaparecimento repentino de James, Johnny também achava aquilo estranho.

Não que já não estivesse acostumado com as esquisitices de James, porém, ele deixara Keira sozinha, algo que nunca faria.

Então a tese sobre problemas intestinais poderia, sim, ser verdadeira.

Mas nada nas expressões faciais de James o denunciaria; não importava como ele as fazia, para Johnny, sempre estava com cara de alguém que está tendo cólicas renais e intestinais ao mesmo tempo.

Seu irmão falaria que James tem cara de cu, enquanto sua irmã diria que apenas cara de quem chupou limão.

E John Christopher I diria: “Junte tudo isso e coloque num liquidificador. Fará a mistura da pessoa que mais detesta neste mundo”.

Johnny emitiu um riso e Keira passou a observá-lo, pensando no motivo daquele riso.

Por que está rindo?

Lembrei-me de algo que meu pai diria. Nada muito importante.

O que seu pai diria?

Você precisaria conhecê-lo para entender… — Suspirou. — Bem, se… Você juntar uma pessoa com cara de cu e com cara de quem chupou limão e colocar essas coisas num liquidificador, logo terá a mistura da pessoa que mais detesta neste mundo. — Disse, em tom sério, a sobrancelha esquerda erguida de forma peculiar.

Ele se moveu e uma mecha de seu cabelo caiu sobre seus óculos; ao longe observou o dito James saindo do prédio.

Olhe lá. Parece que ele finalmente desocupou o banheiro masculino… Ou o feminino. — Sussurrou as últimas palavras, já que James estava próximo o bastante para escutá-las.

Agora estava.

Vamos Keira? — Perguntou James.

Johnny a observou por um instante; no olhar, uma ponta de “por favor, eu imploro que faça o que pedi”, enquanto respirava pesadamente. Virou-se e encarou James.

Não.

O quê? — James indagou, a voz afinando estranhamente. Em um tom agudo, continuou: — De que raios está falando?

Johnny sabia que se James se atravesse a dar um passo ou fechar a mão em punho, a sua estaria fechada trinta segundos antes, ou mais; e então lhe daria um belo soco no nariz. Certamente o quebraria. Essa era uma das vantagens de começar a praticar Boxe.

Eu… Vou para o apartamento de Johnny. Não pergunte por quê. Eu vou.

Mas que merda é essa agora?

Você… me tratou tão mal hoje… James, quero um tempo.

E então vai para o apartamento do Depp, como se não tivesse uma porra de um tostão no bolso? — James riu, zombeteiro. — “Oh meu Deus. Eu vou dar um tempo no meu re-la-cio-na-men-to e vou pra casa do Depp!!” — Berrou.

Cara, você tomou chá de cogumelos? — Perguntou Johnny. — Sinceramente, nunca vi um homem tão louco assim desde que vi um amigo tomando chá de cogumelos. — Disse ele, calma e seriamente.

Não, merda! Eu não estava tomando chá de cogumelos!

Então pare de agir feito um bocó! Parece uma criança de cinco anos que perdeu um doce no parque! — Johnny sorriu, olhando-o. — Olhe para si mesmo, James… Veja como grita feito uma menininha louca! Não estou sendo sarcástico — okay, posso até estar —, mas… Pare e reflita sobre o que você está fazendo. Keira lhe deu uma razão para o tempo. Não tem que lhe dar razões sobre o porquê de ir ao meu apartamento.

Você simplesmente estragou a minha vida. — Soou James, rancoroso. — Simplesmente estragou!

Quero que saiba que eu já estava antes na vida dela. Não importa o que diga; o que ela e eu temos em comum começou antes da sua patética introdução na vida de Keira Knightley.

James calou-se por um momento, não mais que alguns segundos.

Dá-se por vencido, não? — Perguntou a Johnny.

Keira apenas os observava.

Vencido no quê? — Johnny respirou fundo. — Nunca notou que não lutei em nada? Você é que vive em um mundinho onde acha que todos que não vão com a sua cara então lutando contra você. Eu nunca lutei. Nunca fiz nada. Não é minha culpa se você é incapaz de fazer a mulher que ama feliz. Isso se realmente ama ou a tem apenas como mais um troféu para pôr na estante; bem, se tiver mais troféus na estante… — Johnny virou-se para o lado, olhando para longe. Depois, continuou: — Logo, Keira é uma das coisas importantes que você acha que tem; porém, as pessoas não pertencem às outras. Não pertencem a ninguém. James, apenas amadureça ou tente compreender o sentido das coisas que estou lhe dizendo. Não aja como uma criança mimada.

Keira aproximou-se. Enlaçou sua mão na de Johnny e disse:

Espero que compreenda.

Não peça uma coisa dessas. — Ele sorriu. Virou-se e começou a andar até o estacionamento.

Ela apoiou-se em Johnny, enterrando a face em seu ombro enquanto ele a abraça pela cintura.

Acha que foi o certo a se fazer? — Murmurou ela, sua voz saindo levemente abafada.

Apenas peço que não se sinta mal por isso. — Johnny a beijou na testa. — Acabaram os dias e noites de tormenta, amor.

E foda-se todo o resto? — Ela sorriu.

E foda-se todo o resto! — Assentiu ele.

6

Johnny fechou a porta do apartamento — localizado próximo a Knightsbridge — e colocou as chaves sobre um móvel de madeira de sândalo.

