Visão da Sociedade – por Jack Miller (direitos reservados)

Com outro sorriso, tomei um gole de vinho, degustando do gosto adocicado e único de uvas sulistas. Depositei o copo sobre a mesa e pus-me a observar o local; o restaurante. Havia várias pessoas — impossível contar sem se perder. Várias pessoas, de vários tipos; eu poderia ver brancas, negras, asiáticas e pardas sem nem mesmo virar o pescoço. O restaurante com certeza era bem frequentado — havia alta sociedade jantando naquela noite; inúmeros homens de ternos e sapatos Armani e mulheres eu seus vestidos Prada ou Chanel, seus sapatos de luxo (e com certeza seu valor era mais alto que nossa hipoteca), suas maquiagens exageradas e brilhosas, seus amantes caríssimos ao lado — ao que eu via, algumas eram lindas, realmente exuberantes. É claro, aquilo era por causa do dinheiro de seus maridos, namorados e amantes ricos vindos de Wall Street, alguns jovens e vistosos, outros velhos nojentos e outros comuns; aquele era o submundo das segundas intenções e da hipocrisia mórbida —; todas essas pessoas se expunham como ricas e belas e que tudo podiam. E de fato podiam — ingênuo é aquele que acredita que o dinheiro não compra tudo neste país —… Um loiro xingou um dos lerdos garçons e jogou-lhe um copo de uísque na cara — uma ação realmente chamativa. Todos os olhavam agora e apenas eu mantinha uma expressão insípida e desinteressada, observando o loiro e o garçom, percebendo as reações de raiva incontrolável e injustificável no rosto do loiro e vergonha no rosto do garçom. Era de se esperar que acontecesse algo daquele tipo naquela noite — havia muita gente. Muita gente diferente. Aí esta: mistura de pessoas, mistura de culturas, mistura de ideias; logo, logo haveria algo para quebrar a perfeição daquele restaurante francês excepcionalmente organizado.