Keira disse algo como preciso tirar essas sandálias e lançou-as ao ar, alegremente.

Jogou-se num dos sofás marrons da sala e apanhou um controle remoto.

Johnny a observava enquanto desabotoava o blazer e tirava os sapatos. Desabotoou a camisa também e colocou-a junto com o blazer sobre a poltrona próxima do sofá onde Keira estava.

Ele mal podia entender o real sentido de tudo aquilo. Tudo havia mudado em questão de horas; a sua vida dera voltas imensas e agora Keira Knightley estava deitada em seu sofá, livremente.

Ela jogou uma das almofadas cor de abóbora nele, sorrindo, chamando-lhe a atenção.

Bateu em um canto livre do sofá, convidando-o a deitar-se com ela.

Quando ele se aproximou, deitando-se sobre ela, Keira retirou-lhe os óculos. Colocou-os sobre a mesinha central da sala e, logo após, percorreu as costas de Johnny com as mãos.

Músculos fortes e adoráveis — sussurrou ela em seu ouvido.

Johnny riu e beijou-a docemente.

Olhou para a televisão com ar de indiferença.

Clipes da MTV? — Sorriu. — Não há nada mais tedioso para ver?

Estão falando sobre Justin Bieber no canal 27.

Falei tedioso, não algo que me deixe realmente revoltado.

E se desligássemos a TV e nos concentrássemos apenas em nós?

Foi uma das melhores ideias que já teve, senhorita Knightley. — Johnny riu.

O que foi?

Mal posso esperar para chamá-la de “Sra. Depp”. Não sabe o quanto.

E não vai ficar feio?

Não.

Era essa a desculpa que dava à Vanessa!

Eu sei! — Ele riu. — Mas não. Quero realmente poder chamá-la de Sra. Depp. E espero que queira também.

Isto foi um pedido de casamento, senhor Depp?

Entenda como quiser. — Murmurou ele, em voz aveludada.

E se eu entender isso como um pedido de “abra as pernas”?

Pode ser também. Isso e o pedido de casamento…

Vou pensar no seu caso.

Espero que não demore. Ao menos para decidir se aceita o de “abra as pernas”…!

Seu maníaco sexual! — Esbofeteou-lhe o ombro esquerdo, rindo.

O quê? Foi você quem pensou besteira! Sua maliciosa! — Ele parou de falar por algum tempo. — E então, aceitou ou não o de “abra as pernas”?

Maníaco sexual — sussurrou ela, em um tom de voz arrastado e sedutor.

Maliciosa. — Falou ele, do mesmo modo que ela.

Johnny ergueu-se um pouco e alcançou o controle remoto. Desligou a televisão e jogou o controle no chão. Levantou-se, estendendo o braço à Keira, que pegou sua mão.

Andaram até o quarto — que ele deixara levemente bagunçado —, de mãos dadas, calados.

As palavras dois meses piscavam freneticamente na mente de Johnny, com letras verde-neon-chamuscadas. Então algo murmurou em tom grave: finalmente.

Johnny abriu a porta do quarto e parou Keira antes que ela o adentrasse.

Pegou-a no colo; ouviu o grito agudo de surpresa que ela emitiu e sorriu.

Ela o olhava com estranha fascinação; algo em seus olhos brilhava tão intensamente, fazendo com que a respiração dele parasse por um instante.

Johnny sabia que ela o amava. Bastava olhar em seus olhos; não olhar, mas buscar a resposta daquilo que procura; aprofundar-se no castanho-claro até perder-se.

Ele adorava fazer aquilo. Adorava tê-la nos braços daquela forma, aconchegando-a a ele, a mais ninguém. E mais do que qualquer um, ele sabia que ela também gostava.

Sabia que Keira sentia-se plena ao seu lado — assim como ele também se sentia ao lado dela.

Está realmente me surpreendendo esta noite — disse ela. — Mais do que em qualquer noite.

Mais do que na noite da nossa primeira vez?

Um pouco mais. Não tanto, mas sim: um pouco mais.

Ela suspirou quando ele a colocou sobre a cama. Soltou o ar de seus pulmões enquanto o observava tirar o cinto e jogá-lo em qualquer lugar.

Eu já disse que você está extremamente sexy? — Ela ergueu uma de suas pernas, colocando seu pé sobre o peito de Johnny.

Ainda não… — Ele afastou a perna de Keira para o lado, encaixando-a em sua cintura. Inclinou-se, apoiando-se com as mãos no colchão. — Já disse que você é a mulher mais linda do mundo?

Há meia hora.

Não se importa se eu disser de novo?

Claro que não… Por mim, pode dizer mil vezes, uma atrás da outra. — Exibiu um largo sorriso e enlaçou-o pelo pescoço. — Adoro ouvir o som dessas palavras quando você as diz. Principalmente quando fala nesse tom rouco… Grave, meio sexy…

Mmm. Se quiser posso te chamar de cachorra safada e dar um tapa na sua bunda.

Como se isso fosse extremamente sexy.

Algumas mulheres são masoquistas.

E putas.

Oh, claro… Sua cachorra safada…! — Ergueu a mão um pouco, porém, foi interrompido por Keira.

Johnny Depp, não ouse bater na minha bunda… Ou você nunca mais poderá ter filhos.

Estava apenas brincando, senhorita Não Tenho Senso de Humor.

Estava apenas brincando… Ah, Johnny, por favor… Se quer uma vagabunda, procure a Jolie. Não tente me espancar.

Oh, vejam só, ela está com ciúme! — Ele brincou com o nariz dela, passando a ponta de seu dedo indicador sobre ele.

Você está me irritando…

Ah! É mesmo? Eu sou irritante, amor. Achei que já tinha se acostumado…

Quando você começa a falar, não cala a boca. Pensei que íamos transar e dormir abraçados… Mas não. Vamos trocar essa merda de conversa fiada sobre mulheres masoquistas e sobre o quanto não tenho senso de humor.

Podemos transar e falar disso ao mesmo tempo.

Você mal dá conta de transar… — Keira começou a rir, zombeteiramente.

Ah… Mal dou conta? Será que tenho que lembrar que na última vez você pediu, a Deus, misericórdia? E eu não dou conta? Se desse, você teria um enfarte.

É, pedi mesmo. Quero pedir misericórdia esta noite também. E eu devo lembrar que daqui um ano e meio você fará cinquenta anos… E sei lá… Poderei pedir misericórdia outra vez? — Olhou-o seriamente, as sobrancelhas arqueadas, as mãos no rosto de Johnny.

Johnny inclinou-se pouco a pouco, até quase colar seus lábios na orelha de Keira, sussurrando roucamente:

Você quer é levar uns bons tabefes na bunda.

Ora. Faça-me pedir misericórdia. — Murmurou ela, de volta.

Johnny se levantou, ficando de joelhos. Apanhou a bainha do vestido com as duas mãos e puxou-a, rasgando de fora a fora o vestido de seda.

Keira arregalou levemente os olhos, contudo, logo depois sorriu.

Vou fazer você gritar meu nome para toda a Londres ouvir, mulher.

Terminou de rasgar o vestido e jogou os dois pedaços de seda ao chão. Puxou-a pelas pernas, deixando-a próxima de sua cintura. Inclinou-se, deu-lhe uma mordida no queixo enquanto deslizava as mãos pelas coxas de Keira, até chegar em seus pés.

Desceu os lábios pela base de sua garganta, sugando a pele acetinada, mordendo e lambendo, notando os dedos de Keira cravados em seus ombros.

A abertura do sutiã dela ficava na frente. Tudo o que devia fazer era levantar um pouco o botão e logo teria os seios dela em suas mãos, contudo, optou por puxá-lo, quebrar a abertura e fazer o botão voar para longe dali.

Keira o observava, os lábios semicerrados, a respiração ofegante.

Johnny deslizou o sutiã pelos braços dela, enquanto osculava-lhe a pele sofregamente.

Roçava os lábios em sua pele tortuosamente, ouvindo-a gemer, satisfeito.

Quando finalmente jogou-o ao ar — para algum lugar do quarto semi-iluminado —, sugou-lhe os seios, alternando entre os mamilos rosados, enquanto fechava os próprios olhos e sentia a pressão aumentar dentro de suas calças.

Rodeava-lhe a aréola do mamilo com a língua, umedecendo-a. Logo após colocava-o entre os lábios e os comprimia, friccionando-os levemente.

Durante o tempo em que Johnny o fazia, Keira afagava-lhe os cabelos da nuca, enrolando os fios nos próprios dedos; seus olhos estavam fechados, tinha noção apenas da boca de Johnny em seu mamilo direito e dos próprios suspiros e gemidos que deixava escapar de seus lábios.

Deixava sua respiração anelante roçar próxima à orelha de Johnny; fazia-o exprimir o som melancólico de prazer proveniente de sua garganta; sentia-o excitado enquanto ele roçava os quadris nos dela, o que aumentava a agora constante palpitação entre suas pernas.

Suas carícias faziam-na delirar, soltar murmurinhos cálidos e apaixonantes.

Ele se ergueu um pouco, apoiando-se com as mãos. Fitou-a intensamente, novamente inclinando-se, percorrendo as curvas da cintura e quadris de Keira com as mãos até alcançar a calcinha de renda azul, finíssima, detalhada por pequeninas rosas amarelas na parte da frente e um lacinho acima do ventre de Keira.

Johnny desatou os nós dados nas extremidades da calcinha e resvalou-a pelas pernas dela. Colocou-a suavemente no chão, ao lado da cama.

Iniciou, languidamente, uma trilha de beijos, desde o pé esquerdo de Keira até a parte interna de sua coxa.

Que doce, amor… Uma nova depilação em formato de

Eu sei. É um coração. — Ela riu. — Katie me convenceu a fazer isso… Por Deus, que vergonha… Eu nem sabia que íamos para cama hoje… Quer dizer, eu tinha uma leve suspeita, mas James decidiu vir comigo…

Ah, Kei, eu adorei.

S-sério?

Sim!

Estou morrendo de vergonha.

Ficou sexy, querida. — Olhou-a, sorrindo ternamente. — Não precisa ficar com vergonha. Keira, sou eu. Sou muito feio com roupas, e muito mais pelado! — Riu. — Então… Quem tem que ter vergonha aqui é eu. Homens são feios. Mulheres são lindas… Quer dizer, mulheres como você…

Johnny, cale a boca… E suba mais um pouco. Aliás, não te acho feio, com ou sem roupas…

Mesmo? — Disse, movimentando-se até ela, como um gato.

Uhum. — Segurou-lhe o rosto e beijou-o docemente.

Deslizou as mãos até o botão das calças de Johnny e abriu-a, deslizando a calça por suas pernas até que parassem nos joelhos dele.

Entreabriu os olhos e observou a cueca boxer verde-escuro, colada ao corpo dele. Parou de beijá-lo e levantou-se um pouco, fazendo-o erguer-se junto com ela.

Fê-lo fica de joelhos sobre a cama e começou a beijar-lhe o pescoço. Percorreu seu ombro direito com os lábios até alcançar a base de sua garganta, sugando-lhe a pele.

Johnny segurava-a com as mãos, colocando-as abaixo de suas costelas, esparramando seus dedos enquanto mantinha — ou ao menos tentava — a respiração um pouco calma.

Keira beijou-lhe o tórax, desceu os lábios até o abdômen e deu-lhe pequenas mordidas. Ouviu-o rir e, satisfeita, continuou a torturá-lo.

Enquanto ela o beijava, Johnny inclinava a cabeça, fitando-a, um meio sorriso nos lábios. Observava-a descer suas calças e logo após sua cueca, olhando-o, esboçando agora um largo sorriso.

Acho que agora ela tem certeza de que você vai fazê-la pedir misericórdia outra vez. Ah! E você vai. Não importa como, Johnny, você vai ouvi-la implorar misericórdia a Deus, pensava ele, ora sorrindo, ora trocando a cabeça de posição, colocando-a do lado contrário, sem deixar de olhá-la, pensativo.

Keira ergueu-se, ficando de joelhos, como ele.

Johnny trouxe-a para si, segurando-a pelos ombros. Puxou uma de suas pernas e colocou-a sobre a sua, entrelaçando-a acima dos próprios quadris.

Ele adorava aquela posição. Adorava-a porque gostava de ser comandado por ela, e aquela era uma das posições mais favoráveis às mulheres e aos homens: ela montaria e ele a contemplaria.

Extremamente excitante.

Recostou-se à cabeceira da cama, a cabeça pendendo para trás, os olhos marejados fixos em Keira, enquanto ela encaixava-se nele, segurando em seus ombros.

Johnny segurava os quadris dela e trazia-os para baixo, sentindo-se agora dentro dela.

Keira estava úmida, pôde notar ao penetrá-la facilmente por inteiro. Ouviu-a gemer — não como ele, que soltara um de seus gemidos contidos —, viu-a jogar lentamente a cabeça para trás e retroceder os quadris, logo após voltando, cerrando os lábios, ringindo os dentes.

Puxou-a, colando seus lábios no torso de Keira e sugando-lhe a pele álbida. Passou a beijá-la nos seios e de tempo em tempo sugar-lhe os mamilos, sentido o queixo de Keira sobre sua testa e a respiração descompassada e cálida.

Sugava-lhe os seios e estimulava-a com o polegar, fazendo movimentos circulares sobre seu clitóris. Johnny sabia que logo aquilo a enlouqueceria e que logo aqueles movimentos curtos e lentos se tornariam movimentos insuportáveis para ambos.

Keira levantou-lhe o queixo e beijou-o ardentemente. De fato o que Johnny fazia a enlouquecia e sabia o que ele queria: que ela pedisse misericórdia. Sabia também que não era difícil Johnny fazê-la pedir aquilo; bastava jogá-la numa cama, sussurrar algo sexy e romântico em seu ouvido, fazer todo o procedimento padrão e no final um belo “eu te amo”, murmurado em tom de veludo, próximo ao seu ouvido, quente em sua nuca.

Tudo aquilo poderia soar clichê, porém, algo em Johnny a atraía mais que o magnetismo em imãs. Nunca entendeu o porquê de todo este magnetismo, apenas sentia-o.

Johnny deixou seus lábios para beijar-lhe o pescoço.

Keira agarrou-se a ele. Segurando-o pelos cabelos, trouxe-o mais para si. Continuava movendo o próprio corpo, de cima para baixo, agora com celeridade. Johnny a ajudava; suas mãos não deixavam os quadris dela; puxavam-nos, erguiam-nos, faziam dos movimentos mais rápidos.

Ele deslizou um pouco, deitando-se na cama, ainda apoiando as mãos nos quadris de Keira.

Ela apoiou as mãos na cama, uma ao lado do ombro direito de Johnny e a outra próxima à sua décima ou décima primeira costela.

Voltou a beijá-lo, sentindo as mãos dele deslizar de seus quadris às suas nádegas, trazendo-as para baixo enquanto ele erguia os quadris.

Gotas de suor formavam-se em sua testa e rolavam por seu rosto. Viu também que as têmporas de Johnny estavam úmidas.

Inclinou-se e sugou-lhe o pescoço, ouvindo-o soltar um gemido curto, rouco. Estremeceu, voltou a sugar-lhe a pele e estremeceu outra vez, com um novo gemido.

A tensão dentro de si ficava mais forte à medida que Johnny descia e subia seus quadris mais rápido. Ela mal aguentava o próprio peso; os braços amoleciam e seus dedos se fechavam no edredom vermelho-e-branco.

Fechou os olhos, respirou profundamente e sentiu a onda de prazer perpassar seu corpo, dos pés à cabeça.

Gritou o nome de Johnny, jogou a cabeça para trás, cerrou ainda mais os olhos e desabou sobre ele, enquanto ele ainda continuava seus movimentos.

Ele continuou por, no máximo, 15 segundos, até que a ouviu gritar novamente:

Misericórdia! Por favor, meu Deus, misericórdia!

Johnny ergueu um pouco mais os quadris e urrou gravemente. Segurava-lhe as nádegas e desacelerava seus movimentos. Estava sem fôlego, respirava descompassadamente.

Subiu suas mãos até enrolá-las nos cabelos de Keira. Ergueu a cabeça e fitou-a, deitada sobre ele, a cabeça apoiada sobre seu peito. Ela mal piscava. Deixava um sorriso bobo e alegre nos lábios apenas para ele ver.

Ronronou feito uma gata quando ele a acariciou nas costas.

Mal consigo respirar — sussurrou ele. — Acho que quem deve pedir misericórdia é eu…

Ela continuou calada, sorrindo.

Você está bem? — Perguntou Johnny.

S-sim. — Fechou os olhos e enterrou a face em seu tórax. — Estou. E você ainda está dentro de mim.

Ah. — Ele riu. — Pronto. — Moveu-se um pouco. — Está bom agora?

Uhum.

Keira, você está realmente bem?

Estou nas nuvens.

Oh.

É sério.

E como está o passeio aí em cima, então?

Ela notou a ambiguidade.

Bem, não era difícil notá-la.

Está incrível. Logo pousaremos. Pretendo ir novamente ao céu, o mais rápido possível. A vista daqui é linda.

Johnny riu, rolou na cama e posicionou-se sobre ela; ou quase sobre ela: apoiava-se com o cotovelo esquerdo e o resto do corpo pendia sobre Keira.

Ele alisou-lhe a pele da cintura, correndo a mão até um dos seios; voltando depois, posicionando-a sobre o colchão.

Amo você. — Disse.

Adoro ouvi-lo dizer isso. Soa tão natural; é impossível não acreditar ou resistir… — Ergueu-se um pouco e beijou-o. — Aliás — notou os olhos dele abrindo-se lentamente e o meio sorriso surgindo em seus lábios. —… Seus olhos não podem mentir para mim.

E o que eles dizem? — Perguntou. Agora o meio sorriso tornara-se um completo; todos os dentes; os lábios curvados; expressão de alegria.

Dizem para eu acreditar em você. Dizem que você me ama, de verdade.

Como se sente quando eles dizem isso?

Plenamente feliz. Ou talvez… Completamente realizada. É… recíproco.

Que bom. — Beijou-lhe a testa.

Johnny deitou-se. Keira recostou-se a ele, apoiando sua cabeça em seu ombro esquerdo.

Fecharam os olhos. Em meio a uma respiração que voltava à normalidade, acabaram adormecendo.  



Tem mais um pouquinho. Mas fica por aí. (O resto é só baboseira de “pós-sexo”. Tipo… “café da manhã”, “oie, como passou a noite, xóxó?”… Enfim. XD)

Desculpem qualquer erro ortográfico/gramático/de digitação.

Franciele Ramos (a Ane).

“Traição. O que os covardes costumam fazer com quem nos importamos” – Benjamin Fitzgerald.

“Seria ela a moça mais taciturna e libidinosa de Londres se não fosse pela dor que tomava conta de seu ser. A álgida constatação de sua tristeza definhava meu coração; era ela a moça de meus sonhos, que agora padecia por outro.

O marido se fora; não falecera… Deixou-a. Abandonou-a sem culpa ou remorso; sem despedida ou lágrima.

Chamaram-me assim que souberam; sua governanta, a Sra. Maciell, contatou-me pela manhã. Disse-me que William Harris de Lewis — Will Harry — havia partido há dois meses, quando dissera aos empregados que viajaria para Paris.

Chegou então uma carta; letra rebuscada e pouco legível. Harris contava as maravilhas de sua — agora — Amada França e dizia que apaixonara-se perdidamente por uma mulher — descrevia-a tão bela e encantadora quanto a Lola de Valência — e, sem pedir desculpas à sua real esposa, desposava-se com a parisiense.

Ao que me noticiaram o fato, pus-me de pé e apanhei o casaco, a cartola e a bengala. Início de inverno, o vento era cortante e quase congelava-me as mãos. Enluvei-as e, ao passar o umbral da porta principal de minha recém-construída mansão, ao pisar no primeiro degrau de acesso ao meu jardim, quase desisti de andar até a mansão onde trabalhava a Sra. Maciell, mesmo que ficasse a menos de quatro quadras de onde moro. O frio era o dono dessa ideia.

As palavras do Dr. Gulliver vieram-me à mente como torvelinho: “Tens de exercitar-te. Tua saúde não é mais a mesma desde os primórdios de tua juventude”.

Soaram e se foram.”

 

 


 

Trecho de algo Sem Título.

 

Direitos reservados.

 

Trecho

O silêncio era o dono da madrugada e o vento gélido era seu escravo.

O jardim parecia sonho inacabado ou perdido, com suas árvores podadas rusticamente, as flores que começavam a apodrecer e o cão que uivava sem destino certo, para a Lua, ou para qualquer outro satélite na grande Via Láctea; além dela; além de todas as galáxias.

Nem todas as flores apodreciam de fato; apenas algumas que ele não conseguia enxergar ou alcançar; nem o cão uivava sem destino.

Havia um motivo.

Solidão. A maculada solidão. Tão mal-vinda quanto a própria Morte e sua foice altamente cortante.

A nostalgia era imensa àquela hora da noite. Com um cigarro entre os lábios e o isqueiro de bronze antigo, recém-interposto em seu bolso — metade fora, metade dentro —, ele observava as estrelas rodopiarem no céu. Podia jurar estar ficando louco e achava ser tudo aquilo obra da maldita nostalgia.

E de fato era obra da nostalgia.

A não-afável nostalgia que dividia seu ser em partes desiguais. Que fazia-o chorar, delirante; que fazia-o gritar, febrilmente.

Sabia que não seria efêmera — a nostalgia — se continuasse ali.

Sentado na cadeira de balanço, tragando ferozmente o cigarro; melancolicamente fitando o jardim que, em sua imaginação pútrida, era o mais ordinário de todos.

O Jardim das Lembranças. Talvez boas recordações ou completamente o contrário.

Ele sentia a falta dela. Sentia a falta da menina — moça e mulher — que tornara seus sentimentos os mais sinceros de todos; que mexera em sua mente; que arrancara seu coração.

E agora entendia o próprio estado de decomposição psicológica; a sensação de estar desmoronando; de estar morrendo por dentro; de estar perdendo partes importantes de seu corpo e cérebro.

Ele sentia a falta dela.

Johnny nunca sentira-se tão só e tão mal quanto naquele momento.

Ele precisava de sua garota; ele precisava tê-la outra vez nos braços.

Keira tornou-se a razão de mais da metade de sua vida. E agora ele compreendia o porquê, mesmo que soubesse já há vários anos: ele a amava; a amava mais que a tudo; mais que a todos.

Ele sentia a falta dela.

*

 

 

Trecho de Nostalgia — Direitos reservados à autora, Franciele Ramos (a Ane).

Estas não são casas de veraneio…

Tudo estava em silêncio naquela madrugada. A brisa passava suave entre as casas e apenas o homem de olhos negros fitava o horizonte escuro à sua frente.

Sentado no antepenúltimo degrau de sua varanda fumava um de seus cigarros de palha calmamente, esperando, talvez, que a vida lhe desse o sinal de quando a morte chegaria, porém, nada mais que o vento frio lhe vinha como resposta.

Apenas o vento, o silêncio e a tranquilidade.

Logo, logo vinha a saudade, traiçoeira.

Sua menina devia estar longe. Foi embora com o noivo há um ano, deixando-o ali.

Sua menina era mais jovem, vinte e tantos anos… E talvez fosse esse o motivo por tê-lo abandonado.

O homem de olhos negro tinha 40.

Sua menina 18.

E naquele lugar, todos eram contra sua união. Porém, ele continuava sentado na varanda, agora olhando para as casas, ouvindo o bater das ondas nas pedras.

E aquelas não eram casas de veraneio. Nelas moravam os homens e mulheres da ilha.

A vila onde moravam era repleta de alegria. Apenas acalmava-se na madrugada, quando todos dormiam e somente ele continuava acordado, atento ao mar, à brisa, aos sons da noite, à esperança de ver sua menina outra vez.

E quando a visse, dar-lhe-ia o beijo mais doce e puro que poderia dar; o abraço mais apertado e sincero. Ficaria com ela o resto da noite e o dia que vinha a seguir. Ficaria com ela para todo o seu sempre.

Faria tudo isso quando sua menina voltasse ao lar.

E o homem de olhos negros esperava, sentado no antepenúltimo degrau de sua varanda.

Vampiros no Mundo e Vampiros de Crepúsculo (E gente entendida que sabe mais que a Ane, comenta aí!)

Divirtam-se:

Primeiramente, antes de começar o assunto central, Crepúsculo, devo falar um pouco sobre vampiros.

Vampiros são seres mitológicos, que já existem em diversas culturas há milhares de anos. Contudo, os vampiros são diferentes, nessas culturas.

Na Japão, por exemplo, o ser mitológico mais próximo, em semelhança – não no aspecto físico (não é como o vampiro ocidental) – é o kappa, descrito como uma fabulosa criatura das águas, foi inserido na cultura japonesa, e agora aparece em vários meios de ficção, recursos cinematográficos, brinquedos e arte.

Os kappa foram descritos no século dezoito. Dizia-se que parecia-se com uma criança humanoide, com pele amarelo-esverdeada, dedos dos pés e das mãos em forma de teia, um tanto parecidos com um macaco, com nariz comprido e olhos arredondado, tinham uma concha, parecida com a armadura de uma tartaruga, e exalavam cheiro de peixe. A cabeça era côncava, retendo água. Se a água de sua cabeça derramasse, o kappa perdia toda sua força (uma das formas de exterminá-lo).

Os kappa agiam próximo às águas onde habitavam. Há histórias que relatam tentativas de kappa, de agarrar cavalos e vacas, arrastá-los para dentro da água, e, diferente dos vampiros ocidentais, que geralmente sugam o sangue de suas vítimas pela veia jugular, sugavam o sangue desses animais pelo ânus, a tendência principal que deu ao kappa o reconhecimento como vampiro.

Uma maneira de acalmar um kappa é colocar os nomes de seus familiares num pepino (já que, além das tentativas de arrastar animais para dentro da água, eles também saíam e estupravam mulheres, roubavam melões e pepinos, e atacavam pessoas à procura de seus fígados), e jogá-lo na água onde os kappa habitam.

Esse é só um exemplo de vampiro no Japão, a parte oriental.

Houve também vampiros na Grécia e na Antiga Roma.

A Grécia é uma das fontes mais antigas da lenda contemporânea do vampiro. Escritos registram a existência de três criaturas vampíricas: o lamiai, o empusai e o mormolykiai. Contudo, irei falar um pouco sobre o lamiai, e, consequentemente, mormolykiai.

Lamiai vem de Lamia, que se dizia ser uma rainha líbia. Era filha de Belus e Libya e, como era contada sua história, era amada por Zeus, o rei dos gregos. Hera, mulher de Zeus, com ciúmes, desencadeou sobre ela todo o seu ressentimento, privando Lamia de todos os seus filhos, cujo pai era Zeus. Lamia retirou-se para uma caverna de onde, impossibilitada de atacar Hera, despejou toda sua ira matando a prole de mães humanas, geralmente sugando-lhes o sangue. Seus atos levaram à sua transformação numa besta. (A história demormolykiai é muito parecida. São assim chamados por causa de nome Mormo, que canibalizava seus próprios filhos.)

Já a Roma Antiga não tinha uma mitologia de vampirismo tão desenvolvida quanto a Grécia. Ele não era um atributo de mortos retornados, mas de bruxas vivas. A ideia de uma entidade vampírica veio aparentemente da necessidade de explicar mortes inesperadas de recém-nascidos, uma necessidade que tinha produzido os lamiai da antiga Grécia. Os romanos falavam de strix, um espírito demoníaco noturno que atacava as crianças e drenava seu sangue. O strix tinha sido identificado com o mocho. O termo sobrevive na Grécia como striges, na Romênia como strigoi e na Itália comostrega.

O poeta romano Ovídio, do século 1, descreveu uma bruxa em um de seus livros:

Eles voam à noite e procuram crianças sem babás, sequestram-nas de seus berços e emporcalham seus corpos. Dizem que laceram as entranhas das crianças com seus bicos e suas gargantas ficam cheias de sangue que beberam. São chamados striges.

A Romênia é o país mais identificado com os vampiros. Terra de rico folclore, concernente a vampiros, sua reputação foi restabelecida por Bram Stoker, cujo romance Dracula começa e termina na Transilvânia. Embora a Transilvânia naquele tempo fosse parte da Hungria, agora pertence à Romênia.

Stoker extraiu grande parte de seus conhecimentos sobre a Transilvânia, onde colocou o Castelo de Drácula, do livro The Land Beyond the Forest (1888), de Emily Gerard, uma escocesa, que tinha se casado com um oficial polonês que servia no exército austríaco. Como brigadeiro comandante, estava sediado na Transilvânia na década de 1880. O casal morava em Sibiu e Brasov.

Ao descrever as diversas entidades sobrenaturais encontradas em sua pesquisa sobre práticas que envolviam a morte, ela escreveu:

Decididamente o mal é o nosferatu, ou vampiro, no qual todo camponês romeno acredita piamente como acredita no céu e no inferno. Existem dois tipos de vampiros, os vivos, e os mortos. O vampiro vivo é geralmente um filho ilegítimo de duas pessoas ilegítima; porém mesmo um pedigree impecável não é uma segurança contra a entrada de um vampiro na residência da família, visto que toda pessoa morta por umnosferatu se transforma num vampiro após a morte e continuará a sugar sangue de outras pessoas inocentes, até que o espírito tenha sido exorcizado pela abertura do túmulo da pessoa suspeita, enfiando uma estaca em seu corpo ou metendo uma bala no caixão. Andar em torno da sepultura fumando em cada aniversário da morte também supõe-se que seja eficaz para confinar o vampiro. Em casos muito obstinados de vampirismo, recomenda-se cortar fora a cabeça, recolocando-a no caixão com a boca cheio de alho, ou extrair e queimar o coração, espalhando as cinzas sobre o túmulo. (The Land Beyond, Pg. 187)

Conclusão: O strigoimort, o vampiro romeno, se comparava em grande parte à imagem do popular vampiro. Tratava-se de um morto retornado. Tinha poderes como produzir fenômenos poltergeist, especialmente o de dar vida aos objetos domésticos comuns. Era visto como caprichoso,travesso muito debilitante. Entretanto, o ataque do vampiro era raramente visto como fatal. Além disso, ele raramente envolvia morder e drenar sangue literalmente de suas vítimas. Os strigoi geralmente drenavam a energia vital da vítima pelo processo de vampirismo psíquico (hipnose – o que o vampiro ocidental, originado do vampiro romeno, também faz. Ele geralmente não suga a vida de uma pessoa pelo processo de drenagem de seu sangue, mas também por hipnose).

Com este resumo, inicio minha opinião sobre Crepúsculo(única e somente minha, não influenciada por alguém, apenas por meus motivos).

Stephanie Meyer traz vampiros à sua obra. Entretanto, uma das únicas características com o vampiro eslavo ou o ocidental é a aparência humana (diferente dos japoneses, gregos e romanos). Cada vampiro em sua saga tem um tipo de dom. Edward Cullen, por exemplo, pode ler mentes. Alice Cullen pode prever o futuro. Um vampiro tem o poder de hipnose (e, com esse recurso, como foi dito acima, pode drenar a energia vital de um ser humano apenas por hipnose), controle com o tempo (pode formar uma tempestade), pode se transformar em animais noturnos (como lobos, corujas, etc.) e até mesmo em névoa.

Os vampiros de Stephanie Meyer têm seus reflexos refletidos no espelho. Todavia, isso depende de cada autor. Bram Stoker (Dracula) não usava disso, já Anne Rice (Entrevista com o Vampiro) usou. Os vampiros de Rice são parecidos com os de Stoker, porém, os de Rice não tem medo de cruzes (não são afetados por elas), podem entrar em igrejas, não são afetados por alho, tem seus reflexos refletidos, etc. Contudo, uma característica que não muda nesses dois tipos de vampiro é: queimam ao sol. Isso é um tipo de maldição que é dada ao ser que tem o poder da imortalidade (é como um preço a ser pagado).

A explicação para os vampiros não terem seu reflexo refletido no espelho seria porque não têm alma. Sua alma teria sido vendida a um ser maligno, o que seria uma das maneiras de ter se originado o vampiro. Sua alma teria sido vendida ao ser para se ter a imortalidade. Porém, o homem que vendeu-a seria também amaldiçoado, não podendo expor-se ao sol ou alimentar-se de comida. Seus órgãos perderiam a função, e ele tornar-se-ia um morto-vivo, que seria morto apenas por uma estaca (de madeira ou prata) fincada em seu coração. E, como na cultura romena (em parte), o órgão seria retirado, cremado, e suas cinzas jogadas ao vento (essa seria uma das maneiras de matar o vampiro clássico e/ou o vampiro contemporâneo).

Uma das coisas inexplicáveis na saga de Stephanie Meyer é o fato de que seus vampiros brilham. Ao invés de queimarem ao sol, brilham. Uma das explicações (não muito bem feita) seria que a pele deles tem pequenas partículas de diamantes. Entretanto, como se explica de onde veio o diamante, já que o vampiro é um ser humano transformado em morto-vivo? Meyer deixou uma grande lacuna nesta questão.

Mais uma lacuna seria Rennesmee, a filha de Isabella Swan com Edward Cullen. Precisaria, ao menos, de uma desculpa plausível, melhor que “o veneno do vampiro funciona como estimulante para a ereção e produção de espermatozoides” – foi o que disse Stephanie Meyer em uma entrevista a uma emissora americana de televisão. Primeiramente, vampiros não tem veneno. A transformação de um humano para vampiro trata-se de sugar quase todo o sangue da vítima e dar parte do sangue vampiro (amaldiçoado) ao humano. O sangue que tomará o humano cairá em seu sistema digestivo, e, de lá, será levado para seu sistema circulatório, transformando-o então.

Rennesmee seria então um mestiço – metade humano, metade vampiro. Mas como se explica seu crescimento? Um mestiço não cresce, permanece na idade em que recebeu DNA vampírico, já que vampiros são estéreis. Já vampiras podem ter filhos, já que um dos órgãos que permanecem em função é o ovário. Se uma vampira ter relações com um homem, poderá, sim, engravidar, diferente das vampiras de Meyer.

Quanto à alimentação, os vampiros de Meyer deixam a desejar. Sim, vampiros podem se alimentar de sangue animal, porém, não o sustentaria, já que não tem a mesma força vital do sangue de um ser humano. Vampiros vegetarianos é um termo e não é correto, sendo que vampiros estão matando animais. Na saga, eles caçam ursos e veados. Ursos que poderiam entrar em extinção, enquanto nasce mais de cem humanos por minuto.

Não se precisa matar um humano para se alimentar, pode se usar de hipnose ou transformá-lo. Contudo, hipnose e transformação são desgastantes para um vampiro. Sugar o sangue e se alimentar é o básico, não precisa usar de muita força. Porém, quando se usa do recurso de hipnose, o vampiro automaticamente está usando de sua energia. E, quando usa de transformação, está doando seu sangue a alguém, perdendo-o, ficando fraco.

Não trarei aqui o assunto sobre machismo, obcessão e possessão ocultos no obra, já que o assunto central do texto é vampirismo.

Quando dizem que Meyer inovou no vampirismo, trazendo romantismo a ele, é mentira. Bram Stoker, em 1889 trouxe o romantismo ao vampirismo, quando escreveu Dracula. O Conde Drácula se apaixonou por Mina Murray. E se ela inovou no vampirismo, tornando-os “seres brilhosos”? Não. Apenas tornou isso engraçado aos olhos de pessoas entendidas do assunto. Inovou ao trazer bebês ao vampirismo? Não, em Blade isso já acontecia. (Blade é da década de 90)

Dizem que o romance de Stephanie Meyer é o maior fenômeno desde Harry Potter, de Joanne Kathleen Rowling (J.K Rowling). Fugindo um pouco do assunto sobre vampiros, há uma grande diferença entre as obras (além de que o assunto central de H.P é bruxaria e o de Crepúsculo é vampirismo). Stephanie Meyer sonhou e começou a escrever sua obra. Ela disse que pesquisou sobre o assunto uma única vez, quando a personagem Isabella pesquisou no livro. Rowling passou onze anos pesquisando sobre o assunto. Está aí, então, uma das explicações para Harry Potter fazer o sucesso que faz: as pesquisas que Rowling fez e a profundidade que tem no assunto.

Termino aqui minha opinião sobre Crepúsculo.

Fontes:

Para Vampiros no Japão (Kappa), Vampiros na Grécia, Vampiros na Antiga Roma, Vampiros na Romênia – Enciclopédia dos Vampiros – J. Gordon Melton, 2008. (M.Books